sexta-feira, 5 de dezembro de 2008 | By: Mandi

Felicidade é contagiosa, diz estudo

Choque total. E eu achando que só coisas negativas fossem contagiosas, como doenças causadas por vírus, pessimismo, medo e mau-humor. Pois é, a tal da felicidade também é contagiosa, pelo menos segundo o estudo que envolveu pesquisadores de diversas instituições americanas. A notícia apareceu no site da agência de notícias Reuters, na semana passada.
Segundo a matéria, a equipe comprovou que assim como a obesidade e o tabagismo se difundem em rede, o mesmo ocorre com o bem-estar. Ou seja, quanto mais pessoas felizes nós conhecemos, maior é a probabilidade de nós mesmos sermos felizes. Então, se pararmos para pensar, nós somos um reflexo do meio em que vivemos. Se está comprovado que isso acontece para o bem, então nada impede o caminho inverso seja verdadeiro.
Um dos envolvidos na pesquisa, Nicholas Christakis é professor de sociologia médica a Escola de Medicina de Harvard, em Boston. Ele acredita na existência de um "arrastão emocional". Ao lado de James Fowler, cientista político da Universidade da Califórnia, em San Diego, ele analisou dados relativos a 4.700 filhos de voluntários do Estudo Cardiológico Framingham, um trabalho iniciado em 1948.
O material inclui informações de 1971, que trazem desde nascimentos e casamentos até divórcios e mortes. A felicidade, então, passou a ser medida pela dupla a partir de quatro perguntas muito simples. Basta parar um minuto e refletir quantas vezes, na última semana, 1. curtimos a vida, 2. nos sentimos felizes, 3. nos sentimos esperançosos em relação ao futuro, e 4. sentimos que valemos tanto quanto as outras pessoas.
Cerca de 60 por cento dos entrevistados que tiveram pontuação alta nas quatro questões foram avaliadas como felizes, enquanto o restante foi considerado infeliz. E mais: o mesmo trabalho constatou que a felicidade é muito mais contagiante que a infelicidade. Bastar ter um amigo, colega de trabalho, de escola, até mesmo o porteiro do seu prédio feliz e, pronto, sua chance de também ser feliz aumenta em 15%. Se for alguém com quem você não tem contato direto, tipo o amigo de um amigo, ou algo parecido, a porcentagem é de 10%.
Tudo isso é muito bacana, mas, afinal, o que é ser feliz? Já que estava na internet, resolvi entrar no Google e digitar a palavra felicidade. A pesquisa retornou 15.000.000 de ocorrências. Quer dizer que a felicidade se contagiou pela internet? Não, quer dizer que cada um tem sua própria definição para esta palavra. O passo seguinte foi buscar algumas dessas idéias.
Nietsche disse que "não é a força, mas a constância dos bons sentimentos que conduz os homens à felicidade". Para Voltaire, "a felicidade é a única coisa que podemos dar sem possuir". Já o escritor Thomas Hardy acreditava que "a felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que fazemos do que temos". Ingrid Bergman, estrela de "Casablanca", declarou que "felicidade é uma boa saúde e uma má memória".
Confúcio, que viveu entre 551 e 479 a.C., não chegou a ouvir falar da pesquisa dos americanos, mas deu a dica naquela época. "A melhor maneira de ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros". E então, caro leitor, leitora. Você tem curtido a vida? Tem se sentido feliz? Tem se sentido esperançoso em relação ao futuro? Tem sentido que vale tanto quanto as outras pessoas?

Na academia

Dia desses a Revista Veja publicou um guia sobre bons hábitos na academia. Nada relacionado ao desempenho dos exercícios, mas sim a alguns perfis de freqüentadores. Segundo a publicação, entre os "tipinhos típicos" estão o desinibido, o perfumado, o exibido e o ph.d. de academia. O primeiro é aquele que desfila com roupas dois números abaixo do ideal, enquanto o segundo entorna meio vidro de perfume antes da malhação. O seguinte emite os mais variados grunhidos durante os exercícios, sempre em volume máximo, para depois soltar os pesos no chão, com brutalidade. O último é o especialista que sempre dá palpites nas séries alheias.
Pensando bem, academias de ginástica são um terreno fértil para personagens e situações interessantes. Dependendo do horário, é possível encontrar uma fauna variada, que inclui desde aposentados simpáticos a garotões bombados, passando por gordinhos em busca da boa forma e adolescentes narcisistas.
Confesso que não sou fã de exercícios físicos, mas como esta é exigência fundamental para se ter qualidade de vida, muita a contragosto eu acordo às 6 da manhã para enfrentar a rotina diária de esteira-musculação-bicicleta. E, em silêncio, assumo o papel de observadora, numa tentativa de contornar meu mau-humor matinal com a realidade que me cerca. Uma tarefa inglória, confesso. Mas hoje, pelo menos, rendeu uma crônica.
Um desdobramento do tipinho exibido é o chato de carteirinha. Carente ao extremo, chega falando alto, mexe com todo mundo e ainda faz questão de dar beijinho em cada moça que chega para se exercitar. Discute futebol – sem saber quem jogou no último fim de semana, ri alto e não desconfia que está sendo inconveniente. Trata mal os instrutores e tem certeza de que está abafando. Pior de tudo é que não faz falta nenhuma quando não aparece na academia.
O desinibido da Revista Veja tem outros desdobramentos. Faça calor ou frio, mas muito frio mesmo, este tipo gosta de exibir a boa (ou nem sempre) forma. Vai malhar de shortinho e top, mesmo que esteja congelando até os ossos. É dependente do instrutor, faz com que ele prepare todos os aparelhos antes que possa chegar até eles.
Há outros que vão à academia como quem vai a um evento social. Conversa, toma água, finge que anda na esteira, está inscrito nesta ou naquela aula. Mas é só. Sempre que pode, fica prestando atenção nos outros para, em seguida, poder falar mal. Adora reclamar e achar que todos os outros alunos têm mais atenção do que eles. São capazes, até mesmo, de iniciar uma guerra particular por causa de uma esteira. Acreditem, já vi acontecer.
Há, também, os educados e atenciosos. Falam bom dia quando chegam, até logo quando vão embora. Malham em silêncio, agüentam as investidas dos tipinhos típicos com simpatia e bom humor.
Em qual tipinho de freqüentador de academia eu me encaixo? No antipático. Só cumprimento quem me cumprimenta. Não converso com ninguém. Não dou beijinho em ninguém. E, sempre que posso, coloco o fone de ouvido para tentar me isolar do som alto e conversas paralelas que fazem parte do ambiente. E tento eliminar os exercícios da tortura matinal o mais rápido possível para, quem sabe, no fim de semana, ter direito a uma barra de chocolate.

