sábado, 30 de junho de 2007 | By: Mandi

Odisséia emocional

Alguém aqui já leu a "Odisséia", de Homero? Eu recomendo, principalmente para quem é apaixonado por mitologia. Eu li este livro há muito tempo, assim como histórias baseadas nesta obra.
A "Odisséia" conta a história de Odisseu, correspondente em grego ao latino Ulysses. De maneira resumida, Odisseu era um mercador, dono de seu próprio reino. Era casado com Penélope e pai de Telêmaco, mas foi obrigado a deixá-los para lutar na Guerra de Tróia. Com o fim da guerra, ele decide retornar a sua ilha de Ítaca, mas para conseguir chegar em casa, tem de enfrentar todos os perigos imaginados.
Enquanto isso, Penélope é pressionada a casar com um novo homem, dar a Ítaca um novo rei, já que ninguém sabe se Odisseu está vivo ou morto. Lá no fundo, no entanto, ela sabe que o marido está vivo, ela sente. Mas a pressão dos homens é grande, então ela diz que anunciará sua escolha assim que terminar de tecer um manto.
De dia, sob os olhos atentos de toda a corte, ela tece. De noite, quando ninguém vê, ela desfaz o manto, como forma de ganhar tempo. Na mitologia, a imagem de Penélope corresponde à fidelidade, ao amor verdadeiro.
Por que contar isso tudo? Para contar a Odisséia emocional do meu amigo Ulysses.
Ontem ele entra no MSN e me diz: "Sabe, eu nunca contei isso a ninguém, mas antes de começar a namorar com a Dani (aquele com quem ele até cogitou casar), eu estava ficando com outra garota, lembra?" Eu lembrava dessa história, sim. "Então chegou um momento em que eu tive de fazer uma escolha, e escolhi a Dani". Isso eu também sabia. "O que ninguém sabe é que, mesmo depois de namorando com a Dani, eu ainda pensava na outra garota. Até hoje, sempre penso nela". Homens... Eu falei para ele que o sexo masculino é muito complicado, quem quer tudo acaba sem nada e que é um absurdo eles só perceberem a cagada que fizeram depois de se darem mal. "Você gosta dela?", perguntei. "Gosto". "Então liga para ela. Você é solteiro, ela também". "Eu falo com ela, mas ela não me dá muita trela".
Meu pensamento: óbvio que não. Você trocou ela por outra. Minha resposta: "Você vai ter de provar para ela que está afim, vocês vão ter de começar do zero. Converse com ela, saiba ouví-la, dê atenção. E não pise na bola novamente".
Resposta dele: "Mas como eu faço isso?" Fazendo, oras.
Eu sei que não é fácil gostar de alguém. Sei que a gente só consegue entender uma história quando ela acaba, isso quando consegue. Mas aí já é tarde demais para tentar consertar. É a história do vaso quebrado. Nunca vai ser igual se você colá-lo. Só comprando um novo, ou seja, começando do zero.
Todo mundo traz em si um Odisseu que busca uma Penélope. Todos nós enfrentamos nossos dramas pessoais em busca de um amor de verdade. Todos nós já optamos por caminhos mais fáceis, pensando que eles fossem o caminho certo. Nem sempre o fácil é o certo. Nem sempre a gente reconhece o que é duradouro e o que é descartável.
O que importa é humildade para perceber quando erramos. E coragem para voltar atrás e recomeçar a andar. E foi isso o que eu disse ao meu amigo Ulysses.
sexta-feira, 29 de junho de 2007 | By: Mandi

Mulherices masculinas ou A Complexa Arte de Ser Homem

A cada dia eu aprendo uma coisa nova. Dizem que viver é isso. Mas poucas coisas me surpreendem, na verdade. A última delas, vou dividir por aqui, é resultado de uma conversa com Ulysses, um dos meus mais queridos amigos do sexo masculino. Dizem, aliás, que não existe essa coisa de amizade entre homem e mulher, que sempre um está querendo "pegar" (lembrem-se de que eu odeio esse termo) o outro.
Eu discordo. Eu não tenho intenção de pegar nenhum dos meus amigos homens porque os conheço bem demais para tal, inclusive seu "modus operandi" com a mulherada. Eles, pela mesma razão em relação a mim.
Outro dia, depois de muita enrolação da minha parte e insistência da parte do Ulysses, saímos para jantar e colocar a conversa em dia. Ele me contou do seu rolo, eu contei da minha solteirice. Concluímos que tudo seria mais fácil se a gente fosse apaixonado um pelo outro, como tanta gente já achou que éramos, nos acertássemos, como o pai dele e a minha mãe sonham há anos. Comentário dele: "aí haveria paz mundial, a fome acabaria e a Camila (ex-dele) tentaria nos matar". Ao que eu respondi: "Imagina, eu convidaria ela para madrinha de casamento". Eu sei, fui cruel. É tão engraçado uma das minhas pessoas favoritas no mundo se chamar Camila e a única que eu não gosto, que eu acho vil e baixa, também...
E papo vai, papo vem, surge o assunto de que nem sempre o que os homens dizem corresponde ao que eles realmente querem dizer. E eu que pensava que isso era uma particularidade feminina. Não é.
Todo homem acha que, quando uma mulher diz não, ela quer dizer sim. Eu não saberia dizer se isso é verdade ou não. Quando eu digo não, é não. Quando eu digo talvez, aí é outra história. Porque no talvez cabe o sim e o não, até eu me decidir.
E onde entram os homens nisso tudo? É assim. Muitas vezes os caras fazem média e não dão o braço a torcer sobre algo que sentem, ora por um medo inadimissível, ora por pura confusão. Já dizia aquela música: "Garotos não resistem/Aos seus mistérios/Garotos nunca dizem não/Garotos como eu/Sempre tão espertos/Perto de uma mulher/São só garotos".
Quando o Ulysses morava com a namorada e eu brincava, perguntando para quando seria o casamento, ele dizia que nem pensava nisso. Terminaram há pouco mais de um ano. No jantar, ele me disse que sonhava casar e ter filhos com ela.
Às vezes é só um teste. Dizer que não quer compromisso sério para ver se a mulher vai te levar a sério... Será? Vou refletir mais sobre isso. Bom dia a todas e todos!!!
quinta-feira, 28 de junho de 2007 | By: Mandi

Curso para formação de homens

Antes que me acusem de feminista, já vou avisando que eu recebi este e-mail do Sandro.
Sandro é um cara que eu só conheço pelo telefone, já que ele é o webmaster do site de um dos colaboradores do jornal e nos envia semanalmente a crônica do dito cujo. E toda sexta-feira liga para confirmar se recebemos. Nessa, ficamos amigos. Ele conta as histórias de sua filhinha, enchentes em Sampa... e manda e-mails divertidos, como esse.

INSCRIÇÕES ABERTAS - NÃO PERCAM
Novo Curso de Formação para Homens

OBJETIVO PEDAGÓGICO
Permite aos homens desenvolver a parte do corpo da qual ignoram a existência ( o cérebro ).

SÃO 4 MÓDULOS

Módulo 1: Introdução (Obrigatório)
1. Aprender a viver sem a mamãe (2.000 horas)
2. Minha mulher não é minha mãe (350 horas)
3. Entender que não se classificar para o Mundial não é a MORTE (500 h)

Módulo 2: Vida a dois
1. Ser pai e não ter ciúmes do filho (50 horas)
2. Deixar de dizer impropérios quando a mulher recebe suas amigas (500 h)
3. Superar a síndrome do " o controle remoto é meu" (550 horas)
4. Não urinar fora do vaso (1.000 horas - exercícios práticos em vídeo)
5. Entender que os sapatos não vão sozinhos para o armário (800 h)
6. Como chegar ao cesto de roupa suja (500 horas)
7. Como sobreviver a um resfriado sem agonizar (450 horas)

Módulo 3: Tempo livre
1. Passar uma camisa em menos de duas horas (exercícios práticos)
2. Tomar coca-cola sem arrotar, quando se está à mesa (exercícios práticos)

Módulo 4: Curso de cozinha
1. Nível 1 (principiantes - os eletrodomésticos) ON/OFF = LIGA/DESLIGA
2. Nível 2 (avançado) minha primeira sopa instantânea sem queimar a Panela
3. Exercícios práticos - ferver a água antes de por o macarrão

CURSOS COMPLEMENTARES:POR RAZÕES DE DIFICULDADE , COMPLEXIDADE E ENTENDIMENTO DOS TEMAS , OS CURSOS TERÃO NO MÁXIMO 3 ALUNOS.

1. A eletricidade e eu: vantagens econômicas de contar com um técnico competente para fazer reparos;
2. Cozinhar e limpar a cozinha não provoca impotência nem homossexualidade (práticas em laboratório);
3. Porque não é crime presentear com flores, embora já tenha se casado com ela;
4. O rolo de papel higiênico: Ele nasce ao lado do vaso sanitário? (biólogos e físicos falarão sobre o tema da geração espontânea)
5. Como baixar a tampa do vaso passo a passo (teleconferência);
6. Porque não é necessário agitar os lençóis depois de emitir gases intestinais (exercícios de reflexão em dupla);
7. Os homens dirigindo, podem SIM, pedir informação sem se perderem ou correr o risco de parecerem impotentes (testemunhos);
8. O detergente: doses, consumo e aplicação.Práticas para evitar acabar com a casa;
9. A lavadora de roupas: esse grande mistério!!
10. Diferenças fundamentais entre o ce sto de roupas sujas e o chão (exercícios com musicoterapia);
11. A xícara de café: ela levita, indo da mesa à pia? (exercícios Dirigidos por Mister M);
12. Analisar detidamente as causas anatômicas, fisiológicas e/ou psicológicas que não permitem secar o banheiro depois do banho.
sexta-feira, 22 de junho de 2007 | By: Mandi

