quinta-feira, 27 de dezembro de 2007 | By: Mandi

Je Souvien

Quando fui ao Canadá, as placas dos carros em Quebec traziam isso escrito logo abaixo das letras e números. Quer dizer "eu me lembro".
Há tanta coisa que eu me lembro. Nesta época do ano não é diferente. Aliás, eu gosto de colecionar lembranças. Razão pela qual eu guardo rolhas de vinhos.
Tudo começou quando fui para o Sul do Brasil, em fevereiro de 2005.
Por alguma razão doida, eu queria de toda forma ir a uma fábrica de vidros, destas artesanais. Acho fascinante esta arte de dar forma ao vidro por meio do calor e do sopro. Não consegui, mas em uma feira em Bento Gonçalves havia alguns artesãos fazendo vidro e eu comprei um. É um formato estranho, pesadão, que encontrou sua função naquela mesma viagem: depósito de lembranças em forma de rolhas. Desde então, todo vinho que eu bebo, se eu tenho a chance, eu guardo a rolha. Nela escrevo a data, o lugar e quem estava presente.
Não tenho tantas rolhas assim.
Mesmo que uma ou outra traga uma recordação que um dia foi boa e hoje me é indiferente, estão todas ali. Aquela do jantar de despedida de minha família americana, um dia antes de eu voltar ao Brasil. Eles foram gentis o suficiente para me levarem no mesmo restaurante onde almoçamos em meu primeiro dia em Providence. Um restaurante italiano em Federal Hill.
Ou de um jantar bacana em uma cantina em Sampa.
Tem a rolha do champagne - que não é champagne, porque champagne de verdade é somente aquele produzido na região de mesmo nome, na França, como meu tio Newton sempre gosta de lembrar - na verdade, do vinho frisante - que comprei para comemorar o plantão de Natal na última segunda-feira, com o pessoal do jornal.
Neste Natal, guardei mais algumas. Junto com as lembranças dos momentos compartilhados com minha família, que dentre todos os que guardo, são os mais preciosos para mim.

Je souvien.
terça-feira, 25 de dezembro de 2007 | By: Mandi

O amor e o poder

Eu tenho uma teoria.
Mais uma entre milhares delas, que borbulham a minha mente.
Eu já expliquei esta teoria para várias amigas, não sei se elas chegam a concordar comigo, mas é uma questão de observação. Homens criados por mulheres fortes não têm medo de mulheres fortes. Homens criados por mulheres submissas, sim.
Pense bem, leitor, leitora. Eu acho um absurdo quando um homem diz que o que mais o atrai em uma mulher é a inteligência. O Orkut está cheio destes casos. Porque, na maioria dos casos, é a mais pura mentira. Talvez a primeira de uma série.
De acordo com a minha teoria, um cara que foi criado por uma mulher independente, que trabalhou a vida inteira, não terá problemas em se relacionar com outras mulheres independentes, inteligentes e seguras. Porque ele simplesmente já está acostumado com isso. Para ele, é normal que uma mulher trabalhe, tenha seu próprio dinheiro e cuide de sua própria vida.
No caso de homens criados por mulheres submissas ou donas de casa - mulheres que trabalham pacas, mas que não são devidamente reconhecidas e que, infelizmente, dependem do dinheiro do marido para administrar a casa -, uma mulher independente torna-se terreno desconhecido. É assustador.
Conheço vários exemplos que me fazem acreditar nesta teoria.
Há, por exemplo, o caso do meu irmão, que por mais machista que pudesse ser, casou com uma mulher independente e extremamente inteligente. Foi criado por minha mãe, que sempre deu duro, trabalhando como professora. E sempre foi cercado por tias independentes, verdadeiros exemplos de profissionais competentes e seres humanos incríveis.
No outro extremo, há um conhecido criado por uma mãe dona de casa, completamente submissa ao marido e sem muitas perspectivas. O cara finge que acha o máximo se relacionar com mulheres inteligentes, mas se observarmos seu histórico, ele nunca conseguiu ficar muito tempo com elas, preferindo sempre se relacionar com outras mais parecidas com o que ele conhece.
Afinal, a psicologia diz que todo homem procura uma mulher que seja como sua mãe. Porque, no final, é isso que ela acaba se tornando... Se eu busco um homem como meu pai? Deus me livre.
O que eu busco em um homem é assunto para outro texto.
Se a minha teoria é radical demais? Para os homens, provavelmente, pois todos eles certamente discordarão de mim, já que são incapazes de enxergar isso.
Mas eu ainda tenho fé naqueles capazes de superar seus medos e, quem sabe, provarem que a minha teoria está errada. Eu gostaria de voltar a acreditar na capacidade masculina de serem tão homens quanto nós somos mulheres.
terça-feira, 13 de novembro de 2007 | By: Mandi

Terapia de choque

Hoje foi o dia em que tudo aconteceu.
E a mais leve delas foi o DVD pirata do filme "Tropa de Elite" ter finalmente chegado às minhas mãos. Aquele que tem rodado há tempos na redação. E, de repente, eu me vi presa à situações de um roteiro de um filme que eu nem assisti ainda.
Agora, olhando para trás, só faltava a trilha sonora... "Chegou a Tropa de Elite, osso duro de roer, Pega um pega geral, também vai pegar você, Tropa de Elite, osso duro de roer, Pega um pega geral, também vai pegar você".
É bem assim... se você não resolve determinadas coisas no tempo certo, a vida se torna uma tropa de elite. E é um osso duro de roer. Pega um, pega geral, até que pega a gente.
No meu caso não foi diferente. Lembrando a frase célebre de Millôr Fernandes, dos problemas os meus são os piores. Acontecem todos comigo.
E daí que eu tive uma discussão séria no trabalho, com a minha chefe. O problema começou ontem, mas ganhou uma dimensão tão grande hoje que acabou resultando em uma sessão descarrego. Desabafo puro. Falei muita coisa que precisava ser dita, até porque eu gosto demais dela e acredito que, se eu não dissesse tudo aquilo, ninguém mais diria. Às vezes é preciso colocar uma estrutura abaixo para poder construir uma mais forte. Eu espero que ela pense da mesma forma.
Mas nada disso me preparou para o fim do dia.
Hoje rolou um show do Frejat aqui na Cidade. Eu nem estava afim de ir, por mais que eu goste do cara. Mas eu tive de ir para entrevistá-lo. E sabe quando a sua intuição diz: não vai, não vai, não vai? Só que eu tinha de ir. Fui.
Aí dei de cara com a única pessoa no mundo que eu não queria ver nunca mais. Primeiro foi semana passada, mas ele não me viu. Depois foi hoje, mas ele estava com um amigo em comum, e eu fui obrigada a cumprimentá-lo. Aí eu cumprimentei o cara de longe, para ver se ele se tocava. Não. Ele se levantou e veio me dar um beijo. Completamente dispensável, uma vez que nem amigo a gente não é mais. Me fez mal. E eu não tenho vergonha de dizer que eu desabei depois dessa, porque eu não sou de concreto.
Em um minuto a sós comigo mesma, olhei para cima e reclamei: "Pô, Deus, tá de sacanagem, né?! Numa semana o senhor me deixa escapar, nessa me obriga a aceitar beijinho? Eu não mereço, né... Preciso me benzer..."
Aí veio o show do Frejat, que foi bacana. Só que, nessa situação, você acaba encontrando sentido em todas as músicas que o cara canta. Umas te arranham a garganta. Outras te ferem com maior profundidade. E outras parecem que foram feitas para você e seu momento de sofrimento particular.
A Poliane estava do meu lado quando eu disse que o Frejat curte o Robertão e que não ia fazer um show sem cantar uma música dele. Quando terminei a frase, eis que surge "Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim". Melhor, impossível.
E mais um pouco, última música do bis, o violão não funciona, o outro também não, volta a guitarra. Enquanto isso eu digo a Poliane: ele vai tocar "Exagerado". Como você sabe, ela me pergunta. Eu simplesmente sei, eu respondo. E o que ele tocou? "Exagerado".
Terminado o show, esperamos o fim da tietagem dos fãs e a imprensa foi lá falar com o cantor. Uma pergunta por veículo, dizia a assessora de imprensa. E os seguranças enchendo o saco... Fiz várias perguntas porque o cara é profissional. Se ele não estivesse afim, teria encerrado a entrevista rapidamente. E não fez isso. Foi simpático.
Cheguei em casa com uma idéia fixa na cabeça. Uma mensagem que precisava ser mandada. Ia deixar recado no Orkut, mas o que eu tinha a dizer não interessava aos amigos dele que xeretam a página dele. Ia deixar em forma de depoimento, mas daí descobri que, desde que eu o apaguei do meu Orkut, não tinha como. Aí mandei uma mensagem via "um site de relacionamentos", como dizem na Globo...
E a mensagem dizia o seguinte:
"Por favor. Da próxima vez que nos encontrarmos, se isso voltar a acontecer algum dia, finja que não me conhece. Porque você não me conhece. E eu vou fingir que não te conheço, porque eu não te conheço. Não vale a pena e é um desperdício do meu tempo e energia.
Sem mais, obrigada"
Porque, no final, é isso. A gente descobre que não conhece o outro, porque nunca imaginaria que ele seria capaz de nos machucar repetidas vezes e nem se dar conta disso. E mais. Percebe que o outro não nos conhece, por achar que a gente tem sangue de barata. Eu não tenho. Eu sou neta da dona Vera. Extremamente paciente, até o dia em que resolvo mandar tudo a merda. E dessa merda, não se faz adubo. Essa a gente esquece, porque só vai atrair moscas.
A mágoa maior não foi a dupla traição, não foi a mentira, não foi a covardia ou o egoísmo em não me preparar para o golpe ou a incapacidade de se colocar no meu lugar por um minuto. A mágoa maior foi fingir que depois de tudo isso, restaria a amizade, que era o começo de tudo. Mas, como disse o próprio Frejat esta noite, eu te desejo muitos amigos, mas que em um você possa confiar.
Eu sei quem são os meus amigos. E, lamentavelmente, este cara não está entre eles.
sexta-feira, 9 de novembro de 2007 | By: Aqna

johnny cash, murphy e associados




Passamos horas e horas do dia a reclamar, sempre, achando que algumas coisas não caminham como deveriam deveriam, ou que algo está ruim demais para ser verdade. Mas saiba, se quiser parar e pensar apenas nestas coisas, tudo pode piorar. A Lei de Murphy não tarde e olha, não falha. Sim, sim, sim, se não olhar para o que acontece de bom ao seu redor, aquilo para onde não olhamos piorará sim e, aquilo para onde nosso foco de concentração mira também.


O jeito é dar risada. Pense bem... na historinha cantada por Johnny Cash, 'A Boy Named Sue'. O pai do cara saiu de casa quando ele tinha apenas três anos. Não deixou nada para ele e sua mãe. Apenas uma guitarra velha e uma garrafa de booze (acho que a tradução para booze é birita). Well... além destas duas coisas, ele também deixou algo para o garoto: foi batizado como Sue. Nome de mulher. Na música ele vai contando a histórinha toda e termina assim: "I got all choked up and I threw down my gun And I called him my pa, and he called me his son, And I came away with a different point of view. And I think about him, now and then, Every time I try and every time I win, And if I ever have a son, I think I'm gonna name him Bill or George! Anything but Sue! I still hate that name!"


Então... Sei que parece algo muito superficial... mas a intenção é esta mesma. Todo mundo tem problemas na vida. Mas entenda que, esta mesma vida, que tem problema, é contada por tempo e não por ficha (esta é uma expressão usada para acordar as pessoas que acham que a vida é um jogo de fliperama). Prenda-se no que vale a pena, deixe para trás o que não foi resolvido ainda - não vale a pena perder tempo com isso. Tem um montão de coisas legais por aí.


A imagem acima não faz alusão nenhuma ao texto - poderia se entender que tudo depende de um point of view, mas, caso não seja este o caso, informo que é apenas um rascunho de uma promessa não cumprida.