Erros e acertos

Quando eu era criança e estava na escola ficava inconformada quando ia bem numa prova. Chegava em casa e contava que havia tirado dez. A resposta sempre era: "Não fez mais do que a obrigação". E isso me desanimava completamente. Eu não conseguia entender porque todas as vezes que eu tirava uma nota alta tinha de ouvir o mesmo comentário, enquanto nas raras vezes em que eu ia mal, tomava uma bronca. "Como pode tirar uma nota vermelha? Sua única obrigação na vida é estudar".
Depois de adulta descobri que não era a única a ouvir isso em casa. Afinal, dizem por aí que família é tudo igual, só muda o nome e o endereço. Foi então que percebi que estar consciente de que acertar não passa de uma obrigação é fundamental para nossa sobrevivência.
A realidade é dura. É muito mais fácil as pessoas se lembrarem de nós por nossos erros do que por nossos acertos, mesmo que estes últimos sejam maioria em nossa existência. Certa vez, conversando com uma amiga, tentei convencê-la de que, por mais que as pessoas tentem nos condenar por um erro, era preciso lembrar que errar é humano. Somos todos seres falíveis, apesar de "ninguém olhar o próprio rabo". E mais, que o que nos definia eram os nossos acertos, e não os nossos erros. Mas, como ela mesma disse, é fácil falar. Difícil mesmo é se colocar no lugar do outro.
Há alguns dias recebi um discurso feito por Steve Jobs aos formandos da Universidade de Stanford, Estados Unidos, em 12 de junho de 2005. Para quem não está familiarizado com o nome, Jobs foi o criador da empresa Apple e do estúdio de animação Pixar, responsável pela produção de desenhos como "Toy Story", "Vida de Inseto", "Monstros S/A" e "Procurando Nemo", entre outros.
Pois bem. Ele conta três histórias sobre sua vida, sobre erros e acertos. A primeira foi como sua mãe biológica queria que ele fosse adotado por um casal com diploma universitário. Estava tudo certo até o casal concluir que preferia uma menina. Ele foi parar nas mãos de uma mulher que nunca fez faculdade e de um homem que mal terminou o Ensino Médio. Ainda assim, Steve Jobs chegou à universidade, que largou seis meses depois. Foi quando ele deixou de cursar as disciplinas obrigatórias para aprender sobre o que realmente gostava, ou seja, fontes e estilos gráficos em aulas de caligrafia. Isso foi aplicado nos programas de edição de texto dos computadores da Apple e copiados pelo sistema Windows.
A segunda foi sobre como, antes dos 30 anos, ele havia criado um império dos computadores e, de repente, foi demitido pelo conselho diretor da empresa, quando os negócios não iam mais tão bem. Foi no recomeço que ele se viu obrigado a fundar novas empresas, entre elas a Pixar. E hoje, ele vê que nada disso teria acontecido se ele não tivesse sido demitido.
A terceira história é sobre a morte. De como ele foi diagnosticado com um tipo de câncer incurável. O médico recomendou que ele resolvesse seus negócios, se despedisse das pessoas que gostava. No momento da biópsia, entretanto, ele descobriu que portava um tipo raro e curável. E agora ele está bem. E foi aí que ele entendeu que o nosso tempo de vida é limitado e que não vale a pena desperdiçá-lo vivendo os sonhos e regras dos outros.
E, no final, eu vejo por isso tudo que nem sempre acertamos. Mas, muitas vezes, quando somos capazes de olhar para trás e "ligar os pontos", como disse Steve Jobs, tudo faz sentido. Até mesmo os nossos erros.