Confissões de Adolescente, parte 2

Eu sempre fui louca por esta música, que tocou do nada outro dia e, pra variar, tocou meu coração.

Ordinary World, Duran Duran

Came in from a rainy thursday/On the avenue/Thought i heard you talking softly/I turned on the lights, the tv/And the radio/Still i cannot escape the ghost of you/What has happened to it all?/Crazy, some'd say/Where is the life that i recognize?/Gone away/But i won't cry for yesterday/There's an ordinary world/Somehow i have to find/And as i try to make my way/To the ordinary world/I will learn to survive/Passion or coincidence/Once prompted you to say/"pride will tear us both apart"/Well now pride's gone out the window/Cross the rooftops/Run away/Left me in the vacuum of my heart/What is happening to me?/Crazy, some'd say/Where is my friend when i need you most?/Gone away/But i won't cry for yesterday/There's an ordinary world/Somehow i have to find/And as i try to make my way/To the ordinary world/I will learn to survive/Papers in the roadside/Tell of suffering and greed/Fear today, forgot tomorrow/Ooh, here besides the news/Of holy war and holy need/Ours is just a little sorrowed talk/And i don't cry for yesterday/There's an ordinary world/Somehow i have to find/And as i try to make my way/To the ordinary world/I will learn to survive/Every world/Is my world, i will learn to survive/Any world/Is my world, i will learn to survive/Any world/Is my world/Every world/Is my world.

A tradução: Mundo comum

Eu vim de uma quinta-feira chuvosa pela avenida/Pensei que ouvi você falando suavemente./Eu liguei as luzes, a TV e o rádio,/Ainda não consigo escapar de seu fantasma/O que está acontecendo com isso tudo?/"Louco", alguns dizem./Onde está a vida que eu reconhecia?/Foi embora.../Mas eu não vou chorar pelo ontem,/Há um mundo comum/De algum modo eu tenho de encontrar./E enquanto eu tento trilhar o meu caminho/Para este mundo comum,/Eu aprenderei a sobreviver./Paixão ou coincidência,/Certa vez induziu você a dizer:/"O orgulho destruirá nós dois em pedaços"/Bem, agora o orgulho saiu pela janela,/Cruzou os telhados, fugiu,/Me deixou no vácuo do meu coração./O que está acontecendo comigo?"/Louco", alguns dizem./Onde está meu melhor amigo quando mais preciso de você?/Foi embora.../Mas eu não vou chorar pelo ontem,/Há um mundo comum/De algum modo eu tenho de encontrar./E enquanto eu tento trilhar o meu caminho/Para este mundo comum,/Eu aprenderei a sobreviver/Jornais ao lado da estrada/Contam sobre sofrimento e ganância,/Temidos hoje, esqueci amanhã./Ooh, aqui, ao lado das notícias/De guerra santa e nescessidade/A nossa é apenas uma conversinha de mágoa.../(Soprada para longe)/(Apenas soprando para longe)/Mas eu não vou chorar pelo ontem,/Há um mundo comum/De algum modo eu tenho de encontrar./E enquanto eu tento trilhar o meu caminho/Para este mundo comum,/Eu aprenderei a sobreviver/Qualquer um, é o meu mundo/(Eu aprenderei a sobreviver)/Nenhum, é o meu mundo/(Eu aprenderei a sobreviver).
quinta-feira, 21 de junho de 2007 | By: Mandi

