sexta-feira, 5 de dezembro de 2008 | By: Mandi

Felicidade é contagiosa, diz estudo

Choque total. E eu achando que só coisas negativas fossem contagiosas, como doenças causadas por vírus, pessimismo, medo e mau-humor. Pois é, a tal da felicidade também é contagiosa, pelo menos segundo o estudo que envolveu pesquisadores de diversas instituições americanas. A notícia apareceu no site da agência de notícias Reuters, na semana passada.
Segundo a matéria, a equipe comprovou que assim como a obesidade e o tabagismo se difundem em rede, o mesmo ocorre com o bem-estar. Ou seja, quanto mais pessoas felizes nós conhecemos, maior é a probabilidade de nós mesmos sermos felizes. Então, se pararmos para pensar, nós somos um reflexo do meio em que vivemos. Se está comprovado que isso acontece para o bem, então nada impede o caminho inverso seja verdadeiro.
Um dos envolvidos na pesquisa, Nicholas Christakis é professor de sociologia médica a Escola de Medicina de Harvard, em Boston. Ele acredita na existência de um "arrastão emocional". Ao lado de James Fowler, cientista político da Universidade da Califórnia, em San Diego, ele analisou dados relativos a 4.700 filhos de voluntários do Estudo Cardiológico Framingham, um trabalho iniciado em 1948.
O material inclui informações de 1971, que trazem desde nascimentos e casamentos até divórcios e mortes. A felicidade, então, passou a ser medida pela dupla a partir de quatro perguntas muito simples. Basta parar um minuto e refletir quantas vezes, na última semana, 1. curtimos a vida, 2. nos sentimos felizes, 3. nos sentimos esperançosos em relação ao futuro, e 4. sentimos que valemos tanto quanto as outras pessoas.
Cerca de 60 por cento dos entrevistados que tiveram pontuação alta nas quatro questões foram avaliadas como felizes, enquanto o restante foi considerado infeliz. E mais: o mesmo trabalho constatou que a felicidade é muito mais contagiante que a infelicidade. Bastar ter um amigo, colega de trabalho, de escola, até mesmo o porteiro do seu prédio feliz e, pronto, sua chance de também ser feliz aumenta em 15%. Se for alguém com quem você não tem contato direto, tipo o amigo de um amigo, ou algo parecido, a porcentagem é de 10%.
Tudo isso é muito bacana, mas, afinal, o que é ser feliz? Já que estava na internet, resolvi entrar no Google e digitar a palavra felicidade. A pesquisa retornou 15.000.000 de ocorrências. Quer dizer que a felicidade se contagiou pela internet? Não, quer dizer que cada um tem sua própria definição para esta palavra. O passo seguinte foi buscar algumas dessas idéias.
Nietsche disse que "não é a força, mas a constância dos bons sentimentos que conduz os homens à felicidade". Para Voltaire, "a felicidade é a única coisa que podemos dar sem possuir". Já o escritor Thomas Hardy acreditava que "a felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que fazemos do que temos". Ingrid Bergman, estrela de "Casablanca", declarou que "felicidade é uma boa saúde e uma má memória".
Confúcio, que viveu entre 551 e 479 a.C., não chegou a ouvir falar da pesquisa dos americanos, mas deu a dica naquela época. "A melhor maneira de ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros". E então, caro leitor, leitora. Você tem curtido a vida? Tem se sentido feliz? Tem se sentido esperançoso em relação ao futuro? Tem sentido que vale tanto quanto as outras pessoas?