A grama do vizinho

Todo mundo quer votar nos Estados Unidos, em Barack Obama, mas ninguém quer votar obrigado no Brasil. Todo mundo quer viajar para o exterior, mas ninguém quer conhecer seu próprio País. Todo mundo gosta de música estrangeira, mas acha a música nacional brega. É das loiras que eles gostam mais, mas quem sabe sambar de verdade são as mulatas. A Seleção Brasileira é pentacampeã, mas todo mundo sente saudades do Felipão. Pelé é nosso, mas Maradona é quem comanda a Seleção da Argentina.
Kaká é brasileiro e joga no Milan, na Itália. Robinho é brasileiro e joga no Manchester, na Inglaterra. Alexandre Pato é brasileiro e joga no Milan, na Itália. Ronaldinho Gaúcho é brasileiro, mas joga no Milan, na Itália. Marta é brasileira, mas joga no Umea IK, na Suécia. E estes são só alguns dos atletas brasileiros que jogam fora do Brasil. Há ainda aqueles que estão longe de casa para desenvolverem melhor seu potencial.
Rita Ferreira é bailarina cadeirante, tetracampeã em sua categoria, mas não é reconhecida em Mogi das Cruzes, onde vive há 16 anos. Dirceu José Pinto é mogiano, mas teve de ir a China buscar duas medalhas de ouro nas Paraolimpíadas de Pequim.
Antes de fazer sucesso no Brasil, o Sepultura lotava shows nos Estados Unidos e Europa. Bebel Gilberto é uma das cantoras brasileiras mais conhecidas na terra de Tio Sam. Rodrigo Santoro luta para construir uma carreira internacional.
O Natal do Hemisfério Norte tem neve, no Hemisfério Sul só tem bolinhas de sabão. O Rio de Janeiro é violento, mas pelo menos não é o Iraque ou o Afeganistão. A São Paulo falta humanidade, a Nova Iorque falta humanidade. Nova Iorque tem Chinatown, São Paulo tem Liberdade.
Eles têm Coca-Cola, nós temos Guaraná. Eles têm barbacue, nós temos churrascão na laje. Eles têm a Estátua da Liberdade, nós temos o Cristo Redentor. Nós temos muito a conquistar. Eles já conquistaram tanta coisa que já perderam a noção do que realmente importa.
São Paulo tem movimento. Bertioga tem paz. No meio do caminho, Mogi tem os dois. Tem passado e tem futuro. Mas ainda falta muita coisa para continuar seu caminho rumo ao desenvolvimento, sem esquecer sua própria identidade.
Felipe Massa foi campeão de Fórmula 1 no Brasil durante 38 segundos. Lewis Hamilton será até o próximo campeonato. E o Schumacher? É da Alemanha. O Hamilton é da Inglaterra. Mas o Felipe Massa ainda é nosso.
Assim como a urna eletrônica, as Havaianas, o pão de queijo, a goiabada, pingado e pão na chapa na padoca, Cruzeiro do Sul em noites limpas, os dias de sol, de praia, o cheiro da terra molhada depois da chuva, a Bossa Nova, Vinícius de Moraes e Tom Jobim. E o brasileiro. Apesar dos pesares.
O Brasil tem muita coisa. Só não tem a noção de que sua grama não é mais nem menos verde do que a grama do vizinho. É verde, sim. Na medida exata.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008 | By: Mandi

A importância de se dizer não

Nem sempre as pessoas entendem quando dizemos não.
Nem sempre entendemos quando as pessoas nos dizem não.
Ainda assim, saber dizer e saber ouvir um “não” é cada vez mais necessário. Da mesma maneira que a palavra "não" ajuda a criar limites, ela pode nos inspirar a rompê-los. Desde que se haja um mínimo de discernimento para se avaliar quando é possível e necessário fazê-lo.
A começar pelas crianças.
Hoje em dia é cada vez mais comum a impressão de que as crianças amadurecem mais rápido. O acesso à informação, a falta de critério na exibição de determinados desenhos que estimulam a violência e a própria permissividade por parte dos adultos responsáveis geram resultados desastrosos. Afinal, não importa o quão madura uma criança pareça, ela ainda é uma criança. Então, por mais emburrada que ela fique, por mais escândalo que ela faça, dizer não é preciso.
Há alguns anos, participei de um programa de intercâmbio chamado “au pair” e passei um ano morando nos Estados Unidos, vivendo com uma família, cuidando das crianças da casa de dia e estudando à noite. Eram três meninos. O mais velho era extremamente inteligente e maduro para os seus quatro para cinco anos, ao contrário do irmão do meio, de três para quatro anos. O caçula era um bebê.
Na tentativa de criar os filhos de uma maneira "alternativa", os pais não conseguiam perceber o óbvio: o limite era artigo em falta naquela casa. As crianças não eram obrigadas a tomar banho diariamente (mesmo que a casa contasse com um excelente sistema de aquecimento, quebrando o argumento do frio que a mãe insistia em usar), escovavam os dentes quando queriam e não precisavam pedir por favor ou dizer obrigado. Aliás, isso causou uma grande confusão entre o pai e eu.
Como eu só atendia os meninos quando eles pediam por favor, e insistia no obrigado ao final, certa vez fui surpreendida com o seguinte comentário paterno: "Eu não quero que você ensine meus filhos a dizerem por favor e obrigado. Eu estou criando meus filhos para mandarem, não para pedirem". A palavra criar, aí, é muito subjetiva, sendo que ele passava menos de quatro horas semanais com os filhos – fins de semana inclusos.
E continuei usando a palavra não para impor limites – até porque quando eu não fazia isso era alvo de socos, beliscões e pontapés -, e insistindo no uso do por favor e do obrigado. Se o pai daqueles meninos estava convencido de que, no futuro, seria colocado em um asilo e raramente receberia a visita dos filhos, eu preferia insistir na tentativa de torná-los adultos mais responsáveis.
Neste período, passei a compreender de maneira única todos os “nãos” que recebi dos adultos de minha família ao longo dos anos, desde a infância, passando pela adolescência, até chegar à maturidade. Todas as vezes que quis brincar sozinha na rua, ir a uma excursão ou sair sozinha com minhas amigas.
E hoje em dia, acompanhando os noticiários, me pergunto se não faltou um pouco de não na vida de algumas pessoas. Não, você não pode namorar um homem de 19 anos quando você só tem 12. Não, você não pode ter um Orkut, MSN ou voltar sozinha da escola aos nove anos. Não, você não pode entrar no mar se você não sabe nadar. Infelizmente, todos estes “nãos” nunca chegaram. Ou chegaram tarde demais.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008 | By: Mandi