Confissões de Adolescente

Muito antes de Bridget Jones ou a turma de Sex and The City dar o ar da graça no referencial feminino, aqui mesmo, no Brasil, houve ela. Maria Mariana e suas "Confissões de Adolescente". A minha geração sabe bem do que eu estou falando.
Teve peça de teatro, livro e, alguns anos depois, até série de televisão. O livro foi lançado em 1992. O meu, tá lá a data, eu comprei em 1993. Eu tinha 14 anos. Era incrível como aquelas páginas poderiam dizer tanto para mim. Meu exemplar já está amarelado, mas hoje me deu uma vontade muito grande de ir ao seu encontro.
E lá estava, logo nas primeiras páginas: "Adolescer é coisa tão complicada que a própria palavra vem de doer, de adoecer. Exagero dos romanos, que criaram no seu latim a palavra adolescentia com essa ambigüidade? Nem tanto." Mal eu sabia, do alto dos meus 14 anos que, 14 anos depois, muitos dos sentimentos aos quais eu fui apresentada naquela época, persistiriam até hoje. De maneira diferente. Eu até poderia dizer que a maturidade traz sabedoria e equilíbrio. Mas eu não estaria sendo honesta. Pelo menos hoje não.
A verdade é que na adolescência a gente descobre muita coisa. Mas são só nos momentos extremos que a gente descobre que é humano. E que ser humano está longe de ser perfeito. É quase ser ridículo.
Enfim. Daí eu fiquei folheando o livro, lembrando da minha adolescência. E não foi um período fácil. Imagina, eu gordinha e metida a intelectual, fã de Metallica e Sepultura. A um passo de conhecer o Nirvana e companhia limitada. Com direito a camisa xadrez e tudo. E um coração quebrado, porque fazia parte.
Aí o tempo passou e eu conheci um cara, Leandro. Não me apaixonei à primeira vista. Ele era completamente doido, nos tornamos amigos, fomos ao Monsters of Rock juntos. E, de repente, um dia eu percebi que gostava dele. Mas ele não parecia gostar de mim. Cá entre nós, nem tinha como ele gostar do moleque que eu era.
Uma noite em que a turma combinou de sair junto, coloquei um vestido, até arrisquei um batom. Ele já havia percebido que eu gostava dele. Eu nem me lembro bem o que conversamos naquela noite, mas eu lembro de ter falado algo do tipo: eu não gostaria de olhar para trás e perceber que eu perdi a chance de estar com você, de me arriscar. Porque eu acho que a vida é isso: é risco, para ganhar ou para perder. Eu posso ter perdido outras vezes na vida, mas naquela noite eu ganhei.
Tá certo que, depois eu descobri que ele já estava afim de mim e até tinha pedido ao meu irmão para namorar comigo (os dois eram amigos e nem precisa dizer que Danilão sempre foi ciumento). Acho que foi uma das noites mais bacanas da minha vida.
Namoramos por algum tempo. Era engraçado. Eu não podia ligar para ele durante semana das 20 às 20h30, porque era o horário do Mundo de Beakman. E ele estava proibido de me ligar das 20h30 às 21 horas porque, adivinha, era o horário do Confissões de Adolescente.
Nosso namoro terminou porque o Lê foi morar na Inglaterra. A gente meio que começou sabendo que tinha prazo para terminar (tô começando a achar que o modus operandi se tornou repetitivo, ora o cara parte, ora eu parto).
O Lê é uma das pessoas mais doidas que já passou pela minha vida, e provavelmente uma das quais eu sinto mais falta, apesar das reviravoltas que o mundo dá - e de tudo o que aconteceu depois que ele voltou. Talvez eu conte essa história aqui um dia. Vez por outra ainda nos falamos. É um bom amigo.
Por aqui ficam as minhas confissões de adolescente. E ponto.
terça-feira, 19 de junho de 2007 | By: Mandi

Um ano

Dentro de alguns dias vai completar um ano que eu voltei dos Estados Unidos, depois de um ano fora. Há tempos tenho feito anotações mentais para escrever um balanço deste último ano. Por que, você me pergunta, escrever sobre esse último ano? Porque foi uma espécie de renascimento.
Em um ano, eu já tive vontade de partir, novamente, porque achava que meu lugar não era mais aqui. Eu tive de reaprender a ser jornalista. Eu tive de lidar com meus demônios, minhas saudades. Eu tive de reconquistar amizades e me despedir de pessoas de quem eu gostava muito.
Em um ano, eu já tive vontade de ficar. Achei que tivesse encontrado o meu lugar. Mas às vezes, isso é só uma impressão que a gente tem, quando quer muito uma coisa. Ou simplesmente, quando aprende o que é ser feliz. Mas, como diz a minha avó, não há bem que tanto dure, nem mal que nunca termine. Vou ter de confiar nela.
Depois de um ano, hoje, volto a ter dúvidas de onde é o meu lugar.
Em um ano, eu acertei algumas vezes, errei muitas outras. Aprendi que não existe perfeição, por mais que eu me esforce e provavelmente continue errando em busca de algo próximo dessa perfeição. O mais importante, no entanto, é a consciência de que tudo funciona sob um ponto de vista. Nem sempre o outro está olhando na mesma direção que a gente. E todo mundo tem esse direito.
Em um ano, para ser sincera, ontem, eu aprendi tardiamente o que toda criança já sabe: que quanto mais você cutuca uma ferida, mais ela demora para cicatrizar. E toda vez que a gente fere alguém, por incrível que pareça, quem sai mais ferido somos nós mesmos.
O que eu já sabia, mas tive de viver mesmo assim, é que não importa quanto tempo passe, mas se um dia a gente feriu alguém, um dia alguém vai nos ferir. Ação e reação. Então, o melhor mesmo é desejar o bem e a felicidade aos outros.
Em um ano eu conheci pessoas que estarão para sempre em minha vida, independentemente da distância que se crie, porque elas já fazem parte de mim.
Eu realmente não posso afirmar se saber tudo isso me seria útil há um ano. Provavelmente não. Também não sei se vai ser útil daqui para frente. Eu espero que sim. Mas a realidade, pra valer, é que eu vou continuar errando e acertando. E aprendendo, quem sabe, para um dia me tornar uma pessoa sábia.
sexta-feira, 15 de junho de 2007 | By: Mandi

