quinta-feira, 31 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Folia

Que me perdoem os foliões de plantão, mas Carnaval é um pé no saco. Figurativamente falando, até porque eu desconheço este tipo de dor.
Ao meu ver, o Carnaval só é bom, teoricamente, para aqueles que têm a chance de fugir dele. Eu tive esta sorte duas vezes na vida. A primeira, quando fui para o sul do Brasil durante o tal do reinado do Momo. A segunda foi quando eu morava nos Estados Unidos e nem me lembrei que um dia existiu o Carnaval.
Quando eu tinha meus 15, 16 anos, eu cheguei a ir a alguns bailes no clube. Menos pela qualidade do som ou pelo meu gosto pela folia, mais pela bagunça, por uma chance de estar com meus amigos. E me sentir mais velha. Afinal, na época dos meus 15, 16 anos, ainda só se entrava no clube com um responsável. E eu sempre aparentei ter menos idade, o que causava certo constrangimento quando me pediam os documentos.
O tempo passou, eu comecei a trabalhar no jornal e Carnaval se tornou sinônimo de muito trabalho. Plantões, cobertura de desfiles capengas na avenida, tiroteios, apurações, choradeira de quem ganha, choradeira de quem perde. Será que eu sou tão insensível que não consigo entender isso?
Este ano, o Carnaval vai ser de trabalho, normalmente. Se eu pudesse escolher, provavelmente iria para alguma cidade perdida no meio do nada, sem batuques, sem estresse e, de preferência, nenhuma dessas praias ou cidades da moda, que metem a faca em pacotes caríssimos. Só porque é Carnaval.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Vestido de noiva

Hoje eu conversei com a Hayashi, uma de minhas pessoas favoritas no mundo. E o mundo não é grande demais quando a gente tem amigas como ela. A Hayashi está morando no Japão. Não nos vemos desde maio, quando ela se casou.
E hoje lá estávamos nós duas conversando. Até que, do nada, ela me perguntou qual era o meu estado civil atual. Solteira, como sempre. Foi aí que ela fez um comentário engraçadíssimo: "Sabia que todas as minhas amigas que me pediram que eu colocasse o nome delas na barra do meu vestido de noiva estão namorando ou casando?"
Quase que aliviada, eu respondi: "Mas, Hayashi, você não colocou o meu nome na barra do seu vestido de noiva. Eu não pedi".
Silêncio. Alguns minutos depois, ela retrucou: "eu sei que você não pediu, mas eu coloquei mesmo assim".
Eu só pude dar risada. Por várias razões, a principal delas é que a Hayashi tem um dom único de ver o mundo com lentes cor-de-rosa e cheias de açúcar, razão pela qual eu a chamo de Algodão-Doce.
Fiquei imaginando como justo eu, ou melhor, meu santo nome, foi parar na barra do vestido de noiva da minha amiga. Justo eu, que nem sou ligada nessas mulherices de casamentos, simpatias e afins.
Daí eu me lembrei que, quando a Hayashi se casou, eu estava envolvida com alguém que, inclusive, foi comigo ao casório, em São José. E tudo parecia ir superbem, na época, até que, cinco dias depois, descobri que estava sendo chifrada e ainda tomei um emblemático pé na bunda.
Mas, pensem bem, oito meses depois, eu descobri que o meu nome estava na barra do vestido de noiva da Hayashi, o que segundo ela é uma tradição para trazer boa sorte no amor. E percebi, no final das contas, que essa história de nome na barra do vestido realmente deve ter funcionado para mim, afinal, eu estava sendo traída, em todos os sentidos, por alguém em quem eu confiava. A tradição funcionou porque a verdade apareceu.
Se foi doloroso? Claro que sim.
Mas eu poderia estar iludida até hoje, o que seria muito pior.
Aqui em casa, minha avó e minha mãe têm o costume de dizer que tudo o que acontece nessa vida é pelo nosso bem. Pode até ser que no momento em que elas aconteçam, a gente não se dê conta disso, fique triste ou revoltado. Mas, no final, as peças do quebra-cabeça se encaixam e conseguimos ter uma visão mais abrangente.
Hoje, eu enxergo além.