A Complexa Arte de se Relacionar

Quase seis meses depois de "sumir" por aqui, estou de volta. Espero.
Os últimos meses têm sido extremamente complexos em minha vida. Tão complexa quanto a arte de ser mulher, somente a arte de se relacionar com o sexo oposto. Afinal, eu sempre soube lidar com meus amigos e meus paqueras (relativamente, vai). Mas, e depois, quando você ultrapassa aquela linha de tempo que define o seu relacionamento como namoro? Mais do que isso, namoro sério. De repente, você percebe que todos os caminhos te levam para o altar (no sentido figurado porque eu me nego a casar na igreja). Daí, como diz uma amiga minha, fudeu.
A partir do momento que você encontra alguém com quem pretende se relacionar pelos próximos anos, ou décadas, para os mais otimistas, percebe-se que nada é fácil. Nestes casos, a primeira coisa a se fazer é admitir que, se o outro não é perfeito, a realidade é que nós, muito menos. Pior. Mulheres são seres inconstantes, intolerantes, intragáveis. E sofrem de TPM. Bu!
Com o tempo, vamos aprendendo a aparar as arestas, pelo único fato de que faz parte da complexa arte de se relacionar com seu namorado/marido exige paciência, constância, tolerância, um exercício para se tornar menos intragável... E um excelente remédio para combater a TPM que, eu confesso, ainda não encontrei. Mas a simples tentativa de buscar estas coisas já conta pontos.
Até onde eu tenho aprendido, a verdade é que quando duas pessoas se encontram, por mais coisas em comum que elas tenham, ainda assim elas são completamente diferentes. E isso é ótimo, porque é assim que começamos a aprender algo, com as diferenças. O primeiro passo é respeitá-las. O segundo é tentar aparar as arestas, quando as mesmas vão surgindo. Não adianta querer mudar a pessoa completamente, porque, se você obtiver sucesso nisso, vai acabar perdendo aquele por quem você se apaixonou em um primeiro momento. O mesmo serve para nós.
Nessas horas, a matemática é fundamental. Adição é legal, subtração não. Mas, bom mesmo, é tentar buscar, juntos, um denominador comum. Eu ainda estou aprendendo.
sábado, 5 de julho de 2008 | By: Mandi

Fazendo planos

Dizem que a vida é o que acontece enquanto fazemos planos.
Por um lado, não acho que seja de todo ruim fazer planos.
Por outro, acredito que também não podemos deixar que a vida simplesmente aconteça, enquanto estamos ocupados demais pensando no futuro.
O presente está aí, acontecendo diariamente. Eu tenho vivido meu presente intensamente. Mas também tenho feito alguns planos.
Confesso até que, pela primeira vez, estou me permitindo fazer planos de verdade. Casar - sem festa, vestido e salto alto, obviamente -, procurar por um apartamento, e, quem sabe, depois de curtir um pouco a vida de casados, ter filhos. Raul Seixas, maluco beleza, dizia que "sonho que se sonha só é só um sonho. Sonho que se sonha junto, é realidade". E esse meu sonho, meu plano, está sendo sonhado junto.
Mas fazer planos deste tipo dá trabalho. Exige tempo. Dedicação. Abrir mão de uma série de coisas que, de repente, não parecem tão importantes. O essencial é que seja um sonho comum de duas pessoas.
Sei que tenho sumido daqui por períodos longos. Estou tentando não fazer isso, preciso me disciplinar. Mas, acreditem, é porque dá trabalho viver o dia-a-dia e fazer planos ao mesmo tempo.
sábado, 24 de maio de 2008 | By: Mandi

Traição

Recentemente eu descobri que a pior forma de traição não é aquela existente entre um homem e uma mulher. A pior forma de traição é aquela que acontece entre uma mulher e seu cabeleireiro. Em um caso mais específico, entre mim e minha cabeleireira. Explico. Há algumas semanas, já sem suportar as raízes castanhas de meus cabelos vermelhos, resolvi marcar uma hora para retocar o tonalizante.
Infelizmente, no salão que eu freqüento geralmente não tinha horário.
Daí, tomei aquela que provavelmente foi a decisão mais errada de minha vida: ir a outro salão, aqui perto do meu trabalho. Antes, é claro, me informei com amigas que freqüentam o local, para saber quem eu deveria procurar. Eric foi o nome que me foi indicado.
Chegando lá, ele estava desocupado. Ótimo.
Primeiro, apresentei para ele meu tonalizante, aquele mesmo, sem descolorante e química pesada, já que meu cabelo nunca aguentaria uma artilharia de grande porte. Mas esqueci a emulsão. Contrariado, ele, que está acostumado a usar somente os produtos vendidos no salão, foi lá no fundo para preparar a mistura.
Eu tive uma sensação ruim, neste momento, mas fiquei lá, firme e forte.
Depois de passar o produto no meu cabelo, ele começou a falar de coisas que ficariam bacanas nele, como pintar de vermelho berrante, fazer mechas, pintar de azul. Fala sério... eu já passei da idade. Também não faço parte daquela fatia da população que se arrisca com cortes e cores não-convencionais... Enfim.
Enquanto uma outra garota lavava o meu cabelo e passava um produto para a hidratação, uma manicure fazia as unhas de Eric. Algo estava errado.
A menina perguntou se eu queria que ela fizesse uma escova no meu cabelo. Eu disse que não, então ela disse que não secaria o meu cabelo. Por que eu não aceitei a escova? Porque meu cabelo é absurdamente liso. Seria algo sem sentido.
Quando cheguei em casa e meu cabelo já estava seco, veio o choque: a raiz estava cor de laranja. O cara misturou algum descolorante no meu tonalizante... Inacreditável.
Surtei completamente.
Meu namorado, por sua vez, curtiu. Afinal, laranja é a cor favorita dele.
No dia seguinte, ligo para minha cabeleireira. Vanessa, a manicure, atende. "Van... a Claudinha pode me atender hoje?"
"Acho que não, ela está com todos os horários ocupados..." "Mas é uma emergência!!!" "Como assim, uma emergência?". Contei toda a história para ouvir a Van, do outro lado da linha, gritar, entre risos: "Cagaram no seu cabelo, foi?!". "Foooooooooiiiiiii". Daí eu ouvia a Van conversando com a Claudinha, convencendo a recém-traída cabeleireira a consertar o meu cabelo.
Feito isso, no dia seguinte, a Claudinha me deu a maior prova de amor que uma cabeleireira poderia dar a uma cliente: me atendeu depois de seu expediente, cuidou pacientemente do meu cabelo, me deu conselhos sobre cuidados com eles, que estavam ressecadíssimos, e ainda me deu desconto na hora de pagar a conta, dizendo que eu já havia gasto dinheiro demais com ele...
E eu prometi que nunca, mas nunca mais mesmo trairia minha cabeleireira. E tenho dito.
quarta-feira, 16 de abril de 2008 | By: Mandi

Tirando a poeira...