Como me dar o pé na bunda em três lições

O título original deste post seria "Aviso aos futuros pretendentes" ou "Aviso aos Navegantes".

Mas achei que "Como me dar o pé na bunda em três lições" despertaria maior interesse dos leitores, apesar de ser um pouco sensacionalista. A verdade, no entanto, é que é sobre isso mesmo que este post trata.

Rompimentos, no geral, são difíceis. Quando alguém toma a decisão de terminar um relacionamento e percebe que não tem como voltar atrás, geralmente começa um desgastante processo, que resulta em brigas, pessoas machucadas, mortos e feridos. Às vezes um dos dois é pego de surpresa mas, vá lá. Todo mundo tem sua técnica (ou falta de técnica) para romper com alguém.

Hoje eu estou aqui para ensinar como romper comigo. Em três simples e descomplicadas lições que qualquer homem é capaz de aplicar.

É por isso que eu peço a você, futuro sabe-se-lá-o-quê que decidir entrar em minha vida: me poupe de sua sinceridade. Principalmente se eu começar a gostar de você pra valer. Ela faz mal para a minha auto-estima, tira o meu sono e atrapalha o andamento do meu trabalho, que é basicamente intelectual.

E tem mais. Eu já sei que o interesse masculino tem prazo de validade. Só que vez por outra eu me esqueço. Então, papel e caneta na mão:

1. Seja extremamente ciumento. Faça cobranças, jogue na minha cara que eu não ligo para você, que eu dou mais atenção para o cachorro que passa na rua do que para você. Tenha ciúmes dos meus amigos, até mesmo os gays. Diga que não confia em mim e acha que estou saindo com outra pessoa. Me acuse de ser desonesta e, se for do tipo corajoso (ou completamente louco), me chame de biscate.

2. Seja grudento. Me ligue várias vezes por dia, principalmente quando souber que eu estou ocupada, no trabalho. Apareça de surpresa, deixe recados melosos no meu celular. Invente apelidos esdrúxulos, me chame de princesa. Demonstre que está carente, exija atenção. Torne-se uma pessoa sufocante, que não me deixa respirar.

3. Faça planos e mais planos. Se for criativo, comece a falar sobre casamento com poucas semanas de relacionamento, tente me obrigar a seguir regras e tradições da sua família. Insista em me apresentar sua família e para todos os seus amigos. Diga que quer ter filhos comigo e faça questão de dizer que, na sua família, a tradição é que as crianças herdem os nomes dos pais ou avós. Filho, Junior, Neto. Ignore todas as minhas opiniões.

O pulo do gato, como diria o meu tio, é que se você fizer isso tudo quando eu estiver na TPM, o efeito é melhor ainda. São dicas empiricamente comprovadas. Sucesso garantido ou o seu dinheiro de volta.

E o melhor de tudo é que, se você começar com isso na segunda-feira, as chances são grandes de na sexta-feira você já não ouvir mais falar de mim. Sem brigas, sem discussões. Eu vou sumir da sua vida e, ainda assim, seremos bons amigos.
quinta-feira, 14 de junho de 2007 | By: Mandi

