Partiu. Partiu como muitos de nós, jornalistas, gostaria de partir. Escrevendo.
Chegou a notícia agora há pouco, aqui na redação. Roberto Monteiro, o Bob para todos nós, apaixonados por ele.
Estranho olhar aqui para a redação, que agora tem outra cara, uma cara muito diferente de quando entrei aqui pela primeira vez. Me lembro dele sentado, lá no canto, onde gostava de trabalhar todas as manhãs. Lembro de todas as vezes em que conversamos, das histórias que me contou, das lições que ensinou.
O corpo já estava cansado há muito tempo, mas ele continuava escrevendo, ainda que fosse em casa, e não aqui. Os velhos olhos azuis, sempre tão atentos, sempre tão doces, não nos reconhecia mais. Era o tempo. Esse tempo que passa, tanto para o bem, quanto para o mal.
Me incomoda quando as pessoas dizem que alguma coisa vai passar, quando na verdade só o tempo é que passa de verdade. A saudade, por exemplo, não passa. Só se faz crescer.
As lembranças também não passam.
Eu queria escrever um texto melhor, contando o que eu sabia sobre esse velho jornalista. Não o que ele foi para o mundo. Eu seria incapaz de medir a dimensão disso tudo. Seria incapaz de dizer tudo o que ele foi para mim. O que ele me ensinou. Lições valiosas de humildade numa profissão em que é tão fácil se perder pelo ego.
O aviso, logo no começo. "Minha filha, jornalismo é vocação. Você abre mão de todo o resto, em nome dele". Ou ainda: "Há duas escolhas que podemos fazer na vida: ou você escolhe ser rico, ou você escolhe ser jornalista. Não dá para fazer ambos".
Bob era como um avô, para mim. Cheio de histórias para contar, de sabedoria para dividir. Nunca negou uma boa conversa.
Bob viveu na minha vida dez anos. Tão pouco, olhando agora.
Mas, vai ver é isso. A lição final do velho jornalista é que a vida é efêmera.
Esteja bem, Bob. Onde estiver.
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Amanda de Almeida. Tecnologia do Blogger.
A FRASE
"Eu sou a favor de manter armas perigosas longe das mãos dos tolos. Vamos começar com as máquinas de escrever"
Frank Lloyd Wright
Frank Lloyd Wright
É preciso ser uma mulher para estar disposta a entender a complexa arte de ser mulher. Eu disse disposta a entender, não simplesmente entender. Ser mulher, no sentido amplo ou específico da palavra, é estar pronta para fazer de sua vida uma arte. É saber que você sempre estará sozinha, ainda que esteja acompanhada. E que você nunca está sozinha, de verdade. A vida é cheia de complexidades. Mas apenas uma mulher é capaz de tornar as complexidades de sua vida uma arte.
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2 observações:
Belo texto.
Belo texto como merecia o Bob.
Hoje fui ao velório. Rezei por ele.
O rosto dele estava sereno, parecia até que estava com aquele sorriso de canto da boca, que ele insistia em dar toda vez que eu tocava a campainha da sua casa para pegar os seus textos.
E daí na conversa de portão sempre tinha um bom papo. Agradável.
Encontrar com o Bob era o melhor momento do dia. O seu Oscar que o diga...
Monte, deixo registrada minha admiração por ti. Não só pelo seu trabalho, que pouco acompanhei, mas sim pela simplicidade e carinho com que levava a vida.
Que Deus o abençoe onde ele estiver...Comcerteza cumpriu a sua missão, e muito bem por sinal.
Uma grande perda para Mogi, mas fazero que?
O maldito tempo nos tira tudo o que é perecível....
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