terça-feira, 5 de dezembro de 2006 | By: Jujuba

Diferenças


Dizem que os opostos se atraem.
Eu não acredito nisso.
Eu acredito no equilíbrio.
Eu penso que, se eu for muito nervosa, preciso de alguém calmo. Mas não que eu me atraia por gente calma, mas que é mais fácil conviver com alguém mais paciente.

É difícil dizer se as diferenças nos repelem ou nos completam.
Depende da pessoa, da situação, do momento.
Mas é sempre mais fácil escolher alguém que já tenha alguma coisa em comum. O mesmo gosto musical, a mesma profissão, a mesma religião, sei lá. É um ponto de partida.

Ano passado fui numa cartomante. Ela disse que o homem da minha vida é um promotor de Justiça, de gel no cabelo e terno. Comecei a rir. Ela ficou ofendida. Disse que era sério.
Tão sério que começou a descrever o dito cujo. 1,75 de altura, cabelos castanhos, porte médio. Começou advogando, mas vai passar no concurso para Promotoria.
Voltei a rir. Ela tirou as cartas da mesa e perguntou qual era a graça.
A graça, minha senhora, eu respondo agora:
Para uma jornalista de óculos riscados e mal cuidados, de all star furado, de colar de sementes, calças surradas e cabelos não-escovados, eu diria que a probabilidade de um promotor engomadinho se interessar por mim é quase nula.
Assim como a probabilidade de eu olhar para um boyzinho desses de academia é quase nula também.
Diferenças à parte, to pagando pra ver. Se isso acontecer de verdade, eu volto pra contar.

Maturidade

A tal da maturidade é um assunto que tem sido bastante discutido atualmente, para o bem ou para o mal. É um tema, aliás, que vem "amadurecendo" há algum tempo na minha cabeça. Até hoje, que mesmo cheia de matérias para escrever, resolvi sentar e colocar em palavras tudo que anda passando pela minha cabeça ultimamente.
Vez por outra aparece esta ou aquela celebridade falando que está muito melhor aos 30, 40, e continua, do que em seus 20 anos. Aos 28 anos, muito mais próxima dos meus 30 do que dos meus 20, eu devo admitir que sinto o mesmo. Não adianta querer falar pelo sexo feminino, em geral, porque cada um encara o passar do tempo de maneira diferente.
Ainda assim, por incrível que pareça, os anos nos trazem sabedoria, paciência e uma habilidade fantástica para lidarmos com o outro e com nós mesmas. É fantástico como a vida se torna menos complicada - desde que não envolva hormônios ou paixões, é claro.
Hoje eu percebo que - na maior parte do tempo - sou menos ansiosa. Percebi que não tenho controle sobre muitas coisas, em especial, sobre a reação dos outros. Ainda assim, eu sou dona do meu nariz, posso fazer o que quiser e não preciso da aprovação de ninguém para isso.
Esta dinâmica me trouxe de presente uma coisa que eu sempre tive problemas para lidar: a tal da auto-estima. De repente me caiu a ficha de que eu precisava parar de brigar comigo para poder encontrar o meu lugar. Mais ainda: que não adianta fazer dieta, academia, mudar o visual, que seja, para se adequar aos parâmetros de terceiros.
É nesse momento que você percebe que a diversidade existe e que todo mundo tem lugar no mundo. Inclusive eu, você, ele, ela, nós todos. E, como diria um querido professor que eu tive há muito tempo, Silas Fernandes, você é único. Tenha orgulho disso.
Meu corpo pode não ser igual ao das modelos famosas. Mas eu não preciso de um corpo de modelo, porque meu trabalho não está ligado à minha imagem. E, cá entre nós, ninguém precisa de um corpo de modelo para ser feliz, basta levar uma vida saudável e aprender a usar as ferramentas que tem. Eu aprendi. O mesmo é com a mente, com a alma.
Vez por outra eu costumava dizer - e já ouvi muito - que eu gostaria de saber o que eu sei agora há uns dez anos. Já mudei de opinião. Foi o fato de não saber nada naquela época que me permitiu sofrer, aprender, amadurecer. E hoje eu vejo que é isso o que importa: viver cada fase da vida, não ter medo de se apaixonar, de sofrer. Porque é para isso mesmo que estamos aqui.
sexta-feira, 1 de dezembro de 2006 | By: Mandi

O lado masculino da amizade

Ter amigos é muito bom. Pessoas com as quais a gente pode contar a qualquer hora, ligar às três horas da manhã, que elas não vão te mandar à merda. A amizade, como muitos outros aspectos da vida, geram uma série de mitos. Dizem que a amizade entre homens, por exemplo, é a mais pura e verdadeira que existe, uma vez que não há traição ou inveja. Será?
Amizade entre mulheres, bem, isso é outra coisa. Se a traição existe? Sim. Mas quando mulheres são amigas pra valer, são capazes de abrir mão de muita coisa em nome da outra. Existe uma cumplicidade muito forte, como se fossemos irmãs.
Mas, a verdade é que eu fiz toda essa introdução para chegar ao vértice masculino de uma amizade feminina. Ou seja, a relação homem-mulher. Meu tio Álvaro, profundo conhecedor do universo feminino (ele é ginecologista e obstetra, vive cercado de mulheres o tempo inteiro), diz que não acredita na amizade entre os gêneros. Segundo ele, sempre há um interesse não-declarado de uma das partes. Traduzindo isso de maneira simples e direta, sempre um quer comer o outro.
Eu discordo. Até porque a amizade entre homem e mulher pode contar com diversas classificações. Confira algumas definições que elaborei a partir da minha experiência no assunto:
Amigo Gay
O amigo gay curte, praticamente, as mesmas coisas que você, o que inclui homens. Não existe inveja por parte deles, só porque você é mulher. Geralmente, eles têm ótimo gosto, são sensíveis, excelentes conselheiros e ouvintes. Mas, o lado feminino deles fala mais alto em determinados momentos: se eles não gostarem de você de verdade, podem fazer da sua vida um inferno. Por outro lado, se gostarem, sua auto-estima nunca mais sofrerá baixas.

Chegado
É o amigo que você encontra vez por outra. Apesar de se chamar chegado, ele se mantém à distância, de certa maneira, uma vez que você nunca liga para ele, nem ele para você. Os encontros geralmente acontecem na balada ou em qualquer lugar, sem nada combinado. Nestas raras oportunidades, vocês trocam idéias, contam histórias, lembram do passado. Muitas vezes são aqueles amigos com quem você estudou na escola, não tem nada em comum com eles, mas ainda assim eles são legais.

Amigo Disk-Pizza
Este tem sido o objeto de desejo de dez entre dez mulheres, algumas das quais se referem a ele como P.A. (se você não souber o que é, não se preocupe, eu também precisei perguntar o que era à amiga que me falou sobre esse tipo). Em resumo, é o amigo para o qual você liga quando quer sair, se divertir, beijar na boca... sem que isso signifique a obrigatoriedade de um relacionamento. Aliás, em um outro blog (No Sex and The City) eu li o termo trepê, que eu achei bem engraçado.

Amigo Marido
Feliz é a mulher que tem um desses. O amigo marido é aquele que você faz praticamente tudo junto, menos beijar na boca e sexo. Todos os programas imagináveis de casal, lá estão os dois: jantar, festa de criança, balada de casais... São tão integrados que muitos pensam que vocês realmente estão juntos e não conseguem imaginar vocês com outras pessoas. Os parentes aprovam a relação, uma vez que um está totalmente integrado à família do outro. Sentem ciúmes, olham feio quando alguém se aproxima com a intenção de cantar a sua pseudo-cara-metade. A dica, aliás, é evitar qualquer paquera ou fazer confissões sobre seus interesses sentimentais ao amigo-marido. Geralmente, eles são muito sensíveis.

Amigo Padre
Melhor ainda se for virtual, porque aí você dispensa o confessionário e transforma o msn numa opção. O amigo padre é aquele cara para quem você conta tudo e pede conselhos sobre os mais variados assuntos - homens, principalmente. É preciso estar atenta, no entanto, ao fato de que não pode haver interesse algum de nenhuma das partes, senão os conselhos não serão válidos.
E aí, qual o seu tipo de amigo?