Passando por aqui rapidamente para tirar a poeira e avisar que este blog ainda está ativo... Assim como a minha vidinha, que anda supercorrida.
Logo estarei por aqui...
segunda-feira, 31 de março de 2008 | By: Mandi

Eu sou feliz

Receber uma ligação no fim de uma tarde de segunda-feira, só para ouvir uma voz. Beijar na boca sem ter de pedir permissão. Passar uma tarde de domingo assistindo a desenhos antigos. Toro e Pancho, uma tentativa de Dom Drácula que não deu certo, Smurfs, Snoopy. E ainda tem o Pica-Pau, mais Snoopy, mais Toro e Pancho que não deu tempo. E o Dartagnan, que ainda vai chegar.
Sair para jantar com amigos queridos e rir a valer. Sem pedir permissão, sem medir tempo ou intensidade. Ouvir boa música tocada por quem sabe tocar, composta por quem sabe compor. Almoçar com a família, ver minha mãe e minha tia lembrarem de sua infância a cada mordida em um doce árabe. Dormir até tarde em um sábado, depois de uma semana cansativa, pós-plantão duplo.
Passar a noite de sexta-feira consciente de que mais sou ajudada do que ajudo. E que sou uma pessoa de sorte por estar ali, naquele momento, e a cada momento que ainda está por vir.
Isso é só um fim de semana.
É só um fragmento de uma vida.
É o que me permite dizer que eu sou feliz.
segunda-feira, 17 de março de 2008 | By: Mandi

Resumão

Já tem algum tempo que eu não escrevo por aqui. Falta de tempo, de paciência e até de um pouco de vontade. Mas os acessos continuam e eu sinto como se estivesse deixando meus amigos na mão. Então vamos lá...

Ano passado não foi dos melhores em minha vida. Me lembra até o nome de um CD do Titãs, "Tudo ao Mesmo Tempo Agora". Era como se tudo estivesse ocorrendo ao mesmo tempo. Uma nova perspectiva de trabalho dentro do jornal, freelas bacanas, aprender novas funções... tudo isso acompanhado de um relacionamento que não deu certo. Porque não era para dar.
Daí eu caí várias vezes. E levantei todas elas. Ora com a ajuda daqueles que me amam, ora sozinha. E então, mais uma vez, eu aprendi que o sofrimento é bom. Pode não ser quando estamos no meio dele, mas depois que passa, seus ensinamentos permanecem. Me lembro sempre de uma frase, de algum filme, que dizia que a dor era boa, a dor era nossa amiga, porque era sentindo dor que sabíamos que estávamos vivos. O sofrimento é parecido.
Porque o sofrimento nos ensina que não estamos anestesiados e que ainda somos capazes de sentir. Por muito tempo eu achei que não era mais capaz de sentir. Mas o sofrimento me provou o contrário.
E então veio o tempo. O tempo é outro professor, que nos ensina a ter paciência, a nos respeitar, a conhecer os limites. Mais ainda, a conhecer nós mesmos. E o tempo, se bem aproveitado, nos beneficia com sabedoria e maturidade. Desperta a capacidade de observação, que nos ajuda a escolher melhor os nossos caminhos. E, em determinado momento, nossos caminhos se cruzam com o de outras pessoas, com quem podemos ou não seguir juntos.
É por isso que toda aquela experiência anterior é tão importante... Para nos ajudar a reconhecer caminhos e pessoas. E, por incrível que pareça, você descobre que não é a única pessoa vivendo um momento assim, traçando um caminho assim. Descobre que há outras buscando o mesmo que você e que descobriu um caminho parecido.
Foi assim que o Bob surgiu na minha vida. Quando ambos estávamos a procura de um caminho e não de pessoas para nos acompanharem nele. E tudo isso a gente descobriu conversando. Muito. Sobre a vida, sobre família, amigos, trabalho, amores. Sobre como chegamos até ali.
E, de repente, percebemos que nossos caminhos eram parecidos. E que nossos planos eram parecidos. E que queríamos seguir, a partir dali, juntos.
Mas isso é uma outra história.
sábado, 1 de março de 2008 | By: Mandi

DR

Tem gente que adora estas iniciais e não consegue viver sem. Eu pago para ficar longe delas. É o tal de "discutir a relação". John Lennon disse certa vez que a vida é o que acontece enquanto estamos fazendo planos. É o mesmo com relacionamentos. Às vezes as pessoas perdem tanto tempo discutindo a relação que ela começa e acaba sem que os outros se dêem conta.
E isso é o que me preocupa. Que as pessoas fiquem tão ocupadas discutindo seus relacionamentos que esqueçam de vivê-lo. Tenho amigos que estão nesta fase, discutindo infinitamente a razão do céu ser azul, do branco dos olhos e molhado da água. Quando, ao meu ver, deveriam estar simplesmente sentindo, vivendo.
Você, leitora, leitor, já parou para pensar o que está perdendo enquanto está fazendo planos - ou simplesmente discutindo a relação? Quantos beijos, quantos carinhos, suspiros, abraços? Quantas vezes vocês deixaram de rir, de pura bobeira? Quantos olhares cúmplices, quantas frações de segundo em que um casal se olha e o mundo pára?
E, no discutir a relação, quanta besteira é dita? Quanta coisa impensada, improvável, inconsequente? E quando o arrependimento bate, pelo tempo perdido, pela palavra disperdiçada?
Eu voto pelo fim da DR.
E que todos sejam felizes.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 | By: Mandi

Divagações a domicílio

Geralmente é assim que acontece. Em um dia qualquer da semana, quando você está tão afundado no trabalho e nos problemas que tem para resolver, logo às 16h37, você percebe que nenhum problema é tão importante, que não possa ser facilmente resolvido. E que todo aquele trabalho que está te afundando também pode ser feito com um mínimo de boa vontade.
A gente percebe isso às 16h37 porque, às 16h36, quase 60 segundos antes, alguma coisa mudou. É como se a ficha tivesse caído. E nem toda essa modernidade e tecnologia dos telefones a cartão ou celulares poderiam impedir que a boa e velha ficha caísse...
E quando a ficha cai, o barulho é muito próximo a um estalo.
Pode acontecer às 16h37, como aconteceu com uma amiga minha.
Pode acontecer a qualquer segundo, como aconteceu comigo.
Pode acontecer com qualquer um, independente de se acreditar ou não.
Porque, do nada, em um dia de semana, às 16h37, ou em um segundo qualquer, ou exatamente neste momento, acontece. E a gente descobre o inevitável.
Descobre que é feliz.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Folia

Que me perdoem os foliões de plantão, mas Carnaval é um pé no saco. Figurativamente falando, até porque eu desconheço este tipo de dor.
Ao meu ver, o Carnaval só é bom, teoricamente, para aqueles que têm a chance de fugir dele. Eu tive esta sorte duas vezes na vida. A primeira, quando fui para o sul do Brasil durante o tal do reinado do Momo. A segunda foi quando eu morava nos Estados Unidos e nem me lembrei que um dia existiu o Carnaval.
Quando eu tinha meus 15, 16 anos, eu cheguei a ir a alguns bailes no clube. Menos pela qualidade do som ou pelo meu gosto pela folia, mais pela bagunça, por uma chance de estar com meus amigos. E me sentir mais velha. Afinal, na época dos meus 15, 16 anos, ainda só se entrava no clube com um responsável. E eu sempre aparentei ter menos idade, o que causava certo constrangimento quando me pediam os documentos.
O tempo passou, eu comecei a trabalhar no jornal e Carnaval se tornou sinônimo de muito trabalho. Plantões, cobertura de desfiles capengas na avenida, tiroteios, apurações, choradeira de quem ganha, choradeira de quem perde. Será que eu sou tão insensível que não consigo entender isso?
Este ano, o Carnaval vai ser de trabalho, normalmente. Se eu pudesse escolher, provavelmente iria para alguma cidade perdida no meio do nada, sem batuques, sem estresse e, de preferência, nenhuma dessas praias ou cidades da moda, que metem a faca em pacotes caríssimos. Só porque é Carnaval.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Vestido de noiva

Hoje eu conversei com a Hayashi, uma de minhas pessoas favoritas no mundo. E o mundo não é grande demais quando a gente tem amigas como ela. A Hayashi está morando no Japão. Não nos vemos desde maio, quando ela se casou.
E hoje lá estávamos nós duas conversando. Até que, do nada, ela me perguntou qual era o meu estado civil atual. Solteira, como sempre. Foi aí que ela fez um comentário engraçadíssimo: "Sabia que todas as minhas amigas que me pediram que eu colocasse o nome delas na barra do meu vestido de noiva estão namorando ou casando?"
Quase que aliviada, eu respondi: "Mas, Hayashi, você não colocou o meu nome na barra do seu vestido de noiva. Eu não pedi".
Silêncio. Alguns minutos depois, ela retrucou: "eu sei que você não pediu, mas eu coloquei mesmo assim".
Eu só pude dar risada. Por várias razões, a principal delas é que a Hayashi tem um dom único de ver o mundo com lentes cor-de-rosa e cheias de açúcar, razão pela qual eu a chamo de Algodão-Doce.
Fiquei imaginando como justo eu, ou melhor, meu santo nome, foi parar na barra do vestido de noiva da minha amiga. Justo eu, que nem sou ligada nessas mulherices de casamentos, simpatias e afins.
Daí eu me lembrei que, quando a Hayashi se casou, eu estava envolvida com alguém que, inclusive, foi comigo ao casório, em São José. E tudo parecia ir superbem, na época, até que, cinco dias depois, descobri que estava sendo chifrada e ainda tomei um emblemático pé na bunda.
Mas, pensem bem, oito meses depois, eu descobri que o meu nome estava na barra do vestido de noiva da Hayashi, o que segundo ela é uma tradição para trazer boa sorte no amor. E percebi, no final das contas, que essa história de nome na barra do vestido realmente deve ter funcionado para mim, afinal, eu estava sendo traída, em todos os sentidos, por alguém em quem eu confiava. A tradição funcionou porque a verdade apareceu.
Se foi doloroso? Claro que sim.
Mas eu poderia estar iludida até hoje, o que seria muito pior.
Aqui em casa, minha avó e minha mãe têm o costume de dizer que tudo o que acontece nessa vida é pelo nosso bem. Pode até ser que no momento em que elas aconteçam, a gente não se dê conta disso, fique triste ou revoltado. Mas, no final, as peças do quebra-cabeça se encaixam e conseguimos ter uma visão mais abrangente.
Hoje, eu enxergo além.

New Kids on the Block

Alguém se lembra dessa boy band? Pois é, acabei de ler no UOL que eles estão planejando uma reunião. Se bem que, a partir do momento em que o caçulinha da turma atingiu seus 35 anos de idade, eles deveriam, no mínimo, repensar o nome da banda. Old Kids on the Block me parece uma alternativa viável... Se bem que, bom senso mesmo eles teriam em não voltar.
Por mais que eu esteja detonando o NKOTB, eu confesso que já fui fã dos rapazes. Enquanto as meninas suspiravam por Joe, Jordan ou Donnie, eu curtia mesmo era o Jonathan Knight. Mais discreto, tímido, mais dentro do que se tornou minha preferência quando passei a ter idade o suficiente para entender o que isso significava.
Depois do New Kids, meu gosto musical mudou radicalmente. A porta foi o Guns n' Roses, que trouxe junto Led Zeppelin, Black Sabbath, The Doors... Foi como começou a segunda parte da minha formação musical.
A primeira, caso você esteja se perguntando, veio do berço, com muito Roberto Carlos, Toquinho, Vinícius de Moraes, Turma do Balão Mágico, Beatles, Orquestra Tabajara, Ray Coniff... Coisas que eu ouvia no berço.... Até ter idade suficiente para escolher o que queria ouvir....
E, por incrível que pareça, tem muito do que eu ouvia no berço que eu escolho ouvir hoje em dia.
Então, é isso. Não tem muito a ver com a complexa arte de ser mulher, mas achei bacana escrever este post. Até porque é sempre divertido ver a cara das pessoas quando eu conto que o Donnie, aquele new kid encrenqueiro que enlouquecia a meninanda, se transformou naquele ser asqueroso que aparece nas primeiras cenas de "O Sexto Sentido". Quem? Aquele doidinho que dá o tiro no psiquiatra vivido por Bruce Willis.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Utopia

Acordo, ligo a televisão. "Bom Dia São Paulo" parece ser a única opção no momento. Por falta de opção, assisto. As notícias são todas de ontem, inclusive os 60 anos da Rua das Noivas, em São Paulo. A matéria mostra uma das obsessões femininas, o tal do casamento. Mulheres que vão se casar daqui seis meses, um ano, se esgoelando por conta de vestidos, limusines e bolos. Como se casamento fosse isso, mas vai fazer o que. Nós vivemos em uma sociedade que acha que a vida é festa.
Casamento nunca foi um assunto que ocupou meus sonhos. Eu não vejo o casamento como festa. A começar pelos preparativos, investir uma grana alta que eu poderia usar para viajar ou montar uma casa... Pra quê? Para passar algumas horas dentro de um vestido que não me deixa respirar, usando sapatos que apertam meus pés e me deixam de mau-humor... Alguém poderia me dizer que é uma maneira de celebrar um momento bacana com meus amigos e parentes. Tuuuuuuuuuuuudo bem. Encontremos, então, uma alternativa em que eu possa usar roupas confortáveis e fique, de preferência, descalça.
Depois entra a história do padre. Outra coisa que me incomoda. Eu não acredito em padres, não vejo sentido em suas celebrações. Acho absurdo o tal do cursinho de noivos, um cara que - pelo menos oficialmente - nunca teve um relacionamento e quer dar lições sobre o assunto para o casal. E a parte do juramento de lealdade? Fala sério. No meu caso, a lealdade começa no momento em que o sentimento começa. E com isso tudo vem o respeito e o amor, tudo em seu devido tempo. Não vem com uma aliança no dedo, mas com tudo o que se cultiva desde o primeiro olhar, o que leva alguns a, um dia, colocar a tal aliança no dedo.
domingo, 27 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Charlie Brown

Eu gosto de assistir a desenhos antigos. Aqueles, que fizeram parte da minha infância. Vez por outra, Caverna do Dragão, Pernalonga, Tom & Jerry, Pica-Pau (aliás, quando chega mensagem no meu celular, o som é o Pica-Pau rindo). E Snoopy. São histórias que fazem com que eu me lembre, por alguns instantes, de que minha vida já foi descomplicada.
Hoje, domingo, tive um destes momentos, assistindo ao Snoopy.
Há algum tempo, Charlie Brown vem demonstrando seus sentimentos por conta de uma tal de menininha ruiva. No outro dia, queria conhecê-la de qualquer maneira, mas era tímido demais. Não bastasse isso, ainda havia o mundo, que parecia conspirar contra ele. E no último dia de aula, tudo deu errado. Até que, de repente, ele descobre um bilhete em suas coisas, que dizia "Charlie Brown, eu gosto de você, assinado Menininha Ruiva". E ele fica completamente feliz.
Hoje, a cena era um jogo de futebol americano. E a menininha ruiva na platéia, coroada como a rainha do baile, que aconteceria naquela noite. Cabe a Charlie Brown o chute decisivo, que fará com que o time ganhe ou perca o jogo. Ele chuta e... erra. Mais tarde, no baile, ele é o acompanhante da Menininha Ruiva e tem de levá-la até a pista de dança e, chegando lá, dar um beijo em seu rosto.
Charlie Brown quase desmaia, mas consegue cumprir sua função. Depois do beijo, fogos de artifício, corações explodindo e o menino aparece em sua cama, acordando do que parece ter sido um sonho. E sai para conversar com o amigo Linus, que o faz lembrar de tudo o que aconteceu no dia anterior. E filosofa sobre como um pequeno gesto pode fazer tudo mudar. Como aquele beijo fez do garoto que foi a decepção do jogo, a alma do baile, já que ele dançou com todas as meninas.
E daí eu me peguei pensando em como este desenho é incrível.
E em como os sentimentos não têm idade.
E em como um segundo é capaz de mudar uma vida.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Mudanças

