segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007 | By: Mandi

Os três porquinhos

 Era uma vez, três porquinhos. Eles adoravam brincar, se divertir e viver a vida despreocupados. Um dia, apareceu um lobo mau, disposto a devorá-los. Foi quando eles tiveram a brilhante idéia de construir, cada um, uma casa.
O primeiro porquinho, preguiçoso demais para projetar uma casa, optou pelo caminho mais fácil. Escolheu a palha como material, porque podia ser encontrada em abundância, era leve e ele não perderia muito tempo trabalhando. Não demorou muito para o lobo aparecer, e lá se foi o porquinho boa-vida se proteger. Após gritar algumas ameaças, o lobo mau disse que iria botar aquele casa abaixo (ae, porquinho, a casa caiu pro teu lado). O porquinho não botou muita fé, mas o vilão respirou fundo e... pufffffffff. Lá se foi a casa de palha para o chão.
O segundo porquinho, não tão preguiçoso, mas um pouco sem paciência, escolheu construir seu abrigo com madeira. Era um material mais forte que a palha, ele usaria pregos para segurar as tábuas, sim, certamente daria certo. Levou um pouco mais de tempo, ele gostou do resultado final... mas antes que pudesse aproveitar a nova casa, o lobo apareceu. Mais ameaças, mais gritaria diante de um porquinho descrente. O lobo respirou fundo e... puffffff. Lá se foi a casa de madeira para o chão, com pregos voando para todos os lados. Foi nesse momento, aliás, que o vilão de nossa história passou a ser conhecido como Lobo Quebra-Barraco.
O terceiro porquinho, mais velho e mais experiente, e que um dia já havia construído casas de palha e madeira - afinal, a história dos três porquinhos é antiga demais e ele tinha conseguido aprender muito com isso - resolveu que, desta vez, faria diferente. Escolheu construir uma casa de tijolos. Mesmo os tijolos sendo difíceis de se encontrar na floresta dos contos de fadas, cimento então, nem se fala. E o tempo que levaria? E se não desse certo? Era um risco. Mas mesmo assim, ele decidiu tentar.
Construiu a base, que ele sabia ser muito importante. Depois, levantou uma estrutura forte, o que só foi possível porque podia confiar naquela base. Aos poucos, a casa foi tomando forma e ele pode ver o resultado de seu esforço. Logo que a casa ficou pronta, não deu outra. O lobo mau apareceu. Falou que ia botar a casa abaixo, que não adiantava lutar contra isso. Tomou fôlego e... pufffffffffff. Nada aconteceu. Tomou fôlego novamente e... pufffffffffffffffffffffff. Nada. Depois de muitas tentativas, o lobo foi embora. Vez por outra, ele retorna. Mas esse é o papel dele, como vilão desse conto.

Moral da história

Certa vez, eu li que todo relacionamento era como uma casa, