sábado, 30 de julho de 2011 | By: Mandi

Educação


Sara Arranz. Se alguém um dia me perguntasse qual professora marcou de maneira mais profunda a minha vida, esta seria a resposta. E olha que lá se vão mais de 25 anos que eu frequentei sua sala de aula, na época lá no Polinho. Depois dela, tive muitas professoras, algumas muito queridas, mas ninguém como ela.

Quem já foi aluno da Sara certamente deve guardar por ela o mesmo carinho que eu guardo. Tente imaginar uma professora que sabia ser firme e ao mesmo tempo doce com seus alunos. Atenciosa, carinhosa, prestativa. Tudo bem que ela foi minha professora na pré-escola, mas ela foi determinante para que eu me sentisse à vontade no ambiente escolar que, confesso, durante muito tempo não foi o meu favorito.

Depois da Sara, foi a vez da dona Florinda, na 1a. série. Seria impossível calcular quantas pessoas dona Florinda alfabetizou. E como ela era brava, meu Deus. Ou não, talvez eu é que fosse uma praguinha… 

Bem, mais ou menos. Digamos que eu era metida a esperta, porque sempre fui estimulada a aprender em casa, já chegando alfabetizada na escola. Daí, já viu, aprendia muito rápido e usava o restante do tempo para azucrinar com os outros.

Na segunda série foi a Maria Aparecida. Outro dia nos encontramos e ela me reconheceu, o que me deixou muito feliz. Minha mãe era professora e nem sempre reconhecia os alunos que a cumprimentavam com a velha pergunta “professora, lembra de mim?”

Foi na terceira série que as coisas começaram a se complicar. Em vez de uma professora para tomar conta da classe, eram duas. Dona Marlene era tudo de bom. Já havia sido professora do meu irmão e era um doce. A outra, dona Hosana… bem, nós nunca nos entendemos. A bronca era recíproca, mas eu sempre a respeitei. Respeito dentro e fora da sala de aula ou em qualquer momento/situação da vida é essencial.

Célia e dona Esther, esta última irmã da dona Florinda, foram as professoras da quarta série. Da quinta série em diante comecei a ter vários professores, um para cada matéria. Dona Manna, de Educação Moral e Cívica, Maria Inês, de matemática, Márcia, de inglês, Cidinha (mãe do cantor Mateus Sartori), de Educação Artística… É impossível citar todas.

O mais importante é que, desde a Sara até os professores da pós-graducação e dos cursos paralelos que fiz, cada um contribuiu de alguma forma para o que eu sou hoje. Assim como aquelas pessoas que não são professores por ofício, mas que sempre estiveram dispostos a me ensinar algo novo.

Tente imaginar, então, quem foi o professor que marcou a sua vida. De que maneira ele contribuiu para a sua formação, não só acadêmica, mas também como ser humano. Agora, pense como o professor é ridiculamente desvalorizado em nossa sociedade. Como o salário que ele recebe transforma um dos ofícios mais dignos e importantes do mundo em um trabalho de quinta categoria.
Absurdo, não?

Outro dia, quando os parlamentares aprovaram o aumento absurdo e abusivo de seus salários, ouvi o jornalista Chico Pinheiro comentar que o maior salário do Brasil deveria ser o do professor. E mais, que nenhum político pudesse ganhar mais do que um professor.

Sem contar que é uma carreira que deve estar com um défict de profissionais, já que o Ministério da Educação está fazendo propagandas dizendo que o professor é o profissional mais importante para o desenvolvimento de uma nação. Eu concordo, mas pergunto: se o professor é o profissional mais importante para o desenvolvimento de uma nação, então porque seu salário é tão ridículo?


Vida longa ao Rei

Quem acompanha este espaço provavelmente sabe que música é uma de minhas grandes paixões. Beatles, em especial. Mas hoje não pretendo falar sobre os quatro rapazes de Liverpool. Na verdade, este texto é dedicado a outro grande artista que também faz parte de minha formação musical: Roberto Carlos. E à minha mãe, responsável pela presença dele em minha vida e provavelmente uma das maiores fãs do Rei que eu conheço (e, acredite, já conheci muitos).

O texto abaixo foi escrito no dia 19 de abril, data em que Roberto Carlos completou 70 anos. As palavras abaixo são fruto de coisas que eu observei em algumas redes sociais ao longo daquele dia. Entre pessoas que amam ou não Robertão.


Sendo filha de uma fã fiel de Roberto Carlos (outro dia até sonhei que estava conversando com ele e consegui apresentar minha mãe a seu ídolo, pode?!), posso dizer o seguinte: se você não gosta de Roberto Carlos, é porque não conhece a obra dele suficientemente bem para emitir opinião. Ou não entende nada de música.

Não é preciso ser fã, como a minha mãe, por exemplo. Basta se despir dos preconceitos e evitar 90% das coisas que ele fez dos anos 80 em diante (porque, realmente, tem muita coisa que teria sido melhor se Robertão não tivesse tornado público). As fãs que cresceram, amadureceram e estão envelhecendo com ele, entretanto, não veem problemas nas canções desprovidas de inspiração. Basta que sejam do Rei. Então, vamos a ele...

"Roberto Carlos hoje completa 70 anos. Ele é o ídolo da minha mãe, que reina único em seu coração. Ano passado, ele completou 50 anos de carreira. Eu ainda vou fazer 33 anos. Ou seja, ele está na vida de dona Fátima há muito mais tempo do que eu. Não que eu queira comparar o amor que ela nos dedica, nada disso. Na verdade, o que eu quero dizer é que, pelo bem ou pelo mal, ele também sempre esteve presente em minha vida.

Sou capaz de cantar todas as suas músicas. Algumas, eu adoro. Outras, eu odeio. Mas a verdade é que eu posso amar ou odiar porque eu conheço cada uma delas o suficiente para isso. Daí vem o fato de eu ficar muito brava quando alguém começa a meter o pau no cara por ignorância ou pura birra.

Sou eu quem acorda, todo domingo de manhã, com a voz do Roberto Carlos vindo da cozinha. É ele quem tem feito companhia para a minha mãe diariamente, nos últimos 50 anos. Foi ele que a ajudou a superar momentos ruins. Foi ele quem embalou os momentos mais felizes da vida dela. E, se pararmos para pensar, minha mãe não é a única. Quantos homens e mulheres por aí são fiéis a este artista pelos mesmos motivos que ela?

Eu passei a minha infância, adolescência e vida adulta ouvindo suas músicas. Quando eu era criança, e a gente viajava para Minas, era daqui até lá com 10 fitas do Robertão para apenas uma das crianças (com Balão Mágico e cia). Na adolescência, não podia nem ouvir o nome de Roberto Carlos. Depois de adulta, reconheci a importância dele na música brasileira e fiz as pazes com a sua obra.

Não gosto de todas as suas músicas. Mas as que eu gosto, eu gosto de verdade. Não da mesma maneira como a minha mãe gosta, é claro. E ainda sou capaz de apostar: duvido que da minha geração em diante exista fãs tão fiéis e apaixonados por um artista como os fãs de Roberto Carlos são por ele.

Hoje em dia, tudo é muito descartável. E, como diriam Lennon & McCartney, "And in the end the love you take is equal to the love you make" (O amor que você leva é igual ao amor que você dá). Long live the king! Vida longa ao rei!

Tec, tec, tec


Dia desses, navegando pela internet, me deparei com uma matéria muito interessante no jornal norte-americano “The New York Times”: as pessoas estão redescobrindo as máquinas de escrever. Obviamente que eles estavam se referindo aos cidadãos norte-americanos. É impossível negar, entretanto, que as teclas, tão comuns em nossas vidas, estão cada vez mais próximas do fim. Mas, vamos por partes.

Quando eu fiz 14 anos, estava louca para começar a trabalhar e começar a ganhar meu próprio dinheiro. Meu avô, então, fez a oferta: vá estudar datilografia que você poderá trabalhar comigo. Era 1993 e eu fui.

Na época, estudei no Guarani, que ficava em uma casa antiga – que hoje não existe mais – em frente à Telefonica, no Centro de Mogi. Nós começavamos com uma máquina de escrever antiga, daquelas pretas, de “mil novecentos e bolinha”. Conforme nossa técnica ia evoluindo, as máquinas que usávamos também melhoravam.

Nunca explicaram porque usávamos as máquinas mais antigas antes. Aos 14 anos, eu também não me preocupei em perguntar. Hoje, acredito que seja porque as máquinas mais antigas eram mais duras e pesadas, enquanto as mais novas eram mais sensíveis e leves. A evolução técnica não incluia somente o conhecimento do teclado e a rapidez, mas também a força com a qual batiamos no teclado.

Eu ficava tão entediada que, depois de um tempo, comecei a levar música escondido. Colocava o fone de ouvido escondido embaixo da roupa, cobria as orelhas com o cabelo e pronto, botava Ramones para tocar. Acredite ou não, eu datilografava de maneira muito mais rápida e cadenciada com a música.

Hoje em dia, entretanto, é difícil encontrar quem ainda aprende datilografia em máquinas de escrever. No século 21, as pessoas aprendem digitação em teclados de computadores. Quando aprendem de maneira tradicional, pois os computadores são cada vez mais comuns nas vidas das pessoas e o tec-tec no teclado passa a ser intuitivo. Ou, como muita gente gosta de definir sua habilidade, coisa de quem está “catando milho”.

Ter estudado datilografia foi uma das melhores coisas que fiz na vida. É um aprendizado que uso diariamente, na minha vida e no meu trabalho. Ganho muito tempo quando meus dedos no teclado conseguem acompanhar o meu pensamento.

E ainda há o teclado. Em breve, entretanto, não haverá mais teclado da maneira como conhecemos. O teclado caminha a passos largos em direção ao mundo virtual. Isso já acontece em telefones celulares, com touch screen. Você toca na tela para escolher o que quer fazer, para discar números… O que dizer, então, dos tablets como o iPad, que está a caminho de substituir até mesmo os computadores. Não agora, mas em breve.

Tudo tão distante daquele charmoso telefone instalado na sorveteria e doceria Santa Helena. Aquele, antigo, que parece uma carinha feliz. E o telefone de disco? Ninguém mais disca os números, todo mundo digita.

É assim que o mundo evolui. Quem acompanha esta evolução, fica maravilhado com este “admirável mundo novo”, ao mesmo tempo em que não consegue evitar as saudades do que já foi um dia.
A tecnologia é sensacional, especialmente quando conseguimos explorar todas as suas possibilidades. Ou pelo menos tentar. O tec tec tec do teclado, entretanto, sempre terá o seu charme. 
quarta-feira, 27 de julho de 2011 | By: Mandi

A Bruxinha Gigi


Era uma sexta-feira à tarde. A mãe tentava controlar a curiosidade da filha, que estava em pé sobre o banco do trem. Queria ver as pessoas que passavam do lado de fora. Agitação típica de quem ainda está descobrindo o mundo.
“Filha, deixa a moça sentar”, disse a mãe. A menina olhou para mim, sem interesse, e puxada pelo braço materno, sentou-se. Eu sorri e me sentei,  feliz por ter encontrado um lugar no trem cheio. Coloquei o fone de ouvido para ouvir música e percebi que, com isso, me tornei foco de atenção da garota.
Poucas estações depois, lá estava ela, em pé sobre o banco novamente. Quase em cima de mim. A mãe, sem graça, ralhou com ela. “Filha, olha a moça. Você está atrapalhando ela”. Minha deixa para tirar o fone de ouvido e responder: “Não tem problema, não”. Olhei para a menina e perguntei: “Como é seu nome, mocinha?”
Não houve resposta, só um olhar do tipo “minha-mãe-falou-para-eu-não-conversar-com-gente-estranha”. A mãe, por sua vez, foi solidária a mim e sussurrou: “Giovana, você não vai falar o seu nome para a moça?!”. Nada. Só uma negativa tímida com a cabeça.
“Giovana é o seu nome? Que bonito, parece nome de princesa. Por um acaso você é uma princesa, Giovana?”. Outra negativa com a cabeça. Alguns segundos pensando e... “Não, eu sou uma bruxinha. Igualzinha a bruxinha Lili”. Sorri, um pouco sem entender, desatualizada dos novos clássicos infantis.
A mãe veio em meu auxílio: “A Giovana se encantou por um filme, A Bruxinha e o Dragão", por causa desta personagem, a bruxinha Lili. Porque, na verdade, a Lili não é uma bruxinha, mas sim uma fada”. Achei o máximo. Foi a primeira menina que conheci que preferia ser uma bruxinha com alma de fada a uma princesa.
“Aha... Então você é uma bruxinha? Que legal!”, eu disse nos últimos segundos de atenção que ela me deu, até se concentrar em um biscoito Passatempo que sua mãe oferecia. “Quer, moça?”, ofereceu a mãe, simpática. “Não, obrigada”.
A mãe de Giovana me contou que a filha acabara de fazer três anos. É uma leonina determinada, que apesar da pouca idade, já surpreende os pais com seu gênio forte transformado em respostas inesperadas. Como no seu aniversário, quando o pai insistia em filmá-la enquanto ela brincava. “Papai, não me filma porque agora eu quero brincar”.
Achei graça. A mãe desabafou: “Fomos para São Paulo para a Giovana ir ao médico, lá no Ibirapuera. Por conta de 15 minutos de atraso, o médico foi embora. Dia perdido”, lamentou.
Enquanto ela me contava isso, eu pensava com os meus botões na situação caótica do serviço de saúde no Brasil. Em como 15 minutos de atraso em São Paulo era pouco, se comparado com a dificuldade de uma mãe circular com uma criança de três anos pelo trem, metrô, ônibus, a pé... Que há médicos que consideram sua função como um outro trabalho qualquer, não um serviço essencial. Fiquei com raiva do médico que deixou a pequena Giovana na mão, torcendo para que ela usasse seus poderes de bruxinha-fada para puní-lo.
“Mas está tudo bem com ela?”, perguntei. “Tá, tem que estar, né?!”, me respondeu a mãe, desanimada. A estação delas chegou, Giovana já pulava no corredor do trem, com sua Passatempo meio mastigada na boca. “Vamos, filha. Chegamos. Você não vai dar tchau para a moça? Manda um beijo para ela”, dizia a mãe, enquanto se levantava.
Naquele ponto, eu já sabia que Giovana só fazia o que queria.
Giovana se aproximou de mim, me abraçou e me beijou. Um beijo cheio de farelos de Passatempo, é verdade. Mas foi o jeito dela de selar nossa amizade.
terça-feira, 26 de julho de 2011 | By: Mandi

Coisas da infância



Dia desses, no supermercado, lá estava ele. Em uma gôndola, o achocolatado mais legal (e gostoso) que a minha geração já conheceu. Brown Cow não era um simples achocolatado, era uma daquelas coisas que, de tão gostosas, era preciso se comportar muito bem para merecer que sua mãe comprasse. Diferente dos demais produtos, ele era líquido, parecendo uma calda. Tudo em que a gente colocasse, ficava bom. Era tão bom que até puro era uma delícia.

Com o tempo, o achocolatado sumiu das prateleiras e de nossas vidas. E agora está de volta (como o próprio rótulo diz). O susto ao reencontrar este velho companheiro de infância foi tão grande, que tirei uma foto com o meu celular e postei na internet. Imagine só o paradoxo: a tecnologia do celular 3G diante de um achocolatado dos anos 80.

Por alguns segundos, fiquei olhando a embalagem tendo de tomar uma difícil decisão: pegar um e trazer para casa, em uma tentativa de reviver o sabor da infância ou deixá-lo ali, na gôndola, preservando a memória do que foi um dia. Fiquei com a segunda opção.