Não sei se é por conta desta falsa sensação que o começo de um novo ano traz, mas eu estou atravessando um período de mudanças. Pequenas, mas significativas. Uma delas, os leitores do blog já tiveram a chance de perceber: o template de A Complexa Arte de Ser Mulher. Na realidade, eu ainda estou testando para ver se gosto, ainda não sei.
Marcunda, meu amigo-padre (se você não se lembra o que é o amigo-padre, procure o post sobre tipos de amizade masculina, se não me engano publicado em 2006), leitor, escritor e crítico deste blog, foi enfático ontem à noite ao dizer: não gostei. Direito dele.
Ele fez isso em um momento em que estudava como criar templates. E prometeu que, no dia que entendesse aquele idioma que, ao meu ver, é muito mais difícil e com muito mais consoantes do que o alemão, ele faria um novo para mim.
Enquanto isso, eu vou experimentando os templates que encontro on-line.
Até porque, tudo na vida é isso, um experimento, tentativa, erro, acerto. E sem garantia alguma de sucesso. Da mesma forma que a solução de um problema ou a realização de um sonho não exclui a possibilidade do surgimento de um novo problema, um novo sonho. É só o nível do jogo que muda.
E nada é imutável, nada é permanente... O que me faz pensar em cabelo, essa preocupação louca que a mulher - e muitos homens - têm com o cabelo. A natureza foi sábia ao me dar cabelo liso, porque eu seria incapaz de ser dependente da chapinha. Até o secador eu só uso em última instância...
E o cabelo... o cabelo é a primeira vítima de uma mulher quando ela resolve mudar. O meu já foi curtíssimo, curto, médio, longo. Hoje é vermelho. Incrível meus fios ainda não terem sido vítimas dessa minha fase atual... por muito pouco. Eu já acordei várias vezes com aquele instinto assassino de tosar a juba, mas consegui controlar. E quando não conseguir controlar, como em outras vezes em minha vida? Problema nenhum, cabelo cresce. Nada é permanente. Nem mesmo um corte de cabelo ruim.
domingo, 6 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Tuesdays with Morrie

Culturalmente falando, eu tenho três grandes paixões em minha vida: filmes, músicas e livros. É difícil colocá-los em uma ordem de importância, porque isso varia muito de acordo com o momento que estou vivendo. Quando estou envolvida com alguém - na realidade, basta eu estar interessada em um cara, por exemplo - que a música me absorve de maneira quase que inexplicável.
Eu posso suportar muitos defeitos no outro, até porque eu sou cheia de manias e defeitos. Posso até mesmo suportar o fato de ele ter péssimo gosto para filmes e livros. O que eu não posso suportar, no entanto, seria um mau-gosto para música. Já aconteceu de eu me interessar por caras pelo simples fato do gosto musical deles ser compatível com o meu. Não posso dizer o mesmo de seu caráter, uma pena.
Mas, fato é que a música tem andado em segundo plano na minha vida ultimamente. E não foram os filmes que ganharam espaço. Foram os livros.
Sempre gostei de ler, mas nos últimos tempos a minha fome por livros tem me levado a devorar palavras. Hoje, por exemplo, li em uma sentada "A Última Grande Lição", de Mitch Albom (para quem se interessar, a editora é a Sextante).
Eu já conhecia a história porque, em 1999, o livro foi transformado em filme pela HBO, com Jack Lemmon no papel do velho professor Morrie. Aliás, o título original era "Tuesdays With Morrie", porque os encontros entre o velho professor e seu antigo aluno aconteciam sempre às terças-feiras. Lembro de ter assistido o filme e me apaixonado pela trama.
Um velho professor de sociologia contrai uma doença sem cura e, a partir daí, resolve ensinar os outros que a morte faz parte da vida e nunca é tarde para viver. E ele viveu, intesamente, até o último suspiro. Morrie virou personalidade nos EUA, entrevistado por um programa de televisão. Foi aí que Mitch Albom, seu velho aluno, descobriu que o mestre estava morrendo e decidiu visitá-lo. Foi daí que começaram um projeto de discutir o sentido da vida. Morte, casamento, amor, dinheiro, trabalho, perdão... Neste tópico, a mensagem é que precisamos aprender não só a perdoar os outros, mas a perdoar nós mesmos, que talvez seja tão difícil quanto.
Eu, por exemplo, tenho grande dificuldade em perdoar a mim mesma. Aliás, eu exijo demais de mim mesma, o que me torna insuportável a minha existência. Quem diria, hein. E a novidade é que eu não ou a única. Seria capaz de citar tantas pessoas que conheço que não são diferentes...


Morrie me fez lembrar que eu passo tanto tempo sobrevivendo, que me esqueço de viver. E é fácil culpar o sistema por isso, quando eu deveria admitir que sou preguiçosa demais para mudar uma realidade à qual já estou acostumada.
É por isso que de nada adianta fazer listas com resoluções de ano novo.
O que realmente importa é viver. E amar, diria Morrie.
sábado, 5 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Felicidade

Ativista social americana, Rita Mae Brown certa vez disse que "A chave para a felicidade é uma memória ruim". Eu concordo. Mas é apenas umas das chaves.
Então decidi pesquisar o que dizem por aí sobre o assunto. Minha fonte são as citações. Há um site muito bacana para quem gosta destas frases de efeito, o www.quotationspage.com.
E lá estava uma frase que achei interessante, dita por Oscar Levant, alguém que eu não faço idéia de quem tenha sido, que disse que "A felicidade não é algo que você vive, mas algo que você se lembra". Eu discordo, de certa forma, porque quando os momentos são realmente felizes, você tem essa noção no momento em que eles são experimentados.
Nada como aquela história de só valorizar algo depois que já perdemos.
Eu tenho tentado cultivar, quase que diariamente, a capacidade de valorizar cada momento quando ele ainda é presente. Afinal, quem vive de passado é museu.
Outra frase divertida é a de George Bernard Shaw, conhecido escritor. Disse ele que "Uma vida inteira de felicidade! Homem algum poderia aguentar. Seria como o inferno na Terra". Basicamente isso.
Mas, talvez a minha favorita, no final das contas, seja aquela dita por Ernest Hemingway, que dispensa apresentações. "Felicidade em pessoas inteligentes é uma das coisas mais raras que eu conheço". E ele sabia do que estava falando.