O homem sincero

O Homem Sincero é um de meus blogs favoritos.
Descobri ele por acaso.
É assinado por Fabio Hernandez, um escritor que tem publicado um livro com o mesmo nome.
Daí hoje tinha o seguinte post: "Inteligência atrai inteligência?"
O questionamento dele partiu da releitura do livro "Contraponto", de Aldous Huxley. Tomei a liberdade de reproduzir parte do que ele disse:
Num trecho, uma mulher casada, provocativa e flertadora diz a um homem – ao qual oferece a vista poderosa de um pedaço dos seios pelo decote ousado -- mais ou menos o seguinte: “Uma pessoa inteligente não se casa com outra pessoa inteligente. Veja, por exemplo, meu caso. Meu marido vive reclamando que sou inteligente demais.” É uma frase que faz pensar. Não sei se é uma frase genial ou idiota. E você, que acha?
Eu sempre brinco que, na próxima vida - se houver uma - eu quero nascer e permanecer burra. E, se Deus ajudar, vir loira, já que, segundo a sabedoria popular, elas se divertem mais. Mas eu queria mesmo é ser burra. Daquele tipo que ri de tudo pelo simples fato de não entender o que está acontecendo (gente, acabei de lembrar de alguém assim... a Mariane. Pronto, quero vir igual à Mariane. Mas aí a Juba não seria minha amiga... não sei, é um preço alto demais, viver esta vida sem ter a Gorda ao meu lado). Hoje, meu humor acaba quando eu tenho de explicar a piada...
Mas a verdade é que a vida é cruel. Não adianta ser ruiva e inteligente, porque as loiras (burras ou não) sempre levam a melhor... É uma constatação óbvia, eu sei. Azeda? Nada.
Certa vez meu amigo Marcunda me sugeriu descolorir o cabelo e tentar viver como loira por pelo menos uma semana. Impossível, eu diria. Me faltam qualidades.
Onde é que eu estava mesmo?
Ah, isso mesmo. A frase é genial. E deixa pra lá, que eu vou dormir.

Querido Marcunda:

A verdade é que ontem, quando conversamos, você foi cruel. Aproveitou tudo o que sabia sobre mim e me desmontou, sem ter dó. E teve a cara de pau de dizer que era para o meu próprio bem e que me disse tudo aquilo porque gostava de mim e se importava comigo.
Não sei se você tinha noção do que estava fazendo.
Sabe o que é alguém te conhecer bem o suficiente para te destruir, por completo, ignorando sua fragilidade?
E então eu fui dormir.
Dizem que o travesseiro é um bom conselheiro.
Não sei se é.
Aí hoje de manhã eu acordei. E me lembrei que essa noite eu sonhei. Sonhei com as crianças que eu tomava conta lá nos EUA, os pestinhas. É estranho, mas vez por outra eu sinto saudades dos moleques. Sinto saudades dos momentos bacanas que eu tive com eles, como eu gostava de passar horas lendo com eles. Aliás, o sonho foi sobre isso. Das vezes que eles pediam aos pais para deixarem eu ler para eles antes de eles dormirem...
Se esse sonho tem algum signficado? Não sei, talvez tenha sido só um sonho.
E eu acordei mal. Procurando os caquinhos de Amandita espalhados pelo meu caminho, apesar de não ter sido isso o que você me mandou procurar. Pensei na única coisa que me faria me sentir melhor. Ramones. "Loco Live".
Joey Ramone é meu pastor e nada me faltará...
E foi ouvindo Ramones que eu entendi as coisas que você me disse. E, mesmo discordando de algumas delas - não poderia ser diferente, né - eu quero te contar que eu resolvi jogar os caquinhos da Amandita no lixo. Pelo menos aqueles que não servem para nada.
E te dizer que hoje eu tive um bom dia. De verdade.
Vai ver é isso mesmo. Para se construir algo novo, é preciso destruir o antigo, aquilo que não serve mais. E depois fazer uma boa limpeza, para não deixar que os cacos fiquem nos caminhos, correndo o risco de se machucar por conta de um esbarrão acidental.
É isso.

One, two, three, four

Só Ramones salva.
quarta-feira, 13 de junho de 2007 | By: Mandi

O jantar dos desnamorados

Tudo começou ontem de manhã. Juba me ligou no jornal e combinamos de jantar à noite. Se tem gente que comemora o dia dos namorados, a gente celebra a nossa amizade com comida japonesa e dando risada em qualquer dia do ano. Aí a história correu feito pavio aceso. Chamei o Anderson, que topou na hora, a Li, que não foi. A última a aderir à idéia foi a Karina, que merecia uma folga, depois de ter estreado na editoria de Polícia.
Já no restaurante, com o Anderson estavam o Edson e a Maria Helena.
E, na mesa ao lado, um trio do barulho. Wagner e Andréia, com quem eu estudei quando éramos crianças, mais a namorada do cara. Trêbados, falando alto e constrangendo a todos que estavam no restaurante, inclusive as garçonetes. E, por mais que a gente seja adepto do "cada um cuidando bem da sua vida", foi difícil ignorá-los.
Depois de muita confusão na mesa deles, e muita diversão na nossa, eles foram embora, quase botando o restaurante abaixo. Teve desmaio, choradeira, gritaria. Melhor do que novela mexicana. E, depois que saíram, a gente ainda ouviu a gritaria lá fora.
E assim foi o nosso jantar.
No dia seguinte...
Celular toca. É o Anderson.
- Amanda, você está vendo o jornal na tevê?
- Não, por quê?
- Como não, como não?
- Ué, o DV tá com o controle, sei lá o que ele está vendo.
- Adivinha quem foi preso?
- Quem foi preso?
- O Wagner.
- Como assim?
- Preso. Ontem.
- Preso?
- É, acabou de dar a notícia no jornal.
- Preso como?
- No Rodeio. Numa barraca de hot-dog. (Nisso, a Juba, que tinha me ligado para me chamar para almoçar, estava na outra linha, ouvindo tudo).
Pergunta da Juba: - Fazendo o que numa barraca de hot-dog, depois de jantar no japonês?
- Sei lá, vai ver ele estava com fome.
- Preso por quê?
- Ah, disseram que ele se identificou como policial, bêbado, e não é policial nada.
- Eh, que eu saiba não é mesmo.
- Então, ele estava armado.
- Armado?
- Armado?
Nessa hora eu pensei: putz, eu sabia que o cara andava armado. A Maria Helena também levantou a bola no meio do jantar. Mas, daí a achar que ele fosse usar...
- Armado.
- E daí?
- Vou desligar, depois você conta - disse a Juba, já estressada com o blá-blá-blá.
- E daí que ele está no CDP. Preso.
- Gente, que coisa.
- É. Depois eu passo no jornal para saber mais com o Laércio (editor de Polícia).
- Tá bom.
- É osso*.
- É osso*.

O que é osso*, você deve estar se perguntando?
Isso, só a Inês, que não estava lá, sabe.
Afinal, foi seu grito de guerra na Parada Gay, de São Paulo, e em um velório, que ela resolveu ir em seguida, com o Edson, bêbada, sem conhecer o morto.

E daí você me pergunta se foi um bom dia dos namorados? Foi o melhor.
terça-feira, 12 de junho de 2007 | By: Mandi

12 de junho

Repitam comigo: hoje é um dia como outro qualquer.
Estando só ou acompanhado.
É só mais um dia em que o comércio fatura.
Porque, quando é pra valer, ninguém precisa de um único dia no ano para ser legal com seu par, para fazer coisas bacanas juntos ou para inventar uma surpresa.
sábado, 9 de junho de 2007 | By: Mandi

Saudades de Álvaro de Campos

Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Breja no Morumbi

Sexta-feira.
Depois da folga na quinta-feira, feriado, o trabalho acumulado.
Sempre evito deixar o MSN ligado no trabalho, mas como pouco tenho usado o dito cujo em casa, mandei às favas. Em quase um ano de volta ao Brasil, só vi um querido amigo uma vez. Por acaso. Jornalistas enrolados, eu diria. E ontem ele estava no MSN. "Tô em Mogi, vamos almoçar?" "Tô no trabalho. Mas, tá bom, vamos". Ele arrebanhou mais um amigo nosso e lá fomos nós almoçar. Sem vontade de voltar para o jornal, depois.
Ficou combinado que eu teria até às oito da noite para terminar minhas coisas e aparecer no Morumbi para tomar uma com eles. Confesso que não estava no pique para sair. Ainda mais sexta-feira, 20 horas.
Por outro lado pensei: que mal vai me fazer?
Ao chegar no Morumbi, cadê a dupla? Nada no salão. Estavam no balcão. Apesar de ser velha frequentadora do Morumbi, nunca havia ficado no balcão. Testosterona demais para o meu gosto. Aí pensei: beleza, balada de macho. Só faltou o futebol. Era olhar para o ambiente e só tinha cueca. E eu, de jaqueta cor-de-rosa, lá no canto.
E lá eu não precisava me preocupar se o meu cabelo estava sujo, se eu ainda não havia tomado banho depois de um dia inteiro de trabalho ou em tentar parecer sensível e feminina. Acreditem, ultimamente eu ando menos feminina do que nunca e sem paciência para isso. Do tipo "meu rosto dói quando eu dou risada". Garota enxaqueca total.
Agora, cá entre nós. Papo de macho pouco difere do papo de fêmea.
Logo que cheguei, me mostraram uma revista com ensaios fotográficos pseudo-sensuais de mulheres e um cara. Eles queriam saber a minha opinião sobre a masculinidade do rapaz. Mas, a minha teoria é a seguinte: o cara tava à vontade demais com a bunda dele. E, até onde eu sei, os homens no geral têm dificuldade de lidar com a própria bunda. Medo de gostar, já que eles associam isso ao homossexualismo. Enfim.
Mas isso foi só uma parte.
Não existe nada mais libertador do que tomar cerveja e não precisar parecer atraente. Melhor ainda quando os caras que estão com você não te consideram atraente. Poder ir ao banheiro e usar frases do tipo "calma aí que a natureza está chamando".
Não, eu não quero virar homem.
Mas, vez por outra, é muito mais fácil ser um deles.
sexta-feira, 8 de junho de 2007 | By: Mandi

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças



Sinopse:
Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) formavam um casal que durante anos tentaram fazer com que o relacionamento entre ambos desse certo. Desiludida com o fracasso, Clementine decide esquecer Joel para sempre e, para tanto, aceita se submeter a um tratamento experimental, que retira de sua memória os momentos vividos com ele. Após saber de sua atitude Joel entra em depressão, frustrado por ainda estar apaixonado por alguém que quer esquecê-lo. Decidido a superar a questão, Joel também se submete ao tratamento experimental. Porém ele acaba desistindo de tentar esquecê-la e começa a encaixar Clementine em momentos de sua memória os quais ela não participa.
Há algumas semanas estava para escrever sobre este filme. Mas nunca tinha a oportunidade, até que ela apareceu, metendo o pé na porta (ou na bunda, vai saber). Não sei se vocês já assistiram. "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças". Eu me lembro quando eu o assisti e logo ele se tornou um dos meus favoritos. Me fez pensar e eu me apego facilmente a tudo o que me causa reflexão.
Se você vivesse uma história com alguém e essa história terminasse, e houvesse a possibilidade de você apagar a lembrança disso tudo da sua mente, o que você faria? Gostaria de saber o que os leitores deste blog pensam. Mas, neste momento, vou dizer o que eu penso. E a minha resposta é: depende.
Sempre adorei história. E sempre tive a certeza de que nossa história é única e que nós somos capazes de aprender com ela. Sabe aquela coisa de não repetir nossos atos quando sabemos que eles já não funcionaram uma vez? Mas a memória pode ser cruel, também. Pode ocupar um espaço e criar barreiras no futuro.
Esse tipo de lembrança, eu apagaria.
Apagaria as lembranças que me impedem de ouvir uma música ou assistir um filme. Que me impedem de ler um livro ou de sorrir com sinceridade. Eu apagaria, sim, aquelas lembranças com as quais eu não sei lidar e que me fizeram tomar as decisões que tomei ou fiz com que outras pessoas tomassem, criando um vazio que ocupa espaço, ao menos para mim.
Mas isso sou eu, fazendo drama e sendo mulherzinha.
terça-feira, 5 de junho de 2007 | By: Mandi

Vocabulário

Inflexão.

1 mudança da direção ou da posição normal; desvio
2 determinada entonação ou acento na pronúncia de uma frase; tom
segunda-feira, 4 de junho de 2007 | By: Mandi

O velho jornalista

Partiu. Partiu como muitos de nós, jornalistas, gostaria de partir. Escrevendo.
Chegou a notícia agora há pouco, aqui na redação. Roberto Monteiro, o Bob para todos nós, apaixonados por ele.
Estranho olhar aqui para a redação, que agora tem outra cara, uma cara muito diferente de quando entrei aqui pela primeira vez. Me lembro dele sentado, lá no canto, onde gostava de trabalhar todas as manhãs. Lembro de todas as vezes em que conversamos, das histórias que me contou, das lições que ensinou.
O corpo já estava cansado há muito tempo, mas ele continuava escrevendo, ainda que fosse em casa, e não aqui. Os velhos olhos azuis, sempre tão atentos, sempre tão doces, não nos reconhecia mais. Era o tempo. Esse tempo que passa, tanto para o bem, quanto para o mal.
Me incomoda quando as pessoas dizem que alguma coisa vai passar, quando na verdade só o tempo é que passa de verdade. A saudade, por exemplo, não passa. Só se faz crescer.
As lembranças também não passam.
Eu queria escrever um texto melhor, contando o que eu sabia sobre esse velho jornalista. Não o que ele foi para o mundo. Eu seria incapaz de medir a dimensão disso tudo. Seria incapaz de dizer tudo o que ele foi para mim. O que ele me ensinou. Lições valiosas de humildade numa profissão em que é tão fácil se perder pelo ego.
O aviso, logo no começo. "Minha filha, jornalismo é vocação. Você abre mão de todo o resto, em nome dele". Ou ainda: "Há duas escolhas que podemos fazer na vida: ou você escolhe ser rico, ou você escolhe ser jornalista. Não dá para fazer ambos".
Bob era como um avô, para mim. Cheio de histórias para contar, de sabedoria para dividir. Nunca negou uma boa conversa.
Bob viveu na minha vida dez anos. Tão pouco, olhando agora.
Mas, vai ver é isso. A lição final do velho jornalista é que a vida é efêmera.
Esteja bem, Bob. Onde estiver.