domingo, 21 de outubro de 2007 | By: Mandi

Um pouco de blá-blá-bla

Esta semana, DV, o editor-chefe do jornal onde trabalho, apareceu com a edição de outubro da revista Brasileiros. Eu já tinha a de setembro, que ele havia me recomendado, e que ainda estou lendo... e ele contando sobre a matéria com o Macaco Simão... Daí levei a revista para casa...
Isso foi na quarta-feira, um dia em que eu acordei péssima e que tudo no meu dia foi péssimo. Dormi mal, tive pesadelos, acordei triste e nada dava certo ao longo do dia. E eis que o celular toca, enquanto estou na fila de uma loja, na hora do almoço... Era o Marcunda. Que, de repente, teve um estalo de ligar para mim (amigos super-heróis são o máximo)...
- E aí, tudo bem?
- Tudo
- Mesmo?
- Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao. Eu tô péssima, meu dia tá péssimo, tá tudo errado...
- Você tá na TPM, não tá?
- Tôoooooooooooooooo.
- Ah, então tá bom. Pensa que é só uma semaninha e logo vai melhorar...
- Táaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.
E depois desse desabafo, a conversa seguiu... basicamente, a história que se seguiu é o momento em que nós dois nos encontramos em nossas vidas. Bastante parecidos, apesar do intervalo com o qual as coisas acontecem...
Foi-se um momento em minha vida em que eu decidi ligar o botão do foda-se e seguir em frente. Era a coisa mais sensata a se fazer, ir para frente sem olhar para trás. Mas chega uma hora em que a gente precisa tirar o pé do acelerador, porque acredita que já é seguro o bastante.
Sabe aquela frase clássica de filmes americanos, you can run but you can't never hide. Você pode correr, mas não pode se esconder. É a mais pura verdade. Corri tanto que não tive tempo de me esconder. E nem poderia.
E foi aí que eu precisei parar para pensar. E optei por um período de recolhimento. Colocar as idéias no lugar. Arrumar meus armários, organizar minhas roupas, minhas gavetas, meus livros... Ter a falsa sensação de que isso pode, de alguma maneira, se refletir em mim, em minha vida...
Se por um lado eu preciso me desculpar aos meus amigos por minha ausência, por outro eu espero que eles compreendam que eu tenho muito pouco a oferecer neste momento... Um copo meio cheio, um copo meio vazio... o ponto de vista varia com o meu humor naquele dia...
Daí que não é só TPM, como acertou o Marcunda... é mais do que isso... mas também vai passar, eu sei.
E onde entra a revista Brasileiros que o DV me deu nisso tudo? Além de ter animado a minha quarta-feira, logo depois da matéria com o Macaco Simão - que foi incrível, em especial pelas lições que dele aprendi - tem uma entrevista com Hector Babenco.
Ele está lançando um filme chamado "O Passado". E, em um dado momento, declara: "As pessoas são hoje o acúmulo silencioso do que foram um dia".
E hoje, isso é tudo.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007 | By: Mandi

A parte triste

Na vida real, vilões e mocinhos são bem diferentes daqueles das histórias, das fábulas encantadas. Nas fábulas, o bem sempre vence o mal. Você não tem medo de continuar lendo a história, porque lá no fundo, sabe que vai haver um final feliz. Que bom contador de histórias seria cruel o suficiente com seus fiéis leitores para decepcioná-los com um desfecho infeliz?
E os vilões são punidos.
A madrasta perde tudo. O bruxo vira rato. A bruxa morre. Capitão Gancho passa a vida fugindo do crocodilo Tic-Tac... Na vida real, tic-tac... O tempo passa rápido, e às vezes a gente nem percebe. Quando olhamos no calendário, vemos que o tempo passou e é quase um novo ano.
Na vida real, os mocinhos geralmente são chatos, são seus amigos e você sabe que nunca vai se apaixonar por eles. Ou até acontece de você se apaixonar. Mas daí... no momento em que você se apaixona, o mocinho se transforma em vilão. E os vilões são os mais difíceis de esquecer.
Porque o vazio que eles deixam ocupa tanto espaço.
Porque mesmo que vocês não se falem há tanto tempo, dói pensar que ele até sabia que era seu aniversário, e mesmo assim optou por ignorar a data, até porque não significa nada para ele e aquela história de ser amigos era mentira.
Porque, na vida real, quase todo mundo mente. Menos aquela meia dúzia de bestas quadradas, você inclusa, que ainda acreditam que vale a pena ter caráter, que vale a pena ser fiel ao que pensam ser certo. Mas, pense bem... você também mentiu, dizendo que não se importava mais...
Na vida real, vale mais proteger a si mesmo do que ter um ato heróico em nome do outro. Na vida real, bem e mal são coisas relativas. E os vilões seguem com a sua vida, enquanto você se esforça para olhar para frente.
E se alguém um dia perguntar, é verdade, sim. Por mais que eu tente arrancar você de minha existência, é fato. Você ainda é a parte mais triste de mim.
terça-feira, 2 de outubro de 2007 | By: Mandi

A merda e o adubo

Certa vez, meu tio Newton me enviou um texto escrito por um amigo dele, um professor universitário de Blumenau chamado Jacob Kein. Basicamente, o texto explicava a diferença entre a merda e o adubo. A partir do momento em que você aceita quando fazem da sua vida uma merda e se conforma com isso, você vai passar a vida fedendo e atraindo coisas negativas. Em um outro momento, se você consegue transformar a merda em adubo, você se torna capaz de participar da formação de flores cheirosas e frutas saborosas.
Ou seja, como disse Jacob Kein, a diferença entre a merda e o adubo não está na consistência, mas no local onde está depositada: no meio do caminho, é merda, em um canteiro de flores ou pomar, é adubo. "Cabe a você decidir sobre seu destino independente do que fizeram de ti", diz ele, encerrando o texto.
Acredito que este professor seja um homem extremamente espirituoso, para dizer o mínimo, e com um olhar característico dos sábios.
Estes dias, perto de completar 29 anos (quase 30), tenho olhado para trás e avaliado quantas vezes minha vida foi uma merda, e quantas vezes eu fui capaz de transformar esta merda em adubo. Foram algumas.
Mas, a verdade é que quando a gente está se afogando em um mar de merda, dificilmente a gente enxerga as flores e os frutos que podem resultar disso tudo lá na frente. E o adubo é só uma das coisas. É preciso plantar, é preciso cuidar, é preciso ter paciência para esperar o tempo passar e ver aquela flor crescer, aquela árvore dar fruto. É uma merda, eu sei.
Mas a lição que fica, no final das contas, é que a merda é fundamental para que possamos ter o adubo. E eu sou agradecida a cada momento pelo qual passei, achando que aquilo não tinha jeito e que não existia critério para a justiça divina. Porque, quando olhei para o lado, sabia que tinha amigos. Quando olhei para trás, sabia que tinha uma história, que tinha experiência. E quando olhei para frente, percebi que tudo aquilo tinha me dado amadurecimento o suficiente para não repetir meus erros e seguir adiante.
Hoje tenho me esforçado para transformar a merda em adubo. Aí vou lá, planto um limoeiro e, como diz a minha amiga Pestaninha, uso o limão para fazer uma bela caipirinha.
Tá certo às vezes demora um pouco, ou que nem sempre é possível.
Mas só de saber que essa merda toda pode ser útil um dia, eu já me dou por satisfeita.
Merda a todos! Ou melhor, adubo a todos.