Na academia

Dia desses a Revista Veja publicou um guia sobre bons hábitos na academia. Nada relacionado ao desempenho dos exercícios, mas sim a alguns perfis de freqüentadores. Segundo a publicação, entre os "tipinhos típicos" estão o desinibido, o perfumado, o exibido e o ph.d. de academia. O primeiro é aquele que desfila com roupas dois números abaixo do ideal, enquanto o segundo entorna meio vidro de perfume antes da malhação. O seguinte emite os mais variados grunhidos durante os exercícios, sempre em volume máximo, para depois soltar os pesos no chão, com brutalidade. O último é o especialista que sempre dá palpites nas séries alheias.
Pensando bem, academias de ginástica são um terreno fértil para personagens e situações interessantes. Dependendo do horário, é possível encontrar uma fauna variada, que inclui desde aposentados simpáticos a garotões bombados, passando por gordinhos em busca da boa forma e adolescentes narcisistas.
Confesso que não sou fã de exercícios físicos, mas como esta é exigência fundamental para se ter qualidade de vida, muita a contragosto eu acordo às 6 da manhã para enfrentar a rotina diária de esteira-musculação-bicicleta. E, em silêncio, assumo o papel de observadora, numa tentativa de contornar meu mau-humor matinal com a realidade que me cerca. Uma tarefa inglória, confesso. Mas hoje, pelo menos, rendeu uma crônica.
Um desdobramento do tipinho exibido é o chato de carteirinha. Carente ao extremo, chega falando alto, mexe com todo mundo e ainda faz questão de dar beijinho em cada moça que chega para se exercitar. Discute futebol – sem saber quem jogou no último fim de semana, ri alto e não desconfia que está sendo inconveniente. Trata mal os instrutores e tem certeza de que está abafando. Pior de tudo é que não faz falta nenhuma quando não aparece na academia.
O desinibido da Revista Veja tem outros desdobramentos. Faça calor ou frio, mas muito frio mesmo, este tipo gosta de exibir a boa (ou nem sempre) forma. Vai malhar de shortinho e top, mesmo que esteja congelando até os ossos. É dependente do instrutor, faz com que ele prepare todos os aparelhos antes que possa chegar até eles.
Há outros que vão à academia como quem vai a um evento social. Conversa, toma água, finge que anda na esteira, está inscrito nesta ou naquela aula. Mas é só. Sempre que pode, fica prestando atenção nos outros para, em seguida, poder falar mal. Adora reclamar e achar que todos os outros alunos têm mais atenção do que eles. São capazes, até mesmo, de iniciar uma guerra particular por causa de uma esteira. Acreditem, já vi acontecer.
Há, também, os educados e atenciosos. Falam bom dia quando chegam, até logo quando vão embora. Malham em silêncio, agüentam as investidas dos tipinhos típicos com simpatia e bom humor.
Em qual tipinho de freqüentador de academia eu me encaixo? No antipático. Só cumprimento quem me cumprimenta. Não converso com ninguém. Não dou beijinho em ninguém. E, sempre que posso, coloco o fone de ouvido para tentar me isolar do som alto e conversas paralelas que fazem parte do ambiente. E tento eliminar os exercícios da tortura matinal o mais rápido possível para, quem sabe, no fim de semana, ter direito a uma barra de chocolate.

Erros e acertos

Quando eu era criança e estava na escola ficava inconformada quando ia bem numa prova. Chegava em casa e contava que havia tirado dez. A resposta sempre era: "Não fez mais do que a obrigação". E isso me desanimava completamente. Eu não conseguia entender porque todas as vezes que eu tirava uma nota alta tinha de ouvir o mesmo comentário, enquanto nas raras vezes em que eu ia mal, tomava uma bronca. "Como pode tirar uma nota vermelha? Sua única obrigação na vida é estudar".
Depois de adulta descobri que não era a única a ouvir isso em casa. Afinal, dizem por aí que família é tudo igual, só muda o nome e o endereço. Foi então que percebi que estar consciente de que acertar não passa de uma obrigação é fundamental para nossa sobrevivência.
A realidade é dura. É muito mais fácil as pessoas se lembrarem de nós por nossos erros do que por nossos acertos, mesmo que estes últimos sejam maioria em nossa existência. Certa vez, conversando com uma amiga, tentei convencê-la de que, por mais que as pessoas tentem nos condenar por um erro, era preciso lembrar que errar é humano. Somos todos seres falíveis, apesar de "ninguém olhar o próprio rabo". E mais, que o que nos definia eram os nossos acertos, e não os nossos erros. Mas, como ela mesma disse, é fácil falar. Difícil mesmo é se colocar no lugar do outro.
Há alguns dias recebi um discurso feito por Steve Jobs aos formandos da Universidade de Stanford, Estados Unidos, em 12 de junho de 2005. Para quem não está familiarizado com o nome, Jobs foi o criador da empresa Apple e do estúdio de animação Pixar, responsável pela produção de desenhos como "Toy Story", "Vida de Inseto", "Monstros S/A" e "Procurando Nemo", entre outros.
Pois bem. Ele conta três histórias sobre sua vida, sobre erros e acertos. A primeira foi como sua mãe biológica queria que ele fosse adotado por um casal com diploma universitário. Estava tudo certo até o casal concluir que preferia uma menina. Ele foi parar nas mãos de uma mulher que nunca fez faculdade e de um homem que mal terminou o Ensino Médio. Ainda assim, Steve Jobs chegou à universidade, que largou seis meses depois. Foi quando ele deixou de cursar as disciplinas obrigatórias para aprender sobre o que realmente gostava, ou seja, fontes e estilos gráficos em aulas de caligrafia. Isso foi aplicado nos programas de edição de texto dos computadores da Apple e copiados pelo sistema Windows.
A segunda foi sobre como, antes dos 30 anos, ele havia criado um império dos computadores e, de repente, foi demitido pelo conselho diretor da empresa, quando os negócios não iam mais tão bem. Foi no recomeço que ele se viu obrigado a fundar novas empresas, entre elas a Pixar. E hoje, ele vê que nada disso teria acontecido se ele não tivesse sido demitido.
A terceira história é sobre a morte. De como ele foi diagnosticado com um tipo de câncer incurável. O médico recomendou que ele resolvesse seus negócios, se despedisse das pessoas que gostava. No momento da biópsia, entretanto, ele descobriu que portava um tipo raro e curável. E agora ele está bem. E foi aí que ele entendeu que o nosso tempo de vida é limitado e que não vale a pena desperdiçá-lo vivendo os sonhos e regras dos outros.
E, no final, eu vejo por isso tudo que nem sempre acertamos. Mas, muitas vezes, quando somos capazes de olhar para trás e "ligar os pontos", como disse Steve Jobs, tudo faz sentido. Até mesmo os nossos erros.

