quinta-feira, 27 de dezembro de 2007 | By: Mandi

Je Souvien

Quando fui ao Canadá, as placas dos carros em Quebec traziam isso escrito logo abaixo das letras e números. Quer dizer "eu me lembro".
Há tanta coisa que eu me lembro. Nesta época do ano não é diferente. Aliás, eu gosto de colecionar lembranças. Razão pela qual eu guardo rolhas de vinhos.
Tudo começou quando fui para o Sul do Brasil, em fevereiro de 2005.
Por alguma razão doida, eu queria de toda forma ir a uma fábrica de vidros, destas artesanais. Acho fascinante esta arte de dar forma ao vidro por meio do calor e do sopro. Não consegui, mas em uma feira em Bento Gonçalves havia alguns artesãos fazendo vidro e eu comprei um. É um formato estranho, pesadão, que encontrou sua função naquela mesma viagem: depósito de lembranças em forma de rolhas. Desde então, todo vinho que eu bebo, se eu tenho a chance, eu guardo a rolha. Nela escrevo a data, o lugar e quem estava presente.
Não tenho tantas rolhas assim.
Mesmo que uma ou outra traga uma recordação que um dia foi boa e hoje me é indiferente, estão todas ali. Aquela do jantar de despedida de minha família americana, um dia antes de eu voltar ao Brasil. Eles foram gentis o suficiente para me levarem no mesmo restaurante onde almoçamos em meu primeiro dia em Providence. Um restaurante italiano em Federal Hill.
Ou de um jantar bacana em uma cantina em Sampa.
Tem a rolha do champagne - que não é champagne, porque champagne de verdade é somente aquele produzido na região de mesmo nome, na França, como meu tio Newton sempre gosta de lembrar - na verdade, do vinho frisante - que comprei para comemorar o plantão de Natal na última segunda-feira, com o pessoal do jornal.
Neste Natal, guardei mais algumas. Junto com as lembranças dos momentos compartilhados com minha família, que dentre todos os que guardo, são os mais preciosos para mim.

Je souvien.
terça-feira, 25 de dezembro de 2007 | By: Mandi

O amor e o poder

Eu tenho uma teoria.
Mais uma entre milhares delas, que borbulham a minha mente.
Eu já expliquei esta teoria para várias amigas, não sei se elas chegam a concordar comigo, mas é uma questão de observação. Homens criados por mulheres fortes não têm medo de mulheres fortes. Homens criados por mulheres submissas, sim.
Pense bem, leitor, leitora. Eu acho um absurdo quando um homem diz que o que mais o atrai em uma mulher é a inteligência. O Orkut está cheio destes casos. Porque, na maioria dos casos, é a mais pura mentira. Talvez a primeira de uma série.
De acordo com a minha teoria, um cara que foi criado por uma mulher independente, que trabalhou a vida inteira, não terá problemas em se relacionar com outras mulheres independentes, inteligentes e seguras. Porque ele simplesmente já está acostumado com isso. Para ele, é normal que uma mulher trabalhe, tenha seu próprio dinheiro e cuide de sua própria vida.
No caso de homens criados por mulheres submissas ou donas de casa - mulheres que trabalham pacas, mas que não são devidamente reconhecidas e que, infelizmente, dependem do dinheiro do marido para administrar a casa -, uma mulher independente torna-se terreno desconhecido. É assustador.
Conheço vários exemplos que me fazem acreditar nesta teoria.
Há, por exemplo, o caso do meu irmão, que por mais machista que pudesse ser, casou com uma mulher independente e extremamente inteligente. Foi criado por minha mãe, que sempre deu duro, trabalhando como professora. E sempre foi cercado por tias independentes, verdadeiros exemplos de profissionais competentes e seres humanos incríveis.
No outro extremo, há um conhecido criado por uma mãe dona de casa, completamente submissa ao marido e sem muitas perspectivas. O cara finge que acha o máximo se relacionar com mulheres inteligentes, mas se observarmos seu histórico, ele nunca conseguiu ficar muito tempo com elas, preferindo sempre se relacionar com outras mais parecidas com o que ele conhece.
Afinal, a psicologia diz que todo homem procura uma mulher que seja como sua mãe. Porque, no final, é isso que ela acaba se tornando... Se eu busco um homem como meu pai? Deus me livre.
O que eu busco em um homem é assunto para outro texto.
Se a minha teoria é radical demais? Para os homens, provavelmente, pois todos eles certamente discordarão de mim, já que são incapazes de enxergar isso.
Mas eu ainda tenho fé naqueles capazes de superar seus medos e, quem sabe, provarem que a minha teoria está errada. Eu gostaria de voltar a acreditar na capacidade masculina de serem tão homens quanto nós somos mulheres.