Lá no fundo eu sabia que o sabor não seria o mesmo. Pelo menos não para mim. Misturar o achocolatado ao leite não iria trazer de volta as férias de julho em que meus primos vinham de Bragança Paulista para ficar na casa da minha avó, que comprava várias coisas gostosas para o café. E como a gente brincava (e brigava), e dava risada e se divertia demais com as fitas de vídeo alugadas na Livroeton.

Na internet, não demorou muito para que os amigos fizessem seus comentários. Todos reagiram da mesma maneira diante do retorno do achocolatado: encantados. Aqueles que compraram, se dividiram entre os que achavam que o sabor era o mesmo da infância e aqueles que achavam que não era mais a mesma coisa.

Não sentir o mesmo sabor que ficou guardado na memória é perfeitamente compreensível. É incrível essa capacidade que temos de lembrarmos das coisas de uma maneira melhor do que realmente eram. Especialmente se as lembranças vêm da infância.

As pesssoas sempre acham que a sua infância foi melhor que a dos outros. Especialmente se estes outros são de gerações diferentes. Os adultos sempre dizem que as crianças de hoje em dia não estão tendo infância, porque todos os brinquedos são eletrônicos, eles não têm a oportunidade de brincar na rua, a violência é muito grande…

Pode ser que eles não tenham a oportunidade de fazer o que nós, adultos, fizemos na nossa infância. Tudo bem. Eles estão vivendo a infância deles, com o que essa época oferece de bacana. E tem muita coisa legal. Só é diferente.

Brincar é aprender, é reproduzir comportamentos que as crianças veem os adultos tendo. É prepará-los para o futuro. Houve uma época em que brincávamos de escolinha, escritório, casinha. O brincar de hoje em dia prepara as crianças para um futuro repleto de tecnologia.

As lembranças deles certamente serão muito diferentes das nossas. Assim como as nossas são diferentes das de nossos pais e avós. E, por mais diferentes que sejam as lembranças da infância de cada geração, uma coisa todos nós temos em comum: aquela saudade danada de um tempo em que as coisas pareciam mais simples, gostosas e legais.  
sexta-feira, 15 de julho de 2011 | By: Mandi

Dia do Homem



Já vou dizendo, logo de cara: sou contra. Sou contra o dia do homem tanto quanto sou contra o dia da mulher. E vou logo explicando: estas datas são tão exploradas pela mídia e pelo comércio que perderam a razão de ser. Então, eu pergunto: você sabe por que 15 de julho é dia do homem? Eu não sabia, então fui atrás para tentar descobrir. Achei no site d'O Boticário.

Segundo o texto, a data foi sugerida/criada pelo ex-presidente da antiga União Soviética, Mikhail Gorbachev, com o apoio da Organização das Nações Unidas. A meta real deste dia é muito digna: conscientizar os homens sobre como é importante que eles se cuidem, principalmente em termos de saúde. 

Segundo o Ministério da Saúde, do total de mortes na faixa etária entre os 20 e 59 anos, 68% são homens. Já de acordo com o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro é de 68,9 anos - 7,6 anos a menos do que da brasileira. Por quê? Porque o homem não se cuida, não vai ao médico... Alguém aí já viu um homem doente e se perguntou onde estaria o tal sexo forte?

E o exame de próstata, então? O Instituto Nacional do Câncer indica que o câncer de próstata é a segunda causa de morte por câncer entre os homens no Brasil (o primeiro é o de pulmão), com cerca de   52 mil novos casos por ano. Isso é o que foi diagnosticado, já que muitos homens evitam o exame de toque retal por pura ignorância e machismo. 

Agora eu pergunto: será que eles acham que a gente gosta de ir ao ginecologista? Se pensam que sim, já vou dizendo: não. Só que a gente tem de ir a vida inteira, enquanto eles só precisam fazer o exame de próstata depois dos 50 anos.

Todo dia 8 de março, os homens reclamam da injustiça de existir um dia da mulher, mas não do homem. Bem, existe um dia do homem há mais de 10 anos. Daí, os homens reclamam que é injusto haver um dia do homem porque, assim como no dia dos pais, são eles que pagam a conta (eu juro que vi esse comentário no Facebook). Me contive para não perguntar se a mulher dele não trabalha, porque, afinal, a maioria de nós trabalha e paga suas próprias contas. 