A grama do vizinho

Todo mundo quer votar nos Estados Unidos, em Barack Obama, mas ninguém quer votar obrigado no Brasil. Todo mundo quer viajar para o exterior, mas ninguém quer conhecer seu próprio País. Todo mundo gosta de música estrangeira, mas acha a música nacional brega. É das loiras que eles gostam mais, mas quem sabe sambar de verdade são as mulatas. A Seleção Brasileira é pentacampeã, mas todo mundo sente saudades do Felipão. Pelé é nosso, mas Maradona é quem comanda a Seleção da Argentina.
Kaká é brasileiro e joga no Milan, na Itália. Robinho é brasileiro e joga no Manchester, na Inglaterra. Alexandre Pato é brasileiro e joga no Milan, na Itália. Ronaldinho Gaúcho é brasileiro, mas joga no Milan, na Itália. Marta é brasileira, mas joga no Umea IK, na Suécia. E estes são só alguns dos atletas brasileiros que jogam fora do Brasil. Há ainda aqueles que estão longe de casa para desenvolverem melhor seu potencial.
Rita Ferreira é bailarina cadeirante, tetracampeã em sua categoria, mas não é reconhecida em Mogi das Cruzes, onde vive há 16 anos. Dirceu José Pinto é mogiano, mas teve de ir a China buscar duas medalhas de ouro nas Paraolimpíadas de Pequim.
Antes de fazer sucesso no Brasil, o Sepultura lotava shows nos Estados Unidos e Europa. Bebel Gilberto é uma das cantoras brasileiras mais conhecidas na terra de Tio Sam. Rodrigo Santoro luta para construir uma carreira internacional.
O Natal do Hemisfério Norte tem neve, no Hemisfério Sul só tem bolinhas de sabão. O Rio de Janeiro é violento, mas pelo menos não é o Iraque ou o Afeganistão. A São Paulo falta humanidade, a Nova Iorque falta humanidade. Nova Iorque tem Chinatown, São Paulo tem Liberdade.
Eles têm Coca-Cola, nós temos Guaraná. Eles têm barbacue, nós temos churrascão na laje. Eles têm a Estátua da Liberdade, nós temos o Cristo Redentor. Nós temos muito a conquistar. Eles já conquistaram tanta coisa que já perderam a noção do que realmente importa.
São Paulo tem movimento. Bertioga tem paz. No meio do caminho, Mogi tem os dois. Tem passado e tem futuro. Mas ainda falta muita coisa para continuar seu caminho rumo ao desenvolvimento, sem esquecer sua própria identidade.
Felipe Massa foi campeão de Fórmula 1 no Brasil durante 38 segundos. Lewis Hamilton será até o próximo campeonato. E o Schumacher? É da Alemanha. O Hamilton é da Inglaterra. Mas o Felipe Massa ainda é nosso.
Assim como a urna eletrônica, as Havaianas, o pão de queijo, a goiabada, pingado e pão na chapa na padoca, Cruzeiro do Sul em noites limpas, os dias de sol, de praia, o cheiro da terra molhada depois da chuva, a Bossa Nova, Vinícius de Moraes e Tom Jobim. E o brasileiro. Apesar dos pesares.
O Brasil tem muita coisa. Só não tem a noção de que sua grama não é mais nem menos verde do que a grama do vizinho. É verde, sim. Na medida exata.