Hugs


Marcus Aquenaton

domingo, 21 de outubro de 2007 | By: Mandi

Um pouco de blá-blá-bla

Esta semana, DV, o editor-chefe do jornal onde trabalho, apareceu com a edição de outubro da revista Brasileiros. Eu já tinha a de setembro, que ele havia me recomendado, e que ainda estou lendo... e ele contando sobre a matéria com o Macaco Simão... Daí levei a revista para casa...
Isso foi na quarta-feira, um dia em que eu acordei péssima e que tudo no meu dia foi péssimo. Dormi mal, tive pesadelos, acordei triste e nada dava certo ao longo do dia. E eis que o celular toca, enquanto estou na fila de uma loja, na hora do almoço... Era o Marcunda. Que, de repente, teve um estalo de ligar para mim (amigos super-heróis são o máximo)...
- E aí, tudo bem?
- Tudo
- Mesmo?
- Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao. Eu tô péssima, meu dia tá péssimo, tá tudo errado...
- Você tá na TPM, não tá?
- Tôoooooooooooooooo.
- Ah, então tá bom. Pensa que é só uma semaninha e logo vai melhorar...
- Táaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.
E depois desse desabafo, a conversa seguiu... basicamente, a história que se seguiu é o momento em que nós dois nos encontramos em nossas vidas. Bastante parecidos, apesar do intervalo com o qual as coisas acontecem...
Foi-se um momento em minha vida em que eu decidi ligar o botão do foda-se e seguir em frente. Era a coisa mais sensata a se fazer, ir para frente sem olhar para trás. Mas chega uma hora em que a gente precisa tirar o pé do acelerador, porque acredita que já é seguro o bastante.
Sabe aquela frase clássica de filmes americanos, you can run but you can't never hide. Você pode correr, mas não pode se esconder. É a mais pura verdade. Corri tanto que não tive tempo de me esconder. E nem poderia.
E foi aí que eu precisei parar para pensar. E optei por um período de recolhimento. Colocar as idéias no lugar. Arrumar meus armários, organizar minhas roupas, minhas gavetas, meus livros... Ter a falsa sensação de que isso pode, de alguma maneira, se refletir em mim, em minha vida...
Se por um lado eu preciso me desculpar aos meus amigos por minha ausência, por outro eu espero que eles compreendam que eu tenho muito pouco a oferecer neste momento... Um copo meio cheio, um copo meio vazio... o ponto de vista varia com o meu humor naquele dia...
Daí que não é só TPM, como acertou o Marcunda... é mais do que isso... mas também vai passar, eu sei.
E onde entra a revista Brasileiros que o DV me deu nisso tudo? Além de ter animado a minha quarta-feira, logo depois da matéria com o Macaco Simão - que foi incrível, em especial pelas lições que dele aprendi - tem uma entrevista com Hector Babenco.
Ele está lançando um filme chamado "O Passado". E, em um dado momento, declara: "As pessoas são hoje o acúmulo silencioso do que foram um dia".
E hoje, isso é tudo.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007 | By: Mandi

A parte triste

Na vida real, vilões e mocinhos são bem diferentes daqueles das histórias, das fábulas encantadas. Nas fábulas, o bem sempre vence o mal. Você não tem medo de continuar lendo a história, porque lá no fundo, sabe que vai haver um final feliz. Que bom contador de histórias seria cruel o suficiente com seus fiéis leitores para decepcioná-los com um desfecho infeliz?
E os vilões são punidos.
A madrasta perde tudo. O bruxo vira rato. A bruxa morre. Capitão Gancho passa a vida fugindo do crocodilo Tic-Tac... Na vida real, tic-tac... O tempo passa rápido, e às vezes a gente nem percebe. Quando olhamos no calendário, vemos que o tempo passou e é quase um novo ano.
Na vida real, os mocinhos geralmente são chatos, são seus amigos e você sabe que nunca vai se apaixonar por eles. Ou até acontece de você se apaixonar. Mas daí... no momento em que você se apaixona, o mocinho se transforma em vilão. E os vilões são os mais difíceis de esquecer.
Porque o vazio que eles deixam ocupa tanto espaço.
Porque mesmo que vocês não se falem há tanto tempo, dói pensar que ele até sabia que era seu aniversário, e mesmo assim optou por ignorar a data, até porque não significa nada para ele e aquela história de ser amigos era mentira.
Porque, na vida real, quase todo mundo mente. Menos aquela meia dúzia de bestas quadradas, você inclusa, que ainda acreditam que vale a pena ter caráter, que vale a pena ser fiel ao que pensam ser certo. Mas, pense bem... você também mentiu, dizendo que não se importava mais...
Na vida real, vale mais proteger a si mesmo do que ter um ato heróico em nome do outro. Na vida real, bem e mal são coisas relativas. E os vilões seguem com a sua vida, enquanto você se esforça para olhar para frente.
E se alguém um dia perguntar, é verdade, sim. Por mais que eu tente arrancar você de minha existência, é fato. Você ainda é a parte mais triste de mim.
terça-feira, 2 de outubro de 2007 | By: Mandi

A merda e o adubo

Certa vez, meu tio Newton me enviou um texto escrito por um amigo dele, um professor universitário de Blumenau chamado Jacob Kein. Basicamente, o texto explicava a diferença entre a merda e o adubo. A partir do momento em que você aceita quando fazem da sua vida uma merda e se conforma com isso, você vai passar a vida fedendo e atraindo coisas negativas. Em um outro momento, se você consegue transformar a merda em adubo, você se torna capaz de participar da formação de flores cheirosas e frutas saborosas.
Ou seja, como disse Jacob Kein, a diferença entre a merda e o adubo não está na consistência, mas no local onde está depositada: no meio do caminho, é merda, em um canteiro de flores ou pomar, é adubo. "Cabe a você decidir sobre seu destino independente do que fizeram de ti", diz ele, encerrando o texto.
Acredito que este professor seja um homem extremamente espirituoso, para dizer o mínimo, e com um olhar característico dos sábios.
Estes dias, perto de completar 29 anos (quase 30), tenho olhado para trás e avaliado quantas vezes minha vida foi uma merda, e quantas vezes eu fui capaz de transformar esta merda em adubo. Foram algumas.
Mas, a verdade é que quando a gente está se afogando em um mar de merda, dificilmente a gente enxerga as flores e os frutos que podem resultar disso tudo lá na frente. E o adubo é só uma das coisas. É preciso plantar, é preciso cuidar, é preciso ter paciência para esperar o tempo passar e ver aquela flor crescer, aquela árvore dar fruto. É uma merda, eu sei.
Mas a lição que fica, no final das contas, é que a merda é fundamental para que possamos ter o adubo. E eu sou agradecida a cada momento pelo qual passei, achando que aquilo não tinha jeito e que não existia critério para a justiça divina. Porque, quando olhei para o lado, sabia que tinha amigos. Quando olhei para trás, sabia que tinha uma história, que tinha experiência. E quando olhei para frente, percebi que tudo aquilo tinha me dado amadurecimento o suficiente para não repetir meus erros e seguir adiante.
Hoje tenho me esforçado para transformar a merda em adubo. Aí vou lá, planto um limoeiro e, como diz a minha amiga Pestaninha, uso o limão para fazer uma bela caipirinha.
Tá certo às vezes demora um pouco, ou que nem sempre é possível.
Mas só de saber que essa merda toda pode ser útil um dia, eu já me dou por satisfeita.
Merda a todos! Ou melhor, adubo a todos.
domingo, 23 de setembro de 2007 | By: Mandi

Código de ética

Outro dia este era o assunto entre um grupo de amigos. Um deles começou dizendo que as mulheres levavam muito a sério o tal do código de ética, que implicava que uma não ficaria com namorado, rolo ou ficante da amiga. Lembrei que não são só as mulheres que mantêm essa regra. Os homens também.
Os dois homens da conversa explicaram que, segundo o código masculino, um cara pode ficar com a ex do outro, desde que se certifique antes que não há problemas. Ao meu ver, para os homens é muito mais fácil lidar com esta situação, até porque é da natureza deles serem mais diretos.
Entre as mulheres, o buraco é mais embaixo. Porque, todos nós sabemos que quase todas as mulheres não admitem o que realmente pensam ou sentem, o que resulta em confusão... Exemplo: há alguns anos, estava fazendo um curso e tinha uma turma bacana por lá. Havia uma colega que era mais próxima, conversávamos bastante e um dia surgiu o assunto de um cara que estudava com a gente. Perguntei se havia algum interesse da parte dela por ele e ela respondeu que não. Perguntei se ela se ela se importava que eu me aproximasse dele, e mais uma vez ela disse que não havia problema, que eu deveria ir em frente. Foi o que eu fiz.
Nunca chegou a rolar nada entre o cara e eu, mas... depois dessa conversa, ela nunca mais olhou na minha cara e espalhou um boato de que eu era uma biscate. Até dizer que eu tinha um caso com o coordenador do curso, ela disse... Ou seja, não adiantou eu ter sido honesta com ela.
Voltando mais para trás na minha vida, quando eu tinha uns treze anos, era afim de um cara. Provavelmente a primeira vez que me apaixonei, se é que se pode dizer isso. Minha melhor amiga na época sabia de tudo. Eu sabia que ele não gostava de mim, então ficava na minha. Até o dia em que minha melhor amiga ficou com ele, na minha casa, na minha frente. Acho até que já contei essa história por aqui. Se eu briguei com ela por causa disso? Não. Me mantive firme e, desse dia em diante, jurei para mim que nunca brigaria com uma amiga por causa de homem algum. Anos depois, um ex-namorado de quem eu ainda gostava queria voltar a namorar comigo. No intervalo de três dias entre ele ter falado isso e a gente ter marcado de se ver de novo, ela foi lá e ficou com ele. Furazóio, como diz a Juba, é a mãe...
Quando ele veio me dizer que havia ficado com ela, eu já sabia. E disse que nunca mais ficaria com ele. E continuei amiga...
Essas situações foram moldando meu código de ética, que talvez seja rígido demais, mas pelo menos me dá paz. Se eu sei que uma amiga está interessada em um cara, mesmo que não tenha nada a ver entre eles, eu nem olho pra ele. Hoje em dia eu saco muito fácil quando uma pessoa está afim de outra, então mesmo que a amiga não admita, eu me antecipo... Também evito de me envolver com ex de amigas.
Amigo de ex-namorado também é fria. É uma maneira de respeitar o código alheio.
Depois de explicar minhas regras, um dos amigos disse: bom, se você não fica com ex de amiga, nem amigo de ex, então você não fica com ninguém, ainda mais nessa cidade, que é um ovo.
Não é bem assim, até porque eu tenho um gosto peculiar e que, graças a Deus, não bate com o das minhas amigas. Com a idade e as invertidas que já tomei, estou ficando cada vez mais seletiva, o que pode ser bom ou ruim. Mas, como minha avó sempre diz, antes só do que mal acompanhada. E quem tem amigos, nunca está só.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007 | By: Mandi

It ain't me you're looking for, babe

Go 'way from my window/ Leave at your own chosen speed/ I'm not the one you want, babe/ I'm not the one you need/ You say you're lookin' for someone/ Never weak but always strong/ To protect you an' defend you/ Whether you are right or wrong/ Someone to open each and every door/ But it ain't me, babe/ No, no, no, it ain't me, babe/ It ain't me you're lookin' for, babe./ Go lightly from the ledge, babe/ Go lightly on the ground/ I'm not the one you want, babe/ I will only let you down/ You say you're lookin' for someone/ Who will promise never to part/ Someone to close his eyes for you/ Someone to close his heart/ Someone who will die for you an' more/ But it ain't me, babe/ No, no, no, it ain't me, babe/ It ain't me you're lookin' for, babe./ Go melt back into the night, babe/ Everything inside is made of stone/ There's nothing in here moving/ An' anyway I'm not alone/ You say you're looking for someone/ Who'll pick you up each time you fall/ To gather flowers constantly/ An' to come each time you call/ A lover for your life an' nothing more/ But it ain't me, babe/ No, no, no, it ain't me, babe/ It ain't me you're lookin' for, babe.

Se afaste da minha janela/ Vá embora na velocidade que desejar/ Eu não sou o que você deseja, babe/ Eu nao sou o que você precisa/ Você diz que está buscando alguém/ Que nunca seja fraco, mas sempre forte/ Para te proteger e defender/ Esteja você certa ou errada/ Alguém para abrir a porta para você/ Mas não sou eu, babe/ Não, não, não, não sou eu, babe/ Não sou eu o que você procura/ Saia cuidadosamente da beirada, babe/ Saia cuidadosamente do chão/ Eu não sou o que você quer, babe/ Eu apenas vou te decepcionar/ Você diz que está buscando alguém/ Que vai prometer nunca partir/ Alguém para fechar seus olhos para você/ Alguém para fechar seu coração/ Alguém que vai morrer por você e mais/ Mas não sou eu, babe/ Não, não, náo, não sou eu, babe/ Não sou eu o que você procura, babe/ Vá se derreter na noite, babe/ Por dentro tudo é feito de pedra/ Não há nada aqui se movendo/ E de qualquer maneira, eu não estou sozinho/ Você diz que está procurando alguém/ Que irá te segurar toda vez que você cair/ Para colher flores constantemente/ E vir toda vez que você chamar/ Um amante para a sua vida e nada mais/ Mas não sou eu, babe/ Não, não, não, não sou eu, babe/ Eu não sou o que você procura, babe.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007 | By: Mandi

Amandita na cova dos tigrões*

Em um gesto de solidariedade feminina, tentando animar uma amiga que tinha acabado de romper um relacionamento, aceitei acompanhá-la com outras amigas ao pagode de domingo de uma casa noturna local. "Domingão, então". "Domingo".
No sábado fomos a uma festa árabe, onde eu me diverti horrores - é incrível como o sangue fala mais alto quando entramos em contato com as nossas raízes - então, não vi mal algum em agradar as minhas amigas.
Ledo engano.
Na fila para entrar no boteco, a combinação bermuda-regata-boné-corrente de prata, para os homens, e plataforma-roupa justa-maquiagem carregada, para as mulheres, já anunciava o meu fim. Eu estava na cova dos tigrões, prestes a viver uma experiência traumática. Mas aquilo era só o começo e nem nos meus delírios mais selvagens eu poderia imaginar o que estava por vir.
Imagino que, se cada cabelo tingido ou alisado cheirasse a água oxigenada com descolorante ou a formol, eu provavelmente teria morrido intoxicada. Talvez tivesse sido melhor.
Ainda assim, optei por enfrentar a noite de cara limpa. Nem uma gota de álcool. Bebi uma garrafa de água e uma lata de soda diet, com bastante gelo e limão. Atente-se, leitor, à palavra limão, neste texto. Ela vai reaparecer em breve.
Sóbria, eu acompanhava do meu banquinho a animação das minhas amigas. E me surpreendia com a qualidade musical, com letras inspiradoras, com a certeza de que o segredo sobre o sentido da vida pudesse estar contido em versos do tipo "Sou guerreiro, sou brasileiro, sou solteiro".
E pula para um lado.
E pula para o outro lado.
Que saudade de Frank Sinatra. Começo a divagar sobre shows de rock, não foi diferente quando fui ver o Metallica, ou o Ramones... Ah, sim, havia uma pequena diferença.
E os tigrões, dava até gosto... Pena que não havia uma jaula...
A banda parou de tocar. Ufa. Um momento de alívio e... dois caras, bombadinhos. Tente imaginar, ambos vestidos com um micro-short de vinil branco, regatinha verde LIMÃO e botinhas pretas. Três mulheres, duas vestindo uma roupa branca justíssima, outra com um shortinho vermelho de vinil e um top branco. Todos requebrando sobre o balcão.
E a minha mesa bem em frente a esse trágico cenário. É como acidente de carro: você não consegue evitar e fica olhando...
E eles dançavam.
E eles requebravam.
E os caras puxavam a mulherada para cima do balcão (cada uma mais linda que a outra, acreditem... tinha uma do meu lado que foi içada para o alto que era vesga - mas, afinal, as vesgas também amam). E esfrega-esfrega. E rala e rola. E joga bebida na boca da mulherada, e chacoalha... Deus... por favor, jogue um raio na minha cabeça e acabe com a minha existência angustiante...
Aquilo deve ter durado uma hora, não sei. A sensação foi como se eu estivesse saindo do meu corpo, anestesiada por tanto horror...
A banda voltou, os caras sumiram. Jujuba me fez esperar terminar de tocar alguns pagodes... E finalmente fomos embora.
O depoimento que acabei de dar, caro leitor, leitora, é um testemunho de uma sobrevivente. Estive cara a cara com os tigrões e sobrevivi. Depois de encarar o inferno de perto - e sóbria - e viver para contar história, sou outra pessoa. Estou de volta.

*Inspirado em "Daniel na Cova dos Leões"
sábado, 18 de agosto de 2007 | By: Mandi

No plantão...

Hoje eu resolvi trazer o iPod para a redação, para animar o nosso plantão. Com duas caixinhas de alto-falantes. Tudo ia bem, até a seleção de Frank Sinatra começar a tocar. Engraçado como o velho Blue Eyes é capaz de despertar lembranças em todo mundo que já vivenciou momentos bons ao som de suas músicas...
Tive de escolher outra coisa para tocar, porque o astral começou a baixar entre a galera e isso, num plantão, pode ser fatal...
E, de repente, me ocorreu que a única forma de apagar as lembranças que certas músicas trazem é criando novas lembranças para estas músicas. Mais novas, mais fortes e, se possível, mais felizes.
sexta-feira, 17 de agosto de 2007 | By: Mandi

Uma pergunta

Jujuba sempre me pergunta isso e, até hoje, não encontrei resposta.
Aliás, eu ando me questionando sobre isso ultimamente.
Então, leitor, leitora... se você tiver a resposta, deixe eu seu devaneio.
Obrigada,
Mandi

Afinal, qual é o critério da justiça divina?
quinta-feira, 16 de agosto de 2007 | By: Mandi

Uma frase

Não lembro onde li essa frase recentemente, mas achei genial...

"Não respeite um homem apenas por seus cabelos brancos. Afinal, os canalhas também envelhecem"
terça-feira, 14 de agosto de 2007 | By: Mandi

A melhor forma

"A melhor forma de esquecer/É dar tempo ao tempo/A melhor forma de curar o vício/É no início/A melhor forma de escolher/É provar o gosto/A melhor forma de chorar/É cobrindo o rosto/Evitar as rugas/É não olhar no espelho/Esvaziar o revólver/É puxar o gatilho/A melhor forma de esconder as lágrimas/É na escuridão/A melhor forma de enxergar no escuro/É com as mãos/As idéias estão no chão/Você tropeça e acha a solução/Acabar com a dor/É tomar um analgésico/Matar a saudade/É não olhar pra trás/A melhor forma de manter-se jovem/É esconder a idade/A melhor forma de fugir/É a toda velocidade/As idéias estão no chão" (Titãs)

Estava tomando banho hoje de manhã, pensando nessa música.
Sou chocólatra abstêmia, como alguns aqui já sabem. Aí minha mãe comprou um sabonete líquido para mim de... chocolate. Legal. Logo de cara, por ser um sabonete líquido, parece uma calda de chocolate... e o cheiro? E a textura... É como se a expressão "vai lamber sabão" adquirisse um novo significado...
Óbvio que eu não lambi sabão. Maldade sua pensar isso de mim.
Na realidade, eu resisto. E começo a filosofar sobre a melhor forma de se fazer várias coisas, como diz essa música aí em cima. E, por mais que a gente tente achar várias soluções, a real é que há apenas duas opções. Encarar, de frente e peito aberto. Ou ignorar, fugir, fingir que não é com a gente.
Eu encaro meus vícios de frente. Não como chocolate porque me faz mal, mas sou capaz de lidar com sua existência em minha vida. Até o momento em que ele deixa de me fazer mal porque não me afeta mais, ele pode estar presente - no formato de sabonete líquido, por exemplo - que eu não ligo.
Isso se chama liberdade.
A liberdade pode ser assustadora, em alguns aspectos. Para quem a vive, para quem vê o outro vivendo. Eu gosto da liberdade... e, quanto mais ela me assustar, melhor. Mais eu vou aprender a lidar com ela, a encará-la de frente... A aprender mais sobre mim mesma. Eu sei quem eu sou.
terça-feira, 31 de julho de 2007 | By: Mandi

Ironia

Sempre me diverti com a ironia da língua portuguesa. Em como o feminino e o masculino se confundem em seus significados. Mais recentemente, me prendi à reflexão sobre a palavra covardia. Substantivo feminino. Está lá no Houaiss: "comportamento que denota ausência de coragem; atitude, gesto que se caracteriza pelo temor, pelo acanhamento, pela falta de ousadia".
Agora me responda, cara leitora, caro leitor. Como pode a covardia ser um substantivo feminino, se é uma característica inerente ao sexo masculino?
Nunca ouvi falar de uma mulher covarde.
Na minha casa, cresci cercada por exemplos femininos de coragem, determinação e abnegação. Nunca soube de um ato covarde que fosse de minha avó, de minha mãe ou de minhas tias. E o mesmo sempre foi cobrado de mim. Viva a vida de peito aberto, encare a dor e não chore na frente de ninguém. Nem sempre pude corresponder, confesso que já chorei na frente de quem não devia... Pior de tudo, já chorei pelas razões erradas...
Eu sou humana, acerto, erro. Esse segundo muito mais do que o primeiro.
Mas eu vivo.
Minha tia Salete gosta muito de um filme chamado "Vem Dançar Comigo" e, um dia, ela citou uma frase dele para mim, quando conversávamos. "Viver com medo é como viver pela metade".
E isso eu posso afirmar, com todas as letras. Nunca vivi pela metade.
E a covardia? Melhor deixá-la aos homens, que lidam melhor com ela.
segunda-feira, 30 de julho de 2007 | By: Mandi

Mulherzinha

Tudo bem, tudo bem. Eu confesso. Eu também tenho um lado mulherzinha. Pior do que isso. Um lado mulherzinha prendada. Digna neta de dona Vera. E eu me lembrei disso ontem...
Estava olhando umas fotos do ano que passei nos Estados Unidos. Quando chegou o frio e com quase nada para se fazer à noite, eu comecei a tricotar - o que aprendi com minha avó quando tinha oito anos. E disso resultaram gorros, cachecóis e ponchos...
Tricotei um poncho enorme para mim, com uma lã na cor rosa velho. Era enorme, e ótimo para o frio de lá. Imaginei que nunca usaria aqui, então acabei deixando por lá - na esperança de que minha host mother me enviasse pelo correio, como ela fez com algumas das minhas coisas. Se ela enviou? Claro que não. Provavelmente ficou para ela, que já havia crescido os olhos para o "handmade poncho"... Fazer o quê?! Isso porque eu fiz um para ela, de presente de Natal... Mas, por que ter um, se você pode ter dois? That´s the american way... Too many options...
Minha mãe não me perdoa por isso. Porque ela queria o tal do poncho, de qualquer jeito. E ontem, vendo as fotos comigo, me cobrou o tal do poncho. Lá vou eu tricotar... Hoje vou ver se compro lã... Aliás, minha mãe é a maior beneficiária do meu lado mulherzinha. Bateu a vontade de comer quiche, manda a Amanda para cozinha. Bateu a vontade de comer risoto de arroz integral? Amanda de novo. Quer um poncho? Chama a Penélope... ah, não tem Penélope? Então manda a Amanda, oras....
Eu mereço... Mas, quer saber? Eu gosto de cozinhar e tricotar por duas boas razões. Primeiro, porque eu não sou obrigada a fazer essas coisas, faço porque quero e gosto. Segundo, porque são ótimas terapias... Eu recomendo.
sábado, 28 de julho de 2007 | By: Mandi

A sabedoria nas histórias em quadrinhos

Em algum momento da minha vida, não lembro qual, li uma história em quadrinhos da Mônica, aquela mesma do Mauricio de Sousa. Não sei se já contei isso por aqui. A história mostrava a Mônica "se apaixonando" por um primo bem mais velho, que tratava ela super bem. E ela achava que ele (imaginem, um adulto) gostava dela também. Até o dia em que ele apareceu com uma namorada e destruiu os sonhos daquela menina baixinha, gordinha e dentucinha de seis ou sete anos...
Lembro que a tirinha seguia com a Mônica discutindo com o cara, e ele dizendo que um dia ela esqueceria tudo aquilo. E ela batia o pé, dizendo que nunca esqueceria.
Os quadrinhos seguintes mostram, dentro de um balãozinho da memória, a figura do cara desaparecendo aos poucos da mente da menina, enquanto ela crescia. Até lembro, com graça, do último quadrinho, uma Mônica já adolescente, passando em frente de menininhos apaixonados...
Por que falar disso tudo hoje, agora?
Porque percebi como há sabedoria nas histórias em quadrinhos.
quinta-feira, 26 de julho de 2007 | By: Mandi

Entre Jewel e John Mayer

De todas as pessoas que conheço, provavelmente sou a que mais torce pela sua felicidade.
Torço mais pela sua felicidade do que pela minha própria. Porque, se um dia eu pensasse de maneira contrária, provavelmente seria uma pessoa infeliz. E eu não quero ser infeliz. Veja só, nem digo que quero ser feliz, porque hoje eu duvido de tudo, inclusive da tal da felicidade.
Não sou uma pessoa boa, como alguns até poderiam considerar.
Eu sou humana e acredito nas leis da física. Ação e reação.
Eu queria acreditar que quando a gente faz alguém sofrer - levando em conta que ninguém faz o outro sofrer de maneira aleatória e gratuita - tem de ter algo muito mais importante em jogo. Quando se força alguém a abrir mão de um sentimento porque algo novo e muito mais forte surgiu. E esse alguém é obrigado a guardar tudo em uma caixa de sapatos e torcer para que nada tenha sido em vão...
Mas um dia, por mais que se ignore qualquer resquício do passado, ele bate à porta. E te diz que foi em vão. E eu ainda prefiro me esforçar para acreditar que não foi em vão. Mesmo que com isso eu crie uma nova ilusão...
Desde criança, eu ouço minha avó repetindo uma de suas pérolas, que eu adotei como mantra: não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe.
Pois eu não sabia. Eu não queria saber. Não tenho raiva de quem sabe, mas achei desnecessário quando vieram me contar. Porque eu não sabia e não queria saber. Para mim, é ponto final.
Vou continuar olhando para frente, porque o passado não mais me interessa...
domingo, 22 de julho de 2007 | By: Mandi

A cueca da discórdia

Outro dia escrevi um post sobre o tipo de homem que uma amiga gostava. "Usando cueca, tá valendo", me disse ela. Os comentários foram os melhores. Mas o melhor de todos foi o de Pestaninha.
Pestaninha é uma das minhas amigas mais geniais. Cheia de estilo, inteligência e ótimas sacadas, ela fez o seguinte comentário:
Pestaninha disse...
Usando cueca tá valendo uma ova!!!Se o bofe me aparecer usando uma cuecona dessas largonas, com elástico na cintura e de cor nada expressiva(amarelinho, azulzinho ou bege - a pior de todas), dessas que vêm em trio num pacotinho de plástico transparente, eu não aguento!Trato de tirar e muito rápido esse treco broxante!Nesse caso é muito melhor sem as cuecas...Tratem vocês homens de cuidar disso também, assim como nós cuidamos para não aparecer na frente de voces fazendo a linha Bridget Jones.A Calvin Klein pode mudar e MUITO a sua vida!!!Estou certa meninas???


