quinta-feira, 21 de junho de 2007 | By: Mandi

Confissões de Adolescente

Muito antes de Bridget Jones ou a turma de Sex and The City dar o ar da graça no referencial feminino, aqui mesmo, no Brasil, houve ela. Maria Mariana e suas "Confissões de Adolescente". A minha geração sabe bem do que eu estou falando.
Teve peça de teatro, livro e, alguns anos depois, até série de televisão. O livro foi lançado em 1992. O meu, tá lá a data, eu comprei em 1993. Eu tinha 14 anos. Era incrível como aquelas páginas poderiam dizer tanto para mim. Meu exemplar já está amarelado, mas hoje me deu uma vontade muito grande de ir ao seu encontro.
E lá estava, logo nas primeiras páginas: "Adolescer é coisa tão complicada que a própria palavra vem de doer, de adoecer. Exagero dos romanos, que criaram no seu latim a palavra adolescentia com essa ambigüidade? Nem tanto." Mal eu sabia, do alto dos meus 14 anos que, 14 anos depois, muitos dos sentimentos aos quais eu fui apresentada naquela época, persistiriam até hoje. De maneira diferente. Eu até poderia dizer que a maturidade traz sabedoria e equilíbrio. Mas eu não estaria sendo honesta. Pelo menos hoje não.
A verdade é que na adolescência a gente descobre muita coisa. Mas são só nos momentos extremos que a gente descobre que é humano. E que ser humano está longe de ser perfeito. É quase ser ridículo.
Enfim. Daí eu fiquei folheando o livro, lembrando da minha adolescência. E não foi um período fácil. Imagina, eu gordinha e metida a intelectual, fã de Metallica e Sepultura. A um passo de conhecer o Nirvana e companhia limitada. Com direito a camisa xadrez e tudo. E um coração quebrado, porque fazia parte.
Aí o tempo passou e eu conheci um cara, Leandro. Não me apaixonei à primeira vista. Ele era completamente doido, nos tornamos amigos, fomos ao Monsters of Rock juntos. E, de repente, um dia eu percebi que gostava dele. Mas ele não parecia gostar de mim. Cá entre nós, nem tinha como ele gostar do moleque que eu era.
Uma noite em que a turma combinou de sair junto, coloquei um vestido, até arrisquei um batom. Ele já havia percebido que eu gostava dele. Eu nem me lembro bem o que conversamos naquela noite, mas eu lembro de ter falado algo do tipo: eu não gostaria de olhar para trás e perceber que eu perdi a chance de estar com você, de me arriscar. Porque eu acho que a vida é isso: é risco, para ganhar ou para perder. Eu posso ter perdido outras vezes na vida, mas naquela noite eu ganhei.
Tá certo que, depois eu descobri que ele já estava afim de mim e até tinha pedido ao meu irmão para namorar comigo (os dois eram amigos e nem precisa dizer que Danilão sempre foi ciumento). Acho que foi uma das noites mais bacanas da minha vida.
Namoramos por algum tempo. Era engraçado. Eu não podia ligar para ele durante semana das 20 às 20h30, porque era o horário do Mundo de Beakman. E ele estava proibido de me ligar das 20h30 às 21 horas porque, adivinha, era o horário do Confissões de Adolescente.
Nosso namoro terminou porque o Lê foi morar na Inglaterra. A gente meio que começou sabendo que tinha prazo para terminar (tô começando a achar que o modus operandi se tornou repetitivo, ora o cara parte, ora eu parto).
O Lê é uma das pessoas mais doidas que já passou pela minha vida, e provavelmente uma das quais eu sinto mais falta, apesar das reviravoltas que o mundo dá - e de tudo o que aconteceu depois que ele voltou. Talvez eu conte essa história aqui um dia. Vez por outra ainda nos falamos. É um bom amigo.
Por aqui ficam as minhas confissões de adolescente. E ponto.

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