New Kids on the Block

Alguém se lembra dessa boy band? Pois é, acabei de ler no UOL que eles estão planejando uma reunião. Se bem que, a partir do momento em que o caçulinha da turma atingiu seus 35 anos de idade, eles deveriam, no mínimo, repensar o nome da banda. Old Kids on the Block me parece uma alternativa viável... Se bem que, bom senso mesmo eles teriam em não voltar.
Por mais que eu esteja detonando o NKOTB, eu confesso que já fui fã dos rapazes. Enquanto as meninas suspiravam por Joe, Jordan ou Donnie, eu curtia mesmo era o Jonathan Knight. Mais discreto, tímido, mais dentro do que se tornou minha preferência quando passei a ter idade o suficiente para entender o que isso significava.
Depois do New Kids, meu gosto musical mudou radicalmente. A porta foi o Guns n' Roses, que trouxe junto Led Zeppelin, Black Sabbath, The Doors... Foi como começou a segunda parte da minha formação musical.
A primeira, caso você esteja se perguntando, veio do berço, com muito Roberto Carlos, Toquinho, Vinícius de Moraes, Turma do Balão Mágico, Beatles, Orquestra Tabajara, Ray Coniff... Coisas que eu ouvia no berço.... Até ter idade suficiente para escolher o que queria ouvir....
E, por incrível que pareça, tem muito do que eu ouvia no berço que eu escolho ouvir hoje em dia.
Então, é isso. Não tem muito a ver com a complexa arte de ser mulher, mas achei bacana escrever este post. Até porque é sempre divertido ver a cara das pessoas quando eu conto que o Donnie, aquele new kid encrenqueiro que enlouquecia a meninanda, se transformou naquele ser asqueroso que aparece nas primeiras cenas de "O Sexto Sentido". Quem? Aquele doidinho que dá o tiro no psiquiatra vivido por Bruce Willis.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Utopia

Acordo, ligo a televisão. "Bom Dia São Paulo" parece ser a única opção no momento. Por falta de opção, assisto. As notícias são todas de ontem, inclusive os 60 anos da Rua das Noivas, em São Paulo. A matéria mostra uma das obsessões femininas, o tal do casamento. Mulheres que vão se casar daqui seis meses, um ano, se esgoelando por conta de vestidos, limusines e bolos. Como se casamento fosse isso, mas vai fazer o que. Nós vivemos em uma sociedade que acha que a vida é festa.
Casamento nunca foi um assunto que ocupou meus sonhos. Eu não vejo o casamento como festa. A começar pelos preparativos, investir uma grana alta que eu poderia usar para viajar ou montar uma casa... Pra quê? Para passar algumas horas dentro de um vestido que não me deixa respirar, usando sapatos que apertam meus pés e me deixam de mau-humor... Alguém poderia me dizer que é uma maneira de celebrar um momento bacana com meus amigos e parentes. Tuuuuuuuuuuuudo bem. Encontremos, então, uma alternativa em que eu possa usar roupas confortáveis e fique, de preferência, descalça.
Depois entra a história do padre. Outra coisa que me incomoda. Eu não acredito em padres, não vejo sentido em suas celebrações. Acho absurdo o tal do cursinho de noivos, um cara que - pelo menos oficialmente - nunca teve um relacionamento e quer dar lições sobre o assunto para o casal. E a parte do juramento de lealdade? Fala sério. No meu caso, a lealdade começa no momento em que o sentimento começa. E com isso tudo vem o respeito e o amor, tudo em seu devido tempo. Não vem com uma aliança no dedo, mas com tudo o que se cultiva desde o primeiro olhar, o que leva alguns a, um dia, colocar a tal aliança no dedo.
domingo, 27 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Charlie Brown

Eu gosto de assistir a desenhos antigos. Aqueles, que fizeram parte da minha infância. Vez por outra, Caverna do Dragão, Pernalonga, Tom & Jerry, Pica-Pau (aliás, quando chega mensagem no meu celular, o som é o Pica-Pau rindo). E Snoopy. São histórias que fazem com que eu me lembre, por alguns instantes, de que minha vida já foi descomplicada.
Hoje, domingo, tive um destes momentos, assistindo ao Snoopy.
Há algum tempo, Charlie Brown vem demonstrando seus sentimentos por conta de uma tal de menininha ruiva. No outro dia, queria conhecê-la de qualquer maneira, mas era tímido demais. Não bastasse isso, ainda havia o mundo, que parecia conspirar contra ele. E no último dia de aula, tudo deu errado. Até que, de repente, ele descobre um bilhete em suas coisas, que dizia "Charlie Brown, eu gosto de você, assinado Menininha Ruiva". E ele fica completamente feliz.
Hoje, a cena era um jogo de futebol americano. E a menininha ruiva na platéia, coroada como a rainha do baile, que aconteceria naquela noite. Cabe a Charlie Brown o chute decisivo, que fará com que o time ganhe ou perca o jogo. Ele chuta e... erra. Mais tarde, no baile, ele é o acompanhante da Menininha Ruiva e tem de levá-la até a pista de dança e, chegando lá, dar um beijo em seu rosto.
Charlie Brown quase desmaia, mas consegue cumprir sua função. Depois do beijo, fogos de artifício, corações explodindo e o menino aparece em sua cama, acordando do que parece ter sido um sonho. E sai para conversar com o amigo Linus, que o faz lembrar de tudo o que aconteceu no dia anterior. E filosofa sobre como um pequeno gesto pode fazer tudo mudar. Como aquele beijo fez do garoto que foi a decepção do jogo, a alma do baile, já que ele dançou com todas as meninas.
E daí eu me peguei pensando em como este desenho é incrível.
E em como os sentimentos não têm idade.
E em como um segundo é capaz de mudar uma vida.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Mudanças

Não sei se é por conta desta falsa sensação que o começo de um novo ano traz, mas eu estou atravessando um período de mudanças. Pequenas, mas significativas. Uma delas, os leitores do blog já tiveram a chance de perceber: o template de A Complexa Arte de Ser Mulher. Na realidade, eu ainda estou testando para ver se gosto, ainda não sei.
Marcunda, meu amigo-padre (se você não se lembra o que é o amigo-padre, procure o post sobre tipos de amizade masculina, se não me engano publicado em 2006), leitor, escritor e crítico deste blog, foi enfático ontem à noite ao dizer: não gostei. Direito dele.
Ele fez isso em um momento em que estudava como criar templates. E prometeu que, no dia que entendesse aquele idioma que, ao meu ver, é muito mais difícil e com muito mais consoantes do que o alemão, ele faria um novo para mim.
Enquanto isso, eu vou experimentando os templates que encontro on-line.
Até porque, tudo na vida é isso, um experimento, tentativa, erro, acerto. E sem garantia alguma de sucesso. Da mesma forma que a solução de um problema ou a realização de um sonho não exclui a possibilidade do surgimento de um novo problema, um novo sonho. É só o nível do jogo que muda.
E nada é imutável, nada é permanente... O que me faz pensar em cabelo, essa preocupação louca que a mulher - e muitos homens - têm com o cabelo. A natureza foi sábia ao me dar cabelo liso, porque eu seria incapaz de ser dependente da chapinha. Até o secador eu só uso em última instância...
E o cabelo... o cabelo é a primeira vítima de uma mulher quando ela resolve mudar. O meu já foi curtíssimo, curto, médio, longo. Hoje é vermelho. Incrível meus fios ainda não terem sido vítimas dessa minha fase atual... por muito pouco. Eu já acordei várias vezes com aquele instinto assassino de tosar a juba, mas consegui controlar. E quando não conseguir controlar, como em outras vezes em minha vida? Problema nenhum, cabelo cresce. Nada é permanente. Nem mesmo um corte de cabelo ruim.
domingo, 6 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Tuesdays with Morrie

Culturalmente falando, eu tenho três grandes paixões em minha vida: filmes, músicas e livros. É difícil colocá-los em uma ordem de importância, porque isso varia muito de acordo com o momento que estou vivendo. Quando estou envolvida com alguém - na realidade, basta eu estar interessada em um cara, por exemplo - que a música me absorve de maneira quase que inexplicável.
Eu posso suportar muitos defeitos no outro, até porque eu sou cheia de manias e defeitos. Posso até mesmo suportar o fato de ele ter péssimo gosto para filmes e livros. O que eu não posso suportar, no entanto, seria um mau-gosto para música. Já aconteceu de eu me interessar por caras pelo simples fato do gosto musical deles ser compatível com o meu. Não posso dizer o mesmo de seu caráter, uma pena.
Mas, fato é que a música tem andado em segundo plano na minha vida ultimamente. E não foram os filmes que ganharam espaço. Foram os livros.
Sempre gostei de ler, mas nos últimos tempos a minha fome por livros tem me levado a devorar palavras. Hoje, por exemplo, li em uma sentada "A Última Grande Lição", de Mitch Albom (para quem se interessar, a editora é a Sextante).
Eu já conhecia a história porque, em 1999, o livro foi transformado em filme pela HBO, com Jack Lemmon no papel do velho professor Morrie. Aliás, o título original era "Tuesdays With Morrie", porque os encontros entre o velho professor e seu antigo aluno aconteciam sempre às terças-feiras. Lembro de ter assistido o filme e me apaixonado pela trama.
Um velho professor de sociologia contrai uma doença sem cura e, a partir daí, resolve ensinar os outros que a morte faz parte da vida e nunca é tarde para viver. E ele viveu, intesamente, até o último suspiro. Morrie virou personalidade nos EUA, entrevistado por um programa de televisão. Foi aí que Mitch Albom, seu velho aluno, descobriu que o mestre estava morrendo e decidiu visitá-lo. Foi daí que começaram um projeto de discutir o sentido da vida. Morte, casamento, amor, dinheiro, trabalho, perdão... Neste tópico, a mensagem é que precisamos aprender não só a perdoar os outros, mas a perdoar nós mesmos, que talvez seja tão difícil quanto.
Eu, por exemplo, tenho grande dificuldade em perdoar a mim mesma. Aliás, eu exijo demais de mim mesma, o que me torna insuportável a minha existência. Quem diria, hein. E a novidade é que eu não ou a única. Seria capaz de citar tantas pessoas que conheço que não são diferentes...


Morrie me fez lembrar que eu passo tanto tempo sobrevivendo, que me esqueço de viver. E é fácil culpar o sistema por isso, quando eu deveria admitir que sou preguiçosa demais para mudar uma realidade à qual já estou acostumada.
É por isso que de nada adianta fazer listas com resoluções de ano novo.
O que realmente importa é viver. E amar, diria Morrie.
sábado, 5 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Felicidade

Ativista social americana, Rita Mae Brown certa vez disse que "A chave para a felicidade é uma memória ruim". Eu concordo. Mas é apenas umas das chaves.
Então decidi pesquisar o que dizem por aí sobre o assunto. Minha fonte são as citações. Há um site muito bacana para quem gosta destas frases de efeito, o www.quotationspage.com.
E lá estava uma frase que achei interessante, dita por Oscar Levant, alguém que eu não faço idéia de quem tenha sido, que disse que "A felicidade não é algo que você vive, mas algo que você se lembra". Eu discordo, de certa forma, porque quando os momentos são realmente felizes, você tem essa noção no momento em que eles são experimentados.
Nada como aquela história de só valorizar algo depois que já perdemos.
Eu tenho tentado cultivar, quase que diariamente, a capacidade de valorizar cada momento quando ele ainda é presente. Afinal, quem vive de passado é museu.
Outra frase divertida é a de George Bernard Shaw, conhecido escritor. Disse ele que "Uma vida inteira de felicidade! Homem algum poderia aguentar. Seria como o inferno na Terra". Basicamente isso.
Mas, talvez a minha favorita, no final das contas, seja aquela dita por Ernest Hemingway, que dispensa apresentações. "Felicidade em pessoas inteligentes é uma das coisas mais raras que eu conheço". E ele sabia do que estava falando.