terça-feira, 13 de novembro de 2007 | By: Mandi

Terapia de choque

Hoje foi o dia em que tudo aconteceu.
E a mais leve delas foi o DVD pirata do filme "Tropa de Elite" ter finalmente chegado às minhas mãos. Aquele que tem rodado há tempos na redação. E, de repente, eu me vi presa à situações de um roteiro de um filme que eu nem assisti ainda.
Agora, olhando para trás, só faltava a trilha sonora... "Chegou a Tropa de Elite, osso duro de roer, Pega um pega geral, também vai pegar você, Tropa de Elite, osso duro de roer, Pega um pega geral, também vai pegar você".
É bem assim... se você não resolve determinadas coisas no tempo certo, a vida se torna uma tropa de elite. E é um osso duro de roer. Pega um, pega geral, até que pega a gente.
No meu caso não foi diferente. Lembrando a frase célebre de Millôr Fernandes, dos problemas os meus são os piores. Acontecem todos comigo.
E daí que eu tive uma discussão séria no trabalho, com a minha chefe. O problema começou ontem, mas ganhou uma dimensão tão grande hoje que acabou resultando em uma sessão descarrego. Desabafo puro. Falei muita coisa que precisava ser dita, até porque eu gosto demais dela e acredito que, se eu não dissesse tudo aquilo, ninguém mais diria. Às vezes é preciso colocar uma estrutura abaixo para poder construir uma mais forte. Eu espero que ela pense da mesma forma.
Mas nada disso me preparou para o fim do dia.
Hoje rolou um show do Frejat aqui na Cidade. Eu nem estava afim de ir, por mais que eu goste do cara. Mas eu tive de ir para entrevistá-lo. E sabe quando a sua intuição diz: não vai, não vai, não vai? Só que eu tinha de ir. Fui.
Aí dei de cara com a única pessoa no mundo que eu não queria ver nunca mais. Primeiro foi semana passada, mas ele não me viu. Depois foi hoje, mas ele estava com um amigo em comum, e eu fui obrigada a cumprimentá-lo. Aí eu cumprimentei o cara de longe, para ver se ele se tocava. Não. Ele se levantou e veio me dar um beijo. Completamente dispensável, uma vez que nem amigo a gente não é mais. Me fez mal. E eu não tenho vergonha de dizer que eu desabei depois dessa, porque eu não sou de concreto.
Em um minuto a sós comigo mesma, olhei para cima e reclamei: "Pô, Deus, tá de sacanagem, né?! Numa semana o senhor me deixa escapar, nessa me obriga a aceitar beijinho? Eu não mereço, né... Preciso me benzer..."
Aí veio o show do Frejat, que foi bacana. Só que, nessa situação, você acaba encontrando sentido em todas as músicas que o cara canta. Umas te arranham a garganta. Outras te ferem com maior profundidade. E outras parecem que foram feitas para você e seu momento de sofrimento particular.
A Poliane estava do meu lado quando eu disse que o Frejat curte o Robertão e que não ia fazer um show sem cantar uma música dele. Quando terminei a frase, eis que surge "Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim". Melhor, impossível.
E mais um pouco, última música do bis, o violão não funciona, o outro também não, volta a guitarra. Enquanto isso eu digo a Poliane: ele vai tocar "Exagerado". Como você sabe, ela me pergunta. Eu simplesmente sei, eu respondo. E o que ele tocou? "Exagerado".
Terminado o show, esperamos o fim da tietagem dos fãs e a imprensa foi lá falar com o cantor. Uma pergunta por veículo, dizia a assessora de imprensa. E os seguranças enchendo o saco... Fiz várias perguntas porque o cara é profissional. Se ele não estivesse afim, teria encerrado a entrevista rapidamente. E não fez isso. Foi simpático.
Cheguei em casa com uma idéia fixa na cabeça. Uma mensagem que precisava ser mandada. Ia deixar recado no Orkut, mas o que eu tinha a dizer não interessava aos amigos dele que xeretam a página dele. Ia deixar em forma de depoimento, mas daí descobri que, desde que eu o apaguei do meu Orkut, não tinha como. Aí mandei uma mensagem via "um site de relacionamentos", como dizem na Globo...
E a mensagem dizia o seguinte:
"Por favor. Da próxima vez que nos encontrarmos, se isso voltar a acontecer algum dia, finja que não me conhece. Porque você não me conhece. E eu vou fingir que não te conheço, porque eu não te conheço. Não vale a pena e é um desperdício do meu tempo e energia.
Sem mais, obrigada"
Porque, no final, é isso. A gente descobre que não conhece o outro, porque nunca imaginaria que ele seria capaz de nos machucar repetidas vezes e nem se dar conta disso. E mais. Percebe que o outro não nos conhece, por achar que a gente tem sangue de barata. Eu não tenho. Eu sou neta da dona Vera. Extremamente paciente, até o dia em que resolvo mandar tudo a merda. E dessa merda, não se faz adubo. Essa a gente esquece, porque só vai atrair moscas.
A mágoa maior não foi a dupla traição, não foi a mentira, não foi a covardia ou o egoísmo em não me preparar para o golpe ou a incapacidade de se colocar no meu lugar por um minuto. A mágoa maior foi fingir que depois de tudo isso, restaria a amizade, que era o começo de tudo. Mas, como disse o próprio Frejat esta noite, eu te desejo muitos amigos, mas que em um você possa confiar.
Eu sei quem são os meus amigos. E, lamentavelmente, este cara não está entre eles.
sexta-feira, 9 de novembro de 2007 | By: Aqna

johnny cash, murphy e associados




Passamos horas e horas do dia a reclamar, sempre, achando que algumas coisas não caminham como deveriam deveriam, ou que algo está ruim demais para ser verdade. Mas saiba, se quiser parar e pensar apenas nestas coisas, tudo pode piorar. A Lei de Murphy não tarde e olha, não falha. Sim, sim, sim, se não olhar para o que acontece de bom ao seu redor, aquilo para onde não olhamos piorará sim e, aquilo para onde nosso foco de concentração mira também.


O jeito é dar risada. Pense bem... na historinha cantada por Johnny Cash, 'A Boy Named Sue'. O pai do cara saiu de casa quando ele tinha apenas três anos. Não deixou nada para ele e sua mãe. Apenas uma guitarra velha e uma garrafa de booze (acho que a tradução para booze é birita). Well... além destas duas coisas, ele também deixou algo para o garoto: foi batizado como Sue. Nome de mulher. Na música ele vai contando a histórinha toda e termina assim: "I got all choked up and I threw down my gun And I called him my pa, and he called me his son, And I came away with a different point of view. And I think about him, now and then, Every time I try and every time I win, And if I ever have a son, I think I'm gonna name him Bill or George! Anything but Sue! I still hate that name!"


Então... Sei que parece algo muito superficial... mas a intenção é esta mesma. Todo mundo tem problemas na vida. Mas entenda que, esta mesma vida, que tem problema, é contada por tempo e não por ficha (esta é uma expressão usada para acordar as pessoas que acham que a vida é um jogo de fliperama). Prenda-se no que vale a pena, deixe para trás o que não foi resolvido ainda - não vale a pena perder tempo com isso. Tem um montão de coisas legais por aí.


A imagem acima não faz alusão nenhuma ao texto - poderia se entender que tudo depende de um point of view, mas, caso não seja este o caso, informo que é apenas um rascunho de uma promessa não cumprida.


Hugs


Marcus Aquenaton