sábado, 30 de junho de 2007 | By: Mandi

Odisséia emocional

Alguém aqui já leu a "Odisséia", de Homero? Eu recomendo, principalmente para quem é apaixonado por mitologia. Eu li este livro há muito tempo, assim como histórias baseadas nesta obra.
A "Odisséia" conta a história de Odisseu, correspondente em grego ao latino Ulysses. De maneira resumida, Odisseu era um mercador, dono de seu próprio reino. Era casado com Penélope e pai de Telêmaco, mas foi obrigado a deixá-los para lutar na Guerra de Tróia. Com o fim da guerra, ele decide retornar a sua ilha de Ítaca, mas para conseguir chegar em casa, tem de enfrentar todos os perigos imaginados.
Enquanto isso, Penélope é pressionada a casar com um novo homem, dar a Ítaca um novo rei, já que ninguém sabe se Odisseu está vivo ou morto. Lá no fundo, no entanto, ela sabe que o marido está vivo, ela sente. Mas a pressão dos homens é grande, então ela diz que anunciará sua escolha assim que terminar de tecer um manto.
De dia, sob os olhos atentos de toda a corte, ela tece. De noite, quando ninguém vê, ela desfaz o manto, como forma de ganhar tempo. Na mitologia, a imagem de Penélope corresponde à fidelidade, ao amor verdadeiro.
Por que contar isso tudo? Para contar a Odisséia emocional do meu amigo Ulysses.
Ontem ele entra no MSN e me diz: "Sabe, eu nunca contei isso a ninguém, mas antes de começar a namorar com a Dani (aquele com quem ele até cogitou casar), eu estava ficando com outra garota, lembra?" Eu lembrava dessa história, sim. "Então chegou um momento em que eu tive de fazer uma escolha, e escolhi a Dani". Isso eu também sabia. "O que ninguém sabe é que, mesmo depois de namorando com a Dani, eu ainda pensava na outra garota. Até hoje, sempre penso nela". Homens... Eu falei para ele que o sexo masculino é muito complicado, quem quer tudo acaba sem nada e que é um absurdo eles só perceberem a cagada que fizeram depois de se darem mal. "Você gosta dela?", perguntei. "Gosto". "Então liga para ela. Você é solteiro, ela também". "Eu falo com ela, mas ela não me dá muita trela".
Meu pensamento: óbvio que não. Você trocou ela por outra. Minha resposta: "Você vai ter de provar para ela que está afim, vocês vão ter de começar do zero. Converse com ela, saiba ouví-la, dê atenção. E não pise na bola novamente".
Resposta dele: "Mas como eu faço isso?" Fazendo, oras.
Eu sei que não é fácil gostar de alguém. Sei que a gente só consegue entender uma história quando ela acaba, isso quando consegue. Mas aí já é tarde demais para tentar consertar. É a história do vaso quebrado. Nunca vai ser igual se você colá-lo. Só comprando um novo, ou seja, começando do zero.
Todo mundo traz em si um Odisseu que busca uma Penélope. Todos nós enfrentamos nossos dramas pessoais em busca de um amor de verdade. Todos nós já optamos por caminhos mais fáceis, pensando que eles fossem o caminho certo. Nem sempre o fácil é o certo. Nem sempre a gente reconhece o que é duradouro e o que é descartável.
O que importa é humildade para perceber quando erramos. E coragem para voltar atrás e recomeçar a andar. E foi isso o que eu disse ao meu amigo Ulysses.

3 observações:

Estranho disse...

O problema são as Circes e Calipsos que existem pelo caminho.

Luiz disse...

Gosto de dizer que a vida é feita de tentativas e erros. Vivemos de escolhas e tentamos fazer que elas dêem certo. Não dá para ficar com alguém pensando em outra pessoa. Por isso, antes de se ir atrás de algo é preciso saber o que se quer.

jujuba disse...

Nem sempre o caminho duradouro é o mais certo.
Eu já optei por histórias duradouras, mas digo que fui muito mais feliz quando optei por histórias que eu sabia que não eram duráveis. Eu fui feliz por uma fração de segundo, como um suspiro. Mas não me arrependo de ter ido por esse caminho.
Nem sempre o que dura mais é sinônimo de intensidade.
E tenho dito. Bjo da gorda