E eu comecei a refletir... da mesma maneira que a lingerie feminina pode ser uma arma de sedução, a roupa íntima masculina também pode ser uma arma... com efeito contrário, matando qualquer tesão. O modelo descrito acima por Pestaninha é um deles.
Cueca larga, com elástico na cintura, com cores que causam náusea... Eu, particularmente, acho péssimo aqueles modelos que parecem fraldas, brancas... gente... como diz a Gorda, cadê o bom-senso, meu Deus?
Aí a gente começa a viajar, associando o modelo fralda da cueca a infantilidade masculina... Tudo é possível. E se o fundo estiver sujo, então? Deus, por que eu estou falando sobre isso? Hoje é domingo à noite e eu estou de saída...
Bem, se vocês me perguntarem, gosto do modelo boxer. É bonitinho, não parece fralda e, como diz Pestaninha, Calvin Klein pode mudar a sua vida...
sábado, 14 de julho de 2007 | By: Mandi

Dona Vera

Quando eu era criança e ameaçava chorar, minha avó olhava para mim e dizia:
- Menina!
Só o olhar de dona Vera era o suficiente para eu engolir o choro e, junto com ele, tudo o que eu estava sentindo naquele momento. Talvez possa parecer crueldade para alguns, mas eu entendo bem a minha avó. Ela é uma das pessoas mais orgulhosas que eu conheço. Porque ela precisava ser.
Dona Vera é a terceira filha - e única mulher - entre os oito filhos de Pedro e Said Abib. Primeira geração brasileira de uma família de libaneses. Meu bisavô era comerciante e perdeu todos os seus bens durante a Segunda Guerra Mundial. Nessa época, minha avó estudou por pouco tempo em um colégio de freiras e eu acredito que, se ela tivesse tido a oportunidade, teria seguido a carreira religiosa.
Na adolescência, teve de enfrentar a primeira grande mudança de sua vida, a de cidade. Aqui, aos 16 anos, foi trabalhar em uma fábrica. Casou-se com meu avô aos 25 anos. Teve quatro filhas, todas em casa, pelas mãos de parteiras. Mesmo aos trancos e barrancos, manteve-se ao lado do meu avô, provavelmente uma das pessoas mais difíceis que já circulou pelo Planeta Terra. Ela é leão. Ele era capricórnio. Até hoje não entendo como viveram 50 anos juntos.
Minha avó perdeu a visão por conta de um descolamento de retina. Primeiro no olho esquerdo, depois no direito. Hoje, só enxerga sombras.
Com a idade, a audição também começou a falhar. Usa aparelho nos dois ouvidos, mas esforça-se para entender o que acontece a sua volta. E consegue. É mais bem informada do que muitos jornalistas que eu conheço. Outro dia, descobriu o telefone da casa de Salomão Schwartzmann - que até há algumas semanas era o apresentador do Diário da Manhã, na Rádio Cultura - para perguntar por que o programa foi tirado do ar, sem aviso prévio.
Além de todos os noticiários possíveis, ela também "lê" a Veja. Graças à Fundação Dorina Nowill, que semanalmente envia a versão sonora da revista.
Eu estava pronta para escrever um texto completamente diferente, chamado "Sobre lágrimas...". E, de repente, percebi uma outra coisa tomando forma. Fui lá, e mudei o título. Agora, é "Dona Vera".
Minha avó sempre teve orgulho de seu nome significar "verdade". E, verdade seja dita, dona Vera é tudo nessa vida. Provavelmente das personalidades mais complexas e interessantes que eu já tive a honra de conhecer.
E espero que Lorenzo, seu primeiro bisneto, tenha essa oportunidade, também...
Dona Vera completa 82 anos no próximo domingo.

Rapidinha

O bom de se ter amigas inteligentes e espirituosas é que seus comentários sempre rendem um post. E ontem não foi diferente. Conversando com uma amiga, que também está solteira, perguntei:
- Mas, afinal, qual o seu tipo de homem? - ao que ela me respondeu, candidamente:
- Ah, eu sou eclética. Usando cueca, tá valendo.
sexta-feira, 13 de julho de 2007 | By: Mandi

A inconcebível fragilidade do "para sempre"

O tal do "para sempre" tem me perseguido ultimamente. Então resolvi escrever sobre essa expressão que para muita gente significa tanto, mas que ironicamente é tão vazia quanto um balão murcho para outros. Não, não estou sendo pessimista. Pense bem... O "para sempre" é só mais uma dessas expressões paradoxais que somos obrigados a lidar em um relacionamento.
Exemplo.
Outro dia eu me peguei rindo de uma dessas celebridades, a Grazi, na sala de espera da clínica. O médico estava atrasado e, em um desses programas matinais, a apresentadora comunicava o público sobre a declaração da atriz, dizendo que tinha encontrado em seu atual namorado, Cauã Reymond, também ator, o homem de sua vida. Que gostaria de casar com ele e que achava que, desta vez, era para sempre.
Achei um absurdo, na verdade, levando em conta a superficialidade do meio em que ela vive. E mais ainda por conta da superficialidade da época em que todos nós vivemos, o que vai de coisas simples como a comida (fast food) até a música (easy listening) passando pelos sentimentos.
E de repente, me caiu como uma bomba. A gente sempre acredita que vai ser para sempre.
Porque, se não acreditássemos nisso, nem nos dariámos ao trabalho de começar uma relação. O começo de qualquer coisa está baseado na esperança de que haja sucesso, seja no caminho, seja no resultado.
Se não houvesse a expectativa de felicidade, de dar certo, de ser para sempre, a gente nem começava mais nada.
Daí que eu conclui que a moça em questão não é mais boba, mais superficial ou inocente do que qualquer um de nós. Ela tem as mesmas chances que todos nós temos de estar certa ou errada.
Todos nós temos o direito de criar expectativas. E todas elas têm fundamento no que sentimos, não no que é real. É tudo uma questão de ponto de vista.
O tal do "para sempre" guarda em si uma inconcebível fragilidade entre aqueles que acreditam nele...
quarta-feira, 11 de julho de 2007 | By: Mandi

The thrill is gone

B.B. King é tudo nessa vida. Ou quase tudo. Hoje estava ouvindo esta música no ipod... A letra é fantástica.

The thrill is gone
The thrill is gone away
The thrill is gone baby
The thrill is gone away
You know you done me wrong baby
And you'll be sorry someday

The thrill is gone
It's gone away from me
The thrill is gone baby
The thrill is gone away from me
Although I'll still live on
But so lonely I'll be

The thrill is gone
It's gone away for good
Oh, the thrill is gone baby
Baby its gone away for good
Someday I know I'll be over it all baby
Just like I know a man should

You know I'm free, free now baby
I'm free from your spell
I'm free, free now
I'm free from your spell
And now that it's over
All I can do is wish you well

Momento de sabedoria

Almocinho devagar. Três mulheres, morrendo de sono, saem em busca de alguma coisa para adoçar a vida... Chocolate? Não, não posso. Fomos à doceria mais próxima. No meio do caminho, papinho vai, papinho vem e eis que Eliane, conhecida como Poliane, tem um insight. ""Tendo pinto, ninguém é bobo." Para o que Marcinha completou... "Porém, alguns homens têm o pinto bobo".
Eu, na minha mais santa e pura inocência, só dei risada. Ao que me restou registrar esta breve histórinha por aqui.
terça-feira, 10 de julho de 2007 | By: Mandi

Despedida

Finalmente consegui me despedir.
Uma história que começou com música, só poderia terminar com música. E foi assim mesmo.
Desde o primeiro CD que gravei, quando ainda éramos amigos, até o último, aquele que pedi que entregassem quando percebi que não fazia mais sentido. Talvez nunca tenha feito. Foi minha forma de dizer até um dia, seja feliz.
E com música eu me despedi.
E com música eu me apresentei a um novo alguém. E me peguei sorrindo. E me peguei considerando.
terça-feira, 3 de julho de 2007 | By: Mandi

Um dia após o outro

A vida é cheia de surpresas. Isso é fato. Não adianta a gente tentar antecipar. Às vezes as pessoas caem de pára-quedas na sua vida, outras vezes elas simplesmente te ligam numa tarde, do nada, depois de quase dois anos... Pessoas certas que aparecem nas horas erradas. Pessoas certas que aparecem nas horas certas. Eu imagino...
Pessoas que já fizeram parte da sua vida e que deixaram um vazio.
Eu sou da opinião que os vazios deixados por pessoas que partem de nossas vidas, ou simplesmente mudam de time no complicado jogo dos relacionamentos, ficarão para sempre numa espécie de limbo cardíaco. O coração sente, muda a forma de bater quando a gente pensa naquele vazio que está lá. Talvez seja a mesma sensação que têm as pessoas que perdem um membro, mas ainda o sentem coçar.
O vazio que ocupa espaço.
O vazio que só se desfaz com um retorno.
Estes dias um destes vazios antigos foi desfeito por alguém muito querido. E eu havia me esquecido da importância que ele tinha para mim, como me fazia rir - mesmo diante de um incrédulo professor de teoria das relações internacionais pronto para me mandar sair da sala de aula.
Obrigada por me lembrar das coisas que, por pouco, eu não esqueci.
segunda-feira, 2 de julho de 2007 | By: Jujuba

Cade o bom senso, meu Deus?

Depois de todos os posts devidamente comentados, eis que quebrarei o jejum de meses e voltarei a escrever nesse espaço. Afinal, alguém tem que contribuir com cultura inútil nessa vida.
Vou me reportar às descobertas bizarras que fiz este final de semana. Reunião entre mulheres é sempre muito construtivo. Ou não.

Mas o que importa é que nesse final de semana eu fui pro ABC paulista rever minhas amigas prediletas e passei as horas conversando com seis ou sete mulheres.
Intercalando tudo isso, houve um aniversário de um amigo. Com homens, claro. A mesa se dividiu desta maneira: namoradas pra cá num papo regado a cerveja. Namorados pra lá num papo regado a whisky. E ficamos felizes assim.
Enquanto do lado de lá discutia-se a pífia estréia do Brasil na Copa América, a gente aproveitou pra falar das vidas alheias. E das nossas próprias também.
E daí eu ouvi relatos tão impressionantes que me fizeram rever meus conceitos. Uma das garotas em questão é a degradação do ser humano em si.
Eu sei que eu sempre fui o extremo do orgulho e o meu amor próprio ultrapassa os limites do bom senso e às vezes até impede que eu ame alguém. Mas nunca conheci ninguém tão sem auto-estima.

A moça em questão é até ajeitada, tem seus 20 e poucos anos, trabalha, tem independência, um carro e bons amigos. Mas inexplicavelmente ela corre atrás há quatro anos do mesmo cara. A degradação do ser humano vem a seguir: o cara não assume que tem nada com ela, o cara arranjou uma namorada e o cara chegou a dizer: "Ei, se vc não vier na minha casa agora dar umazinha comigo, vou ter que ativar a minha lista". Bleh. E adivinhem. Ela foi.
Como assim ela foi? Nem meu cachorro viria no meu colo se eu o chamasse dessa maneira porca. Mas enfim, ela foi. E depois no dia seguinte, achando que ia repetir a dose, ele ligou pra ela: "Ei, vem aqui em casa de novo que eu não tenho nada pra fazer". E ela se preparou pra ir. Deu uns 20 minutos, ele ligou: "Não precisa vir mais, vou sair com a Fulana (a namorada, cujo nome não pode ser revelado para manter a integridade da pessoa, rs)". E ela botou o pijama.
Deu mais cinco minutos e ele ligou: "Ei, a Fulana não pode sair comigo. Pode vir então". E ACREDITEEEEEEEEEEEM. Ela foi.

Passei a viagem inteira de volta pensando no que se passa na cabeça de uma menina para se submeter a uma coisa dessas. Senti vergonha alheia do universo feminino e me senti um pouco enojada de como algumas mulheres são capazes de se rebaixar a isso. Tem alguma explicação? (Não vale dizer que o cara é bom de cama. Sexo não compra o amor próprio)
domingo, 1 de julho de 2007 | By: Mandi

Diálogo esclarecedor com um interlocutor anônimo

- Se você colocar essa história no seu blog e dizer que fui eu que te contei, eu vou negar. Vou dizer que foi você quem inventou tudo.
- Tá, e se eu não revelar o seu nome, posso colocar o diálogo?
- Você é jornalista, sabe que deve proteger suas fontes. E o que eu vou te contar pode até me comprometer, me queimar com os meus amigos...
- Mas, por que tanto drama? O que poderia ser tão grave?
- Não é grave. Mas, pense bem... Homem que admite fraqueza é chamado de viado. E eu não sou viado, mas eu já estou de saco cheio dessa mania feminina de sempre se colocar no papel da princesa que precisa ser salva, sempre à espera do príncipe encantado.
- O que é que isso tem a ver?
- Tem tudo a ver. Vocês, mulheres, não entendem nada. Estão tão acostumadas a esperar por um príncipe encantado que nem conseguem perceber que, muitas vezes, nós é que estamos esperando uma princesa encantada, uma heroína, para nos salvar.
- Até parece...
- Você nunca vai conhecer um homem que admita sua fragilidade. Ele até pode fingir uma certa fragilidade se estiver afim de ganhar a mulher, mas admitir de verdade, nunca. Eu vi o que você escreveu no outro dia, sobre os homens dizerem uma coisa e pensarem outra. Isso acontece, principalmente, porque vocês não estão muito interessadas em ouvir o que a gente diz...
- Claro que estamos. Vocês é que não falam...
- Claro que não. A gente não fala porque a gente aprendeu que é melhor ficar quieto, ouvindo vocês. Vocês não querem ouvir ninguém, vocês querem ser ouvidas. E ai do cara que não prestar atenção no que vocês dizem. Agora, eu te pergunto, e vocês, quando ouvem o que a gente tem a dizer, sem desdém?
- Eu estou ouvindo você...
- Está porque é do seu interesse. Porque se não fosse... Tente pensar no seu último relacionamento e me diga se você realmente ouvia o cara, se você realmente estava lá por ele...
- Eu achava que sim, mas depois dessa conversa estou em dúvida...
- Vocês, mulheres, não têm noção nenhuma. É muito fácil sentar aí e nos criticar... Criticar, é tudo o que vocês sabem fazer. E nos jogar para outras mulheres... E depois ficarem se perguntando o que fizeram de errado ou, o caminho mais fácil como sempre, simplesmente resolver que somos nós que não prestamos.
- Acho que quem está generalizando agora é você...
- Então tá. Pode até ser. Mas nós estamos no mesmo barco. Homens e mulheres querem a mesma coisa. Quem sabe um dia a gente não se entende?
- Quem sabe...

(Quando der eu faço um post com a continuação dessa conversa)

Como diria Forrest Gump...

A vida é como uma caixa de bombons. Você nunca sabe o que vai encontrar.
sábado, 30 de junho de 2007 | By: Mandi

Odisséia emocional

Alguém aqui já leu a "Odisséia", de Homero? Eu recomendo, principalmente para quem é apaixonado por mitologia. Eu li este livro há muito tempo, assim como histórias baseadas nesta obra.
A "Odisséia" conta a história de Odisseu, correspondente em grego ao latino Ulysses. De maneira resumida, Odisseu era um mercador, dono de seu próprio reino. Era casado com Penélope e pai de Telêmaco, mas foi obrigado a deixá-los para lutar na Guerra de Tróia. Com o fim da guerra, ele decide retornar a sua ilha de Ítaca, mas para conseguir chegar em casa, tem de enfrentar todos os perigos imaginados.
Enquanto isso, Penélope é pressionada a casar com um novo homem, dar a Ítaca um novo rei, já que ninguém sabe se Odisseu está vivo ou morto. Lá no fundo, no entanto, ela sabe que o marido está vivo, ela sente. Mas a pressão dos homens é grande, então ela diz que anunciará sua escolha assim que terminar de tecer um manto.
De dia, sob os olhos atentos de toda a corte, ela tece. De noite, quando ninguém vê, ela desfaz o manto, como forma de ganhar tempo. Na mitologia, a imagem de Penélope corresponde à fidelidade, ao amor verdadeiro.
Por que contar isso tudo? Para contar a Odisséia emocional do meu amigo Ulysses.
Ontem ele entra no MSN e me diz: "Sabe, eu nunca contei isso a ninguém, mas antes de começar a namorar com a Dani (aquele com quem ele até cogitou casar), eu estava ficando com outra garota, lembra?" Eu lembrava dessa história, sim. "Então chegou um momento em que eu tive de fazer uma escolha, e escolhi a Dani". Isso eu também sabia. "O que ninguém sabe é que, mesmo depois de namorando com a Dani, eu ainda pensava na outra garota. Até hoje, sempre penso nela". Homens... Eu falei para ele que o sexo masculino é muito complicado, quem quer tudo acaba sem nada e que é um absurdo eles só perceberem a cagada que fizeram depois de se darem mal. "Você gosta dela?", perguntei. "Gosto". "Então liga para ela. Você é solteiro, ela também". "Eu falo com ela, mas ela não me dá muita trela".
Meu pensamento: óbvio que não. Você trocou ela por outra. Minha resposta: "Você vai ter de provar para ela que está afim, vocês vão ter de começar do zero. Converse com ela, saiba ouví-la, dê atenção. E não pise na bola novamente".
Resposta dele: "Mas como eu faço isso?" Fazendo, oras.
Eu sei que não é fácil gostar de alguém. Sei que a gente só consegue entender uma história quando ela acaba, isso quando consegue. Mas aí já é tarde demais para tentar consertar. É a história do vaso quebrado. Nunca vai ser igual se você colá-lo. Só comprando um novo, ou seja, começando do zero.
Todo mundo traz em si um Odisseu que busca uma Penélope. Todos nós enfrentamos nossos dramas pessoais em busca de um amor de verdade. Todos nós já optamos por caminhos mais fáceis, pensando que eles fossem o caminho certo. Nem sempre o fácil é o certo. Nem sempre a gente reconhece o que é duradouro e o que é descartável.
O que importa é humildade para perceber quando erramos. E coragem para voltar atrás e recomeçar a andar. E foi isso o que eu disse ao meu amigo Ulysses.
sexta-feira, 29 de junho de 2007 | By: Mandi

Mulherices masculinas ou A Complexa Arte de Ser Homem

A cada dia eu aprendo uma coisa nova. Dizem que viver é isso. Mas poucas coisas me surpreendem, na verdade. A última delas, vou dividir por aqui, é resultado de uma conversa com Ulysses, um dos meus mais queridos amigos do sexo masculino. Dizem, aliás, que não existe essa coisa de amizade entre homem e mulher, que sempre um está querendo "pegar" (lembrem-se de que eu odeio esse termo) o outro.
Eu discordo. Eu não tenho intenção de pegar nenhum dos meus amigos homens porque os conheço bem demais para tal, inclusive seu "modus operandi" com a mulherada. Eles, pela mesma razão em relação a mim.
Outro dia, depois de muita enrolação da minha parte e insistência da parte do Ulysses, saímos para jantar e colocar a conversa em dia. Ele me contou do seu rolo, eu contei da minha solteirice. Concluímos que tudo seria mais fácil se a gente fosse apaixonado um pelo outro, como tanta gente já achou que éramos, nos acertássemos, como o pai dele e a minha mãe sonham há anos. Comentário dele: "aí haveria paz mundial, a fome acabaria e a Camila (ex-dele) tentaria nos matar". Ao que eu respondi: "Imagina, eu convidaria ela para madrinha de casamento". Eu sei, fui cruel. É tão engraçado uma das minhas pessoas favoritas no mundo se chamar Camila e a única que eu não gosto, que eu acho vil e baixa, também...
E papo vai, papo vem, surge o assunto de que nem sempre o que os homens dizem corresponde ao que eles realmente querem dizer. E eu que pensava que isso era uma particularidade feminina. Não é.
Todo homem acha que, quando uma mulher diz não, ela quer dizer sim. Eu não saberia dizer se isso é verdade ou não. Quando eu digo não, é não. Quando eu digo talvez, aí é outra história. Porque no talvez cabe o sim e o não, até eu me decidir.
E onde entram os homens nisso tudo? É assim. Muitas vezes os caras fazem média e não dão o braço a torcer sobre algo que sentem, ora por um medo inadimissível, ora por pura confusão. Já dizia aquela música: "Garotos não resistem/Aos seus mistérios/Garotos nunca dizem não/Garotos como eu/Sempre tão espertos/Perto de uma mulher/São só garotos".
Quando o Ulysses morava com a namorada e eu brincava, perguntando para quando seria o casamento, ele dizia que nem pensava nisso. Terminaram há pouco mais de um ano. No jantar, ele me disse que sonhava casar e ter filhos com ela.
Às vezes é só um teste. Dizer que não quer compromisso sério para ver se a mulher vai te levar a sério... Será? Vou refletir mais sobre isso. Bom dia a todas e todos!!!
quinta-feira, 28 de junho de 2007 | By: Mandi

Curso para formação de homens

Antes que me acusem de feminista, já vou avisando que eu recebi este e-mail do Sandro.
Sandro é um cara que eu só conheço pelo telefone, já que ele é o webmaster do site de um dos colaboradores do jornal e nos envia semanalmente a crônica do dito cujo. E toda sexta-feira liga para confirmar se recebemos. Nessa, ficamos amigos. Ele conta as histórias de sua filhinha, enchentes em Sampa... e manda e-mails divertidos, como esse.

INSCRIÇÕES ABERTAS - NÃO PERCAM
Novo Curso de Formação para Homens

OBJETIVO PEDAGÓGICO
Permite aos homens desenvolver a parte do corpo da qual ignoram a existência ( o cérebro ).

SÃO 4 MÓDULOS

Módulo 1: Introdução (Obrigatório)
1. Aprender a viver sem a mamãe (2.000 horas)
2. Minha mulher não é minha mãe (350 horas)
3. Entender que não se classificar para o Mundial não é a MORTE (500 h)

Módulo 2: Vida a dois
1. Ser pai e não ter ciúmes do filho (50 horas)
2. Deixar de dizer impropérios quando a mulher recebe suas amigas (500 h)
3. Superar a síndrome do " o controle remoto é meu" (550 horas)
4. Não urinar fora do vaso (1.000 horas - exercícios práticos em vídeo)
5. Entender que os sapatos não vão sozinhos para o armário (800 h)
6. Como chegar ao cesto de roupa suja (500 horas)
7. Como sobreviver a um resfriado sem agonizar (450 horas)

Módulo 3: Tempo livre
1. Passar uma camisa em menos de duas horas (exercícios práticos)
2. Tomar coca-cola sem arrotar, quando se está à mesa (exercícios práticos)

Módulo 4: Curso de cozinha
1. Nível 1 (principiantes - os eletrodomésticos) ON/OFF = LIGA/DESLIGA
2. Nível 2 (avançado) minha primeira sopa instantânea sem queimar a Panela
3. Exercícios práticos - ferver a água antes de por o macarrão

CURSOS COMPLEMENTARES:POR RAZÕES DE DIFICULDADE , COMPLEXIDADE E ENTENDIMENTO DOS TEMAS , OS CURSOS TERÃO NO MÁXIMO 3 ALUNOS.

1. A eletricidade e eu: vantagens econômicas de contar com um técnico competente para fazer reparos;
2. Cozinhar e limpar a cozinha não provoca impotência nem homossexualidade (práticas em laboratório);
3. Porque não é crime presentear com flores, embora já tenha se casado com ela;
4. O rolo de papel higiênico: Ele nasce ao lado do vaso sanitário? (biólogos e físicos falarão sobre o tema da geração espontânea)
5. Como baixar a tampa do vaso passo a passo (teleconferência);
6. Porque não é necessário agitar os lençóis depois de emitir gases intestinais (exercícios de reflexão em dupla);
7. Os homens dirigindo, podem SIM, pedir informação sem se perderem ou correr o risco de parecerem impotentes (testemunhos);
8. O detergente: doses, consumo e aplicação.Práticas para evitar acabar com a casa;
9. A lavadora de roupas: esse grande mistério!!
10. Diferenças fundamentais entre o ce sto de roupas sujas e o chão (exercícios com musicoterapia);
11. A xícara de café: ela levita, indo da mesa à pia? (exercícios Dirigidos por Mister M);
12. Analisar detidamente as causas anatômicas, fisiológicas e/ou psicológicas que não permitem secar o banheiro depois do banho.
sexta-feira, 22 de junho de 2007 | By: Mandi

Confissões de Adolescente, parte 2

Eu sempre fui louca por esta música, que tocou do nada outro dia e, pra variar, tocou meu coração.

Ordinary World, Duran Duran

Came in from a rainy thursday/On the avenue/Thought i heard you talking softly/I turned on the lights, the tv/And the radio/Still i cannot escape the ghost of you/What has happened to it all?/Crazy, some'd say/Where is the life that i recognize?/Gone away/But i won't cry for yesterday/There's an ordinary world/Somehow i have to find/And as i try to make my way/To the ordinary world/I will learn to survive/Passion or coincidence/Once prompted you to say/"pride will tear us both apart"/Well now pride's gone out the window/Cross the rooftops/Run away/Left me in the vacuum of my heart/What is happening to me?/Crazy, some'd say/Where is my friend when i need you most?/Gone away/But i won't cry for yesterday/There's an ordinary world/Somehow i have to find/And as i try to make my way/To the ordinary world/I will learn to survive/Papers in the roadside/Tell of suffering and greed/Fear today, forgot tomorrow/Ooh, here besides the news/Of holy war and holy need/Ours is just a little sorrowed talk/And i don't cry for yesterday/There's an ordinary world/Somehow i have to find/And as i try to make my way/To the ordinary world/I will learn to survive/Every world/Is my world, i will learn to survive/Any world/Is my world, i will learn to survive/Any world/Is my world/Every world/Is my world.

A tradução: Mundo comum

Eu vim de uma quinta-feira chuvosa pela avenida/Pensei que ouvi você falando suavemente./Eu liguei as luzes, a TV e o rádio,/Ainda não consigo escapar de seu fantasma/O que está acontecendo com isso tudo?/"Louco", alguns dizem./Onde está a vida que eu reconhecia?/Foi embora.../Mas eu não vou chorar pelo ontem,/Há um mundo comum/De algum modo eu tenho de encontrar./E enquanto eu tento trilhar o meu caminho/Para este mundo comum,/Eu aprenderei a sobreviver./Paixão ou coincidência,/Certa vez induziu você a dizer:/"O orgulho destruirá nós dois em pedaços"/Bem, agora o orgulho saiu pela janela,/Cruzou os telhados, fugiu,/Me deixou no vácuo do meu coração./O que está acontecendo comigo?"/Louco", alguns dizem./Onde está meu melhor amigo quando mais preciso de você?/Foi embora.../Mas eu não vou chorar pelo ontem,/Há um mundo comum/De algum modo eu tenho de encontrar./E enquanto eu tento trilhar o meu caminho/Para este mundo comum,/Eu aprenderei a sobreviver/Jornais ao lado da estrada/Contam sobre sofrimento e ganância,/Temidos hoje, esqueci amanhã./Ooh, aqui, ao lado das notícias/De guerra santa e nescessidade/A nossa é apenas uma conversinha de mágoa.../(Soprada para longe)/(Apenas soprando para longe)/Mas eu não vou chorar pelo ontem,/Há um mundo comum/De algum modo eu tenho de encontrar./E enquanto eu tento trilhar o meu caminho/Para este mundo comum,/Eu aprenderei a sobreviver/Qualquer um, é o meu mundo/(Eu aprenderei a sobreviver)/Nenhum, é o meu mundo/(Eu aprenderei a sobreviver).
quinta-feira, 21 de junho de 2007 | By: Mandi

Confissões de Adolescente

Muito antes de Bridget Jones ou a turma de Sex and The City dar o ar da graça no referencial feminino, aqui mesmo, no Brasil, houve ela. Maria Mariana e suas "Confissões de Adolescente". A minha geração sabe bem do que eu estou falando.
Teve peça de teatro, livro e, alguns anos depois, até série de televisão. O livro foi lançado em 1992. O meu, tá lá a data, eu comprei em 1993. Eu tinha 14 anos. Era incrível como aquelas páginas poderiam dizer tanto para mim. Meu exemplar já está amarelado, mas hoje me deu uma vontade muito grande de ir ao seu encontro.
E lá estava, logo nas primeiras páginas: "Adolescer é coisa tão complicada que a própria palavra vem de doer, de adoecer. Exagero dos romanos, que criaram no seu latim a palavra adolescentia com essa ambigüidade? Nem tanto." Mal eu sabia, do alto dos meus 14 anos que, 14 anos depois, muitos dos sentimentos aos quais eu fui apresentada naquela época, persistiriam até hoje. De maneira diferente. Eu até poderia dizer que a maturidade traz sabedoria e equilíbrio. Mas eu não estaria sendo honesta. Pelo menos hoje não.
A verdade é que na adolescência a gente descobre muita coisa. Mas são só nos momentos extremos que a gente descobre que é humano. E que ser humano está longe de ser perfeito. É quase ser ridículo.
Enfim. Daí eu fiquei folheando o livro, lembrando da minha adolescência. E não foi um período fácil. Imagina, eu gordinha e metida a intelectual, fã de Metallica e Sepultura. A um passo de conhecer o Nirvana e companhia limitada. Com direito a camisa xadrez e tudo. E um coração quebrado, porque fazia parte.
Aí o tempo passou e eu conheci um cara, Leandro. Não me apaixonei à primeira vista. Ele era completamente doido, nos tornamos amigos, fomos ao Monsters of Rock juntos. E, de repente, um dia eu percebi que gostava dele. Mas ele não parecia gostar de mim. Cá entre nós, nem tinha como ele gostar do moleque que eu era.
Uma noite em que a turma combinou de sair junto, coloquei um vestido, até arrisquei um batom. Ele já havia percebido que eu gostava dele. Eu nem me lembro bem o que conversamos naquela noite, mas eu lembro de ter falado algo do tipo: eu não gostaria de olhar para trás e perceber que eu perdi a chance de estar com você, de me arriscar. Porque eu acho que a vida é isso: é risco, para ganhar ou para perder. Eu posso ter perdido outras vezes na vida, mas naquela noite eu ganhei.
Tá certo que, depois eu descobri que ele já estava afim de mim e até tinha pedido ao meu irmão para namorar comigo (os dois eram amigos e nem precisa dizer que Danilão sempre foi ciumento). Acho que foi uma das noites mais bacanas da minha vida.
Namoramos por algum tempo. Era engraçado. Eu não podia ligar para ele durante semana das 20 às 20h30, porque era o horário do Mundo de Beakman. E ele estava proibido de me ligar das 20h30 às 21 horas porque, adivinha, era o horário do Confissões de Adolescente.
Nosso namoro terminou porque o Lê foi morar na Inglaterra. A gente meio que começou sabendo que tinha prazo para terminar (tô começando a achar que o modus operandi se tornou repetitivo, ora o cara parte, ora eu parto).
O Lê é uma das pessoas mais doidas que já passou pela minha vida, e provavelmente uma das quais eu sinto mais falta, apesar das reviravoltas que o mundo dá - e de tudo o que aconteceu depois que ele voltou. Talvez eu conte essa história aqui um dia. Vez por outra ainda nos falamos. É um bom amigo.
Por aqui ficam as minhas confissões de adolescente. E ponto.
terça-feira, 19 de junho de 2007 | By: Mandi

Um ano

Dentro de alguns dias vai completar um ano que eu voltei dos Estados Unidos, depois de um ano fora. Há tempos tenho feito anotações mentais para escrever um balanço deste último ano. Por que, você me pergunta, escrever sobre esse último ano? Porque foi uma espécie de renascimento.
Em um ano, eu já tive vontade de partir, novamente, porque achava que meu lugar não era mais aqui. Eu tive de reaprender a ser jornalista. Eu tive de lidar com meus demônios, minhas saudades. Eu tive de reconquistar amizades e me despedir de pessoas de quem eu gostava muito.
Em um ano, eu já tive vontade de ficar. Achei que tivesse encontrado o meu lugar. Mas às vezes, isso é só uma impressão que a gente tem, quando quer muito uma coisa. Ou simplesmente, quando aprende o que é ser feliz. Mas, como diz a minha avó, não há bem que tanto dure, nem mal que nunca termine. Vou ter de confiar nela.
Depois de um ano, hoje, volto a ter dúvidas de onde é o meu lugar.
Em um ano, eu acertei algumas vezes, errei muitas outras. Aprendi que não existe perfeição, por mais que eu me esforce e provavelmente continue errando em busca de algo próximo dessa perfeição. O mais importante, no entanto, é a consciência de que tudo funciona sob um ponto de vista. Nem sempre o outro está olhando na mesma direção que a gente. E todo mundo tem esse direito.
Em um ano, para ser sincera, ontem, eu aprendi tardiamente o que toda criança já sabe: que quanto mais você cutuca uma ferida, mais ela demora para cicatrizar. E toda vez que a gente fere alguém, por incrível que pareça, quem sai mais ferido somos nós mesmos.
O que eu já sabia, mas tive de viver mesmo assim, é que não importa quanto tempo passe, mas se um dia a gente feriu alguém, um dia alguém vai nos ferir. Ação e reação. Então, o melhor mesmo é desejar o bem e a felicidade aos outros.
Em um ano eu conheci pessoas que estarão para sempre em minha vida, independentemente da distância que se crie, porque elas já fazem parte de mim.
Eu realmente não posso afirmar se saber tudo isso me seria útil há um ano. Provavelmente não. Também não sei se vai ser útil daqui para frente. Eu espero que sim. Mas a realidade, pra valer, é que eu vou continuar errando e acertando. E aprendendo, quem sabe, para um dia me tornar uma pessoa sábia.
sexta-feira, 15 de junho de 2007 | By: Mandi

Como me dar o pé na bunda em três lições

O título original deste post seria "Aviso aos futuros pretendentes" ou "Aviso aos Navegantes".

Mas achei que "Como me dar o pé na bunda em três lições" despertaria maior interesse dos leitores, apesar de ser um pouco sensacionalista. A verdade, no entanto, é que é sobre isso mesmo que este post trata.

Rompimentos, no geral, são difíceis. Quando alguém toma a decisão de terminar um relacionamento e percebe que não tem como voltar atrás, geralmente começa um desgastante processo, que resulta em brigas, pessoas machucadas, mortos e feridos. Às vezes um dos dois é pego de surpresa mas, vá lá. Todo mundo tem sua técnica (ou falta de técnica) para romper com alguém.

Hoje eu estou aqui para ensinar como romper comigo. Em três simples e descomplicadas lições que qualquer homem é capaz de aplicar.

É por isso que eu peço a você, futuro sabe-se-lá-o-quê que decidir entrar em minha vida: me poupe de sua sinceridade. Principalmente se eu começar a gostar de você pra valer. Ela faz mal para a minha auto-estima, tira o meu sono e atrapalha o andamento do meu trabalho, que é basicamente intelectual.

E tem mais. Eu já sei que o interesse masculino tem prazo de validade. Só que vez por outra eu me esqueço. Então, papel e caneta na mão:

1. Seja extremamente ciumento. Faça cobranças, jogue na minha cara que eu não ligo para você, que eu dou mais atenção para o cachorro que passa na rua do que para você. Tenha ciúmes dos meus amigos, até mesmo os gays. Diga que não confia em mim e acha que estou saindo com outra pessoa. Me acuse de ser desonesta e, se for do tipo corajoso (ou completamente louco), me chame de biscate.

2. Seja grudento. Me ligue várias vezes por dia, principalmente quando souber que eu estou ocupada, no trabalho. Apareça de surpresa, deixe recados melosos no meu celular. Invente apelidos esdrúxulos, me chame de princesa. Demonstre que está carente, exija atenção. Torne-se uma pessoa sufocante, que não me deixa respirar.

3. Faça planos e mais planos. Se for criativo, comece a falar sobre casamento com poucas semanas de relacionamento, tente me obrigar a seguir regras e tradições da sua família. Insista em me apresentar sua família e para todos os seus amigos. Diga que quer ter filhos comigo e faça questão de dizer que, na sua família, a tradição é que as crianças herdem os nomes dos pais ou avós. Filho, Junior, Neto. Ignore todas as minhas opiniões.

O pulo do gato, como diria o meu tio, é que se você fizer isso tudo quando eu estiver na TPM, o efeito é melhor ainda. São dicas empiricamente comprovadas. Sucesso garantido ou o seu dinheiro de volta.

E o melhor de tudo é que, se você começar com isso na segunda-feira, as chances são grandes de na sexta-feira você já não ouvir mais falar de mim. Sem brigas, sem discussões. Eu vou sumir da sua vida e, ainda assim, seremos bons amigos.
quinta-feira, 14 de junho de 2007 | By: Mandi

O homem sincero

O Homem Sincero é um de meus blogs favoritos.
Descobri ele por acaso.
É assinado por Fabio Hernandez, um escritor que tem publicado um livro com o mesmo nome.
Daí hoje tinha o seguinte post: "Inteligência atrai inteligência?"
O questionamento dele partiu da releitura do livro "Contraponto", de Aldous Huxley. Tomei a liberdade de reproduzir parte do que ele disse:
Num trecho, uma mulher casada, provocativa e flertadora diz a um homem – ao qual oferece a vista poderosa de um pedaço dos seios pelo decote ousado -- mais ou menos o seguinte: “Uma pessoa inteligente não se casa com outra pessoa inteligente. Veja, por exemplo, meu caso. Meu marido vive reclamando que sou inteligente demais.” É uma frase que faz pensar. Não sei se é uma frase genial ou idiota. E você, que acha?
Eu sempre brinco que, na próxima vida - se houver uma - eu quero nascer e permanecer burra. E, se Deus ajudar, vir loira, já que, segundo a sabedoria popular, elas se divertem mais. Mas eu queria mesmo é ser burra. Daquele tipo que ri de tudo pelo simples fato de não entender o que está acontecendo (gente, acabei de lembrar de alguém assim... a Mariane. Pronto, quero vir igual à Mariane. Mas aí a Juba não seria minha amiga... não sei, é um preço alto demais, viver esta vida sem ter a Gorda ao meu lado). Hoje, meu humor acaba quando eu tenho de explicar a piada...
Mas a verdade é que a vida é cruel. Não adianta ser ruiva e inteligente, porque as loiras (burras ou não) sempre levam a melhor... É uma constatação óbvia, eu sei. Azeda? Nada.
Certa vez meu amigo Marcunda me sugeriu descolorir o cabelo e tentar viver como loira por pelo menos uma semana. Impossível, eu diria. Me faltam qualidades.
Onde é que eu estava mesmo?
Ah, isso mesmo. A frase é genial. E deixa pra lá, que eu vou dormir.

Querido Marcunda:

A verdade é que ontem, quando conversamos, você foi cruel. Aproveitou tudo o que sabia sobre mim e me desmontou, sem ter dó. E teve a cara de pau de dizer que era para o meu próprio bem e que me disse tudo aquilo porque gostava de mim e se importava comigo.
Não sei se você tinha noção do que estava fazendo.
Sabe o que é alguém te conhecer bem o suficiente para te destruir, por completo, ignorando sua fragilidade?
E então eu fui dormir.
Dizem que o travesseiro é um bom conselheiro.
Não sei se é.
Aí hoje de manhã eu acordei. E me lembrei que essa noite eu sonhei. Sonhei com as crianças que eu tomava conta lá nos EUA, os pestinhas. É estranho, mas vez por outra eu sinto saudades dos moleques. Sinto saudades dos momentos bacanas que eu tive com eles, como eu gostava de passar horas lendo com eles. Aliás, o sonho foi sobre isso. Das vezes que eles pediam aos pais para deixarem eu ler para eles antes de eles dormirem...
Se esse sonho tem algum signficado? Não sei, talvez tenha sido só um sonho.
E eu acordei mal. Procurando os caquinhos de Amandita espalhados pelo meu caminho, apesar de não ter sido isso o que você me mandou procurar. Pensei na única coisa que me faria me sentir melhor. Ramones. "Loco Live".
Joey Ramone é meu pastor e nada me faltará...
E foi ouvindo Ramones que eu entendi as coisas que você me disse. E, mesmo discordando de algumas delas - não poderia ser diferente, né - eu quero te contar que eu resolvi jogar os caquinhos da Amandita no lixo. Pelo menos aqueles que não servem para nada.
E te dizer que hoje eu tive um bom dia. De verdade.
Vai ver é isso mesmo. Para se construir algo novo, é preciso destruir o antigo, aquilo que não serve mais. E depois fazer uma boa limpeza, para não deixar que os cacos fiquem nos caminhos, correndo o risco de se machucar por conta de um esbarrão acidental.
É isso.

One, two, three, four

Só Ramones salva.
quarta-feira, 13 de junho de 2007 | By: Mandi

O jantar dos desnamorados

Tudo começou ontem de manhã. Juba me ligou no jornal e combinamos de jantar à noite. Se tem gente que comemora o dia dos namorados, a gente celebra a nossa amizade com comida japonesa e dando risada em qualquer dia do ano. Aí a história correu feito pavio aceso. Chamei o Anderson, que topou na hora, a Li, que não foi. A última a aderir à idéia foi a Karina, que merecia uma folga, depois de ter estreado na editoria de Polícia.
Já no restaurante, com o Anderson estavam o Edson e a Maria Helena.
E, na mesa ao lado, um trio do barulho. Wagner e Andréia, com quem eu estudei quando éramos crianças, mais a namorada do cara. Trêbados, falando alto e constrangendo a todos que estavam no restaurante, inclusive as garçonetes. E, por mais que a gente seja adepto do "cada um cuidando bem da sua vida", foi difícil ignorá-los.
Depois de muita confusão na mesa deles, e muita diversão na nossa, eles foram embora, quase botando o restaurante abaixo. Teve desmaio, choradeira, gritaria. Melhor do que novela mexicana. E, depois que saíram, a gente ainda ouviu a gritaria lá fora.
E assim foi o nosso jantar.
No dia seguinte...
Celular toca. É o Anderson.
- Amanda, você está vendo o jornal na tevê?
- Não, por quê?
- Como não, como não?
- Ué, o DV tá com o controle, sei lá o que ele está vendo.
- Adivinha quem foi preso?
- Quem foi preso?
- O Wagner.
- Como assim?
- Preso. Ontem.
- Preso?
- É, acabou de dar a notícia no jornal.
- Preso como?
- No Rodeio. Numa barraca de hot-dog. (Nisso, a Juba, que tinha me ligado para me chamar para almoçar, estava na outra linha, ouvindo tudo).
Pergunta da Juba: - Fazendo o que numa barraca de hot-dog, depois de jantar no japonês?
- Sei lá, vai ver ele estava com fome.
- Preso por quê?
- Ah, disseram que ele se identificou como policial, bêbado, e não é policial nada.
- Eh, que eu saiba não é mesmo.
- Então, ele estava armado.
- Armado?
- Armado?
Nessa hora eu pensei: putz, eu sabia que o cara andava armado. A Maria Helena também levantou a bola no meio do jantar. Mas, daí a achar que ele fosse usar...
- Armado.
- E daí?
- Vou desligar, depois você conta - disse a Juba, já estressada com o blá-blá-blá.
- E daí que ele está no CDP. Preso.
- Gente, que coisa.
- É. Depois eu passo no jornal para saber mais com o Laércio (editor de Polícia).
- Tá bom.
- É osso*.
- É osso*.

O que é osso*, você deve estar se perguntando?
Isso, só a Inês, que não estava lá, sabe.
Afinal, foi seu grito de guerra na Parada Gay, de São Paulo, e em um velório, que ela resolveu ir em seguida, com o Edson, bêbada, sem conhecer o morto.

E daí você me pergunta se foi um bom dia dos namorados? Foi o melhor.
terça-feira, 12 de junho de 2007 | By: Mandi

12 de junho

Repitam comigo: hoje é um dia como outro qualquer.
Estando só ou acompanhado.
É só mais um dia em que o comércio fatura.
Porque, quando é pra valer, ninguém precisa de um único dia no ano para ser legal com seu par, para fazer coisas bacanas juntos ou para inventar uma surpresa.
sábado, 9 de junho de 2007 | By: Mandi

Saudades de Álvaro de Campos

Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Breja no Morumbi

Sexta-feira.
Depois da folga na quinta-feira, feriado, o trabalho acumulado.
Sempre evito deixar o MSN ligado no trabalho, mas como pouco tenho usado o dito cujo em casa, mandei às favas. Em quase um ano de volta ao Brasil, só vi um querido amigo uma vez. Por acaso. Jornalistas enrolados, eu diria. E ontem ele estava no MSN. "Tô em Mogi, vamos almoçar?" "Tô no trabalho. Mas, tá bom, vamos". Ele arrebanhou mais um amigo nosso e lá fomos nós almoçar. Sem vontade de voltar para o jornal, depois.
Ficou combinado que eu teria até às oito da noite para terminar minhas coisas e aparecer no Morumbi para tomar uma com eles. Confesso que não estava no pique para sair. Ainda mais sexta-feira, 20 horas.
Por outro lado pensei: que mal vai me fazer?
Ao chegar no Morumbi, cadê a dupla? Nada no salão. Estavam no balcão. Apesar de ser velha frequentadora do Morumbi, nunca havia ficado no balcão. Testosterona demais para o meu gosto. Aí pensei: beleza, balada de macho. Só faltou o futebol. Era olhar para o ambiente e só tinha cueca. E eu, de jaqueta cor-de-rosa, lá no canto.
E lá eu não precisava me preocupar se o meu cabelo estava sujo, se eu ainda não havia tomado banho depois de um dia inteiro de trabalho ou em tentar parecer sensível e feminina. Acreditem, ultimamente eu ando menos feminina do que nunca e sem paciência para isso. Do tipo "meu rosto dói quando eu dou risada". Garota enxaqueca total.
Agora, cá entre nós. Papo de macho pouco difere do papo de fêmea.
Logo que cheguei, me mostraram uma revista com ensaios fotográficos pseudo-sensuais de mulheres e um cara. Eles queriam saber a minha opinião sobre a masculinidade do rapaz. Mas, a minha teoria é a seguinte: o cara tava à vontade demais com a bunda dele. E, até onde eu sei, os homens no geral têm dificuldade de lidar com a própria bunda. Medo de gostar, já que eles associam isso ao homossexualismo. Enfim.
Mas isso foi só uma parte.
Não existe nada mais libertador do que tomar cerveja e não precisar parecer atraente. Melhor ainda quando os caras que estão com você não te consideram atraente. Poder ir ao banheiro e usar frases do tipo "calma aí que a natureza está chamando".
Não, eu não quero virar homem.
Mas, vez por outra, é muito mais fácil ser um deles.
sexta-feira, 8 de junho de 2007 | By: Mandi

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças



Sinopse:
Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) formavam um casal que durante anos tentaram fazer com que o relacionamento entre ambos desse certo. Desiludida com o fracasso, Clementine decide esquecer Joel para sempre e, para tanto, aceita se submeter a um tratamento experimental, que retira de sua memória os momentos vividos com ele. Após saber de sua atitude Joel entra em depressão, frustrado por ainda estar apaixonado por alguém que quer esquecê-lo. Decidido a superar a questão, Joel também se submete ao tratamento experimental. Porém ele acaba desistindo de tentar esquecê-la e começa a encaixar Clementine em momentos de sua memória os quais ela não participa.
Há algumas semanas estava para escrever sobre este filme. Mas nunca tinha a oportunidade, até que ela apareceu, metendo o pé na porta (ou na bunda, vai saber). Não sei se vocês já assistiram. "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças". Eu me lembro quando eu o assisti e logo ele se tornou um dos meus favoritos. Me fez pensar e eu me apego facilmente a tudo o que me causa reflexão.
Se você vivesse uma história com alguém e essa história terminasse, e houvesse a possibilidade de você apagar a lembrança disso tudo da sua mente, o que você faria? Gostaria de saber o que os leitores deste blog pensam. Mas, neste momento, vou dizer o que eu penso. E a minha resposta é: depende.
Sempre adorei história. E sempre tive a certeza de que nossa história é única e que nós somos capazes de aprender com ela. Sabe aquela coisa de não repetir nossos atos quando sabemos que eles já não funcionaram uma vez? Mas a memória pode ser cruel, também. Pode ocupar um espaço e criar barreiras no futuro.
Esse tipo de lembrança, eu apagaria.
Apagaria as lembranças que me impedem de ouvir uma música ou assistir um filme. Que me impedem de ler um livro ou de sorrir com sinceridade. Eu apagaria, sim, aquelas lembranças com as quais eu não sei lidar e que me fizeram tomar as decisões que tomei ou fiz com que outras pessoas tomassem, criando um vazio que ocupa espaço, ao menos para mim.
Mas isso sou eu, fazendo drama e sendo mulherzinha.
terça-feira, 5 de junho de 2007 | By: Mandi

Vocabulário

Inflexão.

1 mudança da direção ou da posição normal; desvio
2 determinada entonação ou acento na pronúncia de uma frase; tom
segunda-feira, 4 de junho de 2007 | By: Mandi

O velho jornalista

Partiu. Partiu como muitos de nós, jornalistas, gostaria de partir. Escrevendo.
Chegou a notícia agora há pouco, aqui na redação. Roberto Monteiro, o Bob para todos nós, apaixonados por ele.
Estranho olhar aqui para a redação, que agora tem outra cara, uma cara muito diferente de quando entrei aqui pela primeira vez. Me lembro dele sentado, lá no canto, onde gostava de trabalhar todas as manhãs. Lembro de todas as vezes em que conversamos, das histórias que me contou, das lições que ensinou.
O corpo já estava cansado há muito tempo, mas ele continuava escrevendo, ainda que fosse em casa, e não aqui. Os velhos olhos azuis, sempre tão atentos, sempre tão doces, não nos reconhecia mais. Era o tempo. Esse tempo que passa, tanto para o bem, quanto para o mal.
Me incomoda quando as pessoas dizem que alguma coisa vai passar, quando na verdade só o tempo é que passa de verdade. A saudade, por exemplo, não passa. Só se faz crescer.
As lembranças também não passam.
Eu queria escrever um texto melhor, contando o que eu sabia sobre esse velho jornalista. Não o que ele foi para o mundo. Eu seria incapaz de medir a dimensão disso tudo. Seria incapaz de dizer tudo o que ele foi para mim. O que ele me ensinou. Lições valiosas de humildade numa profissão em que é tão fácil se perder pelo ego.
O aviso, logo no começo. "Minha filha, jornalismo é vocação. Você abre mão de todo o resto, em nome dele". Ou ainda: "Há duas escolhas que podemos fazer na vida: ou você escolhe ser rico, ou você escolhe ser jornalista. Não dá para fazer ambos".
Bob era como um avô, para mim. Cheio de histórias para contar, de sabedoria para dividir. Nunca negou uma boa conversa.
Bob viveu na minha vida dez anos. Tão pouco, olhando agora.
Mas, vai ver é isso. A lição final do velho jornalista é que a vida é efêmera.
Esteja bem, Bob. Onde estiver.
terça-feira, 29 de maio de 2007 | By: Jujuba

Post anônimo

Já que a gente tem recebido vários comentários anônimos, achei justo também fazer um post sobre coisas anônimas, sobre sentimentos anônimos. Por mais que o(a) destinatário(a) desse texto não seja anônimo, aqui vai.

Tem horas que a gente perde as referências. Perde os parâmetros, perde o sentido, perde a razão. As conseqüências de tudo isso só são sentidas por quem vive.
Então não há palavras, não há ações, não há abraço nem presente suficiente pra suprir.

Eu só queria te dizer que os meus braços estão abertos para todas as suas angústias, suas dúvidas, suas felicidades e suas incertezas. Eu não tenho a resposta de nada. Nem mesmo para os meus próprios problemas (que você sabe que são tantos), mas dividir as coisas com vc faz com que eu me sinta presente. Eu tomo as suas dores como se fossem as minhas e, por vezes, eu desejo que o destino ferisse a mim, que já sou muito mais calejada do que você. Só pra não ver você chorar.

Um dia você me perguntou quando é que foi que nós soltamos as mãos nessa trajetória torta que nós seguimos. Desta vez eu tenho a resposta: Nunca.
As nossas mãos talvez não tivessem atadas, mas a certeza de saber que elas existem e que elas vão estar lá para te confortar, para apertar bem forte quando precisar, pra enxugar as lágrimas quando elas vierem e, por que não, para dar uns tapas quando for preciso acordar. Essa certeza vale mais do que tudo.

Eu estou aqui mais do que nunca porque você faz parte daquela seleta lista de "certezas" que a gente tem na vida. Eu tenho certeza de que todos vamos morrer, de que eu amo a minha mãe e de que você é minha amiga. Isso ninguém me tira.

Por fim, só queria te dizer que eu tenho medo que vc perca uma coisa que eu acho incrível em você. A sua capacidade de amar os outros. Porque vc me ensinou a amar a si próprio antes de tudo, mas sem querer você mostrou uma das suas virtudes - que eu considero como uma das melhores - que é a de amar os outros.
Acho incrível a maneira que vc consegue enxergar a beleza nos outros, o modo que vc valoriza os pequenos gestos, o seu senso apurado de percepção que demonstra que você não vai pelas palavras, mas sim pelas pequenas coisas que realmente têm significado.
Acho incrível você amar as pessoas não porque elas são honestas, bonitas ou elegantes ou por qualquer outra virtude que tenham. Você as ama pelo que elas representam pra você.

Acho incrível tudo isso e fica aqui o meu pedido para que nada disso se perca. Que você continue vendo as pessoas pela ótica que só você tem, que continue valorizando-as à sua maneira, que essa capacidade de enxergar beleza (onde às vezes ela inexiste) continue com você.
Você me ensinou isso, quase sem querer. E é por isso que eu consigo enxergar isso em você.

Conte comigo. Pra ontem. Pra amanhã. Pra sempre.
quarta-feira, 23 de maio de 2007 | By: Mandi

Você

Eu aprendi a perceber quando você se aproxima. Chega como não quer nada e tenta virar meu mundo de pernas para o ar. Primeiro, é a ansiedade. Me causa aflição ter de esperar por qualquer coisa, seja as horas que parecem ter feito um complô para passarem mais devagar, seja para nada sair da maneira que eu espero. Só porque você está por perto, tudo resolve dar errado.
Depois, são as dúvidas. Tudo é razão para eu me questionar, não saber se o que eu estou fazendo é certo, se gostam de mim, se eu gosto de alguém. A insegurança é ridícula, eu sei. Mas, lembre-se. Quando você está por perto, eu perco o controle. Só existem os extremos. Tudo, nada. Nunca ouvi falar de meio termo.
Às vezes eu fico bem. No minuto seguinte, triste. É como se eu não soubesse ao certo o que sentir. Tudo parece muito mais difícil, o preto e o branco se tornam cinza. Nada faz sentido. Pode ser que eu esteja exagerando, mas é assim que eu me sinto. Tudo isso por causa de você. Será que em algum momento você já se deu conta disso?
Eu queria saber lidar com estes sentimentos, com esse turbilhão emocional que me afoga quando você está por perto. Eu começo a me descabelar, principalmente porque eu descobri que existe uma maneira de conter a fúria com a qual, vez por outra, você usa para devastar minha vida... Exageros? Não.
E a carência, então... Sabe a diferença que faz um colo, um carinho, uma atenção especial quando você está por perto? Não faz idéia...
A verdade é que não existe exageros em se tratando de você.
Pena que, quando eu resolvo te enfrentar, já é tarde. Você já partiu. Já vai tarde, maldita TPM...
quinta-feira, 10 de maio de 2007 | By: Jujuba

Eu quero sempre mais.

Eu tenho entrado nesse blog quase que diariamente para ver se tem atualizações.
Adoro os textos da minha amiga Mandi, mas percebi que minha colaboração nesse espaço é quase nula e que eu precisava estar mais presente. Não só aqui, mas talvez em todos os locais que ocupo, porque presença física não é presença mental. Ah, enfim, muito complexo.

Daí me sobrou um tempo na redação e eu resolvi escrever. Sobre algo que se aplica a mim, mas tenho certeza que a muitos seres humanos também. (Se disserem que nunca passaram por isso, vou me sentir o ser mais estranho do planeta).

É aquela coisa de a gente querer sempre o impossível. Sempre aquilo que não está ao nosso alcance. Aquela coisa de que o jardim do vizinho é sempre mais florido que o seu.
Não. Não to falando de inveja. Tô falando daquela coisa que vc almeja pra si proprio... repara que ninguém nunca almeja algo que está próximo da sua realidade.
Parece um círculo vicioso. Você quer sempre mais. Isso é, conforme eu aprendi no Vera Cruz, meu colégio elitista metido a esquerdista, a base do Capitalismo. Essa busca incessante de algo que nem se sabe o que.

Uma pessoa doente almeja a cura. Alcançada a cura, almeja ser magra. Alcançada a magreza, almeja ter o nariz mais fino. Alcançado o nariz fino, almeja ser rica. Alcançada a riqueza, almeja ser famosa. E daí perdeu-se tanto tempo que ela já nem lembra que um dia esteve doente. Afinal, agora ela é rica.

É uma puta de uma viagem, mas faz sentido.
Quando eu estava no colegial, antes de eu entrar na faculdade, eu amava um garoto judeu. E olhando agora eu vejo que nunca o amei. Eu amei o sentimento de amar o impossível. Complexo.
Amei as histórias de eu ter que me converter de religião, a contragosto da minha família e da dele, por um bem maior que seria ficar junto. Num dramalhão estilo Nelson Rodrigues.
Amei porque era impossível e que, por isso, tinha mais graça. Fazia mais sentido, me motivava, me tirava o sono.

Não discordo das pessoas que sonham . Mas tentar criar uma outra realidade pra si mesmo é como uma crise de identidade. Eu, hoje, sei dos infortúnios de um jornalista. E é por isso que meus sonhos são cada vez mais humildes, como por exemplo... virar hippie e vender coco verde na praia, talvez.
domingo, 29 de abril de 2007 | By: Mandi

Muito além do jardim...

Tá, por acidente a televisão aqui em casa está ligada e está passando "Fantástico". Um quadro com a Fernanda Lima, em que ela fala com os jovens sobre suas dúvidas, anseios, etc e tal... Coisas da Globo... Aí ela lança a questão, se o jovem de hoje em dia quer abrir mão da vida de solteiro em função do compromisso ou se prefere continuar solteiro e deixar para encontrar alguém mais adiante.
É certo que ninguém me perguntou nada. Mas, como quem manda aqui sou eu, vou dar a minha opinião. Primeiro foi a coisa do estereótipo. A mulher desesperada para se casar. Uma figurinha que nem namorado tem, não gosta de sair, mas que já tem o enxoval completo. Inclusive uma plaquinha indicando o quarto do bebê. Poxa, acho que o desejo dela é legítimo, mas talvez ela tenha uma concepção ilusória do casamento.
Acho que todos nós temos direito a sonhar. Mas também acredito que é preciso colaborar com a sorte, ir à luta. Não acredito em gênios da lâmpada. E também acho que as mulheres que sonham com casamento nunca ultrapassam o vestido branco e a festa depois da igreja. O dia seguinte, e todos aqueles que vêm depois, ninguém lembra.
Depois, veio o galinhão. Solteirão convicto que, aos 29 anos, gosta de mulher, de música romântica. "Pega" todo mundo, mas não quer saber de compromisso. Sua posição tem embasamento nos depoimentos que se seguem, dos caras dizendo que são novos demais para se comprometer, etc e tal.
A coroação veio com a opinião do especialista. Um cara que tinha um tique de ficar mexendo na franja, o que me lembrou Fernando Collor, e deu a dica para a mulherada: "Não se desespere. O desespero reduz a chance". Chance de quê, cara pálida? De arrumar marido.
Um dia eu ri muito no jornal, quando vi o release de um livro chamado "Não Sou Feliz, Mas Tenho Marido". Gente. Ninguém precisa de marido para ser feliz. Conheço muita gente que tinha marido e não era feliz. Mesmo.
E, cá entre nós, felicidade não é um constante estado de graça.
Correndo o risco de cair no lugar comum, a felicidade está nas pequenas coisas. E compromisso não é um papel, um rótulo, uma aliança. É comprometimento. É saber que você tem com quem contar e estar lá quando o outro precisar de você. É ser parceiro, amigo.
E tem mais. Tudo isso aí que eu disse, sobre comprometimento, não aparece do dia para a noite. É coisa do dia-a-dia, que se cultiva. Assim como todo o resto.
Sei lá. Talvez eu é que sou errada.