Ou seja: eles sempre vão reclamar. Não todos, mas muitos. Pior: ainda se acham os principais provedores da família, por mais que as mulheres trabalhem, seja nas tarefas domésticas, que são importantes para manter uma casa funcionando, seja no mercado profissional, onde a maioria ainda tem salários menores que dos homens, desempenhando as mesmas funções, muitos homens ainda não se tocaram de que o mundo mudou.

Sou contra qualquer tipo de vitimização, seja masculina ou feminina. Vitimização é coisa de pessoas fracas, independentemente do gênero.

Ainda bem que há homens que não compactuam com este tipo de ignorância. Homens, não moleques. A eles, sim: feliz dia do homem.

segunda-feira, 11 de julho de 2011 | By: Mandi

Genética, benção ou maldição?

Toda vez que a gente se olha no espelho, tem essa dúvida: seria a genética uma benção ou uma maldição? Depende do que chamar a sua atenção primeiro ou por mais tempo.

Sempre que me olho no espelho, agradeço a genética por ser alta e ter o cabelo liso - o que pode ser tanto bom quanto ruim, depende da ocasião. Mas para por aí... logo começo a amaldiçoar a genética que me deu essa tendência a acumular gordura, por mais que eu emagreça.

Mas, hoje em dia, só tem uma coisa que me incomoda mais do que os quilos a mais - que eu já estou cuidando de eliminar, com muita força de vontade para ter passado a noite de quinta-feira ao lado de um chocolate e não ter aberto ele...

A maldita genética é responsável pelos cabelos brancos, que começaram a brotar em minha cabeça quando eu tinha apenas 18 anos e agora, aos 32, estão cada vez mais insistentes. Eu passei os últimos dois anos e meio tentando voltar à cor original do meu cabelo, depois de uma fase ruiva de farmácia. Se eu consegui? Claro!

O problema é que, agora, com os fios brancos, eu vou ter que voltar a pintar. A péssima notícia para mim é que não existe tintura da cor do meu cabelo... Vou ter de me conformar com o que tem. E esse é só o começo.
sexta-feira, 8 de julho de 2011 | By: Mandi

Sorte do dia



Alguém aí lê horóscopo?

Eu lia, quando era adolescente. Como diria Sheldon Cooper, do "The Big Bang Theory", eu costumava ser uma daquelas pessoas que compartilhava o delírio coletivo de que planetas e estrelas teriam alguma influência em minha vida, em meu destino. Foi assim até eu começar a trabalhar em um jornal e descobrir como os horóscopos são feitos. Ou, pelo menos, o que alguns meios de comunicação fazem...

A verdade é que é tudo uma grande besteira.

Eu não sei dizer se existe algum tipo de comprovação científica ou é apenas uma grande coincidência o fato de eu ser libriana e ter grandes dificuldades de tomar decisões. Será que a gente desenvolve nossa personalidade de acordo com o que a gente ouve dizer sobre o nosso signo, ou só conseguimos enxergar no outro as características relativas ao signo dele, ignorando todas as outras? Loucura, não?!

E aquele negócio de atração astral, então? É, realmente, sua vida amorosa será determinada pelo forma como seus signos combinam. Vamos ver: se eu combinasse o meu signo com os de dois de meus ex-namorados - relações que duraram 3 e 7 meses respectivamente, temos 100% e 75% de afinidade na relação. Já o meu namorado, com quem estou há quase 4 anos, temos só 44% de afinidade.

Meu ponto? O mesmo de sempre: não importa o seu signo ou o do seu namorado(a). O que importa é se vocês conseguem se levantar e seguir em frente a cada queda, a cada obstáculo no caminho. E são muitos obstáculos, que nem os astros são capazes de prever.

No final das contas, é isso que importa. Isso e mais um monte de coisas que a gente só entende vivenciando o dia a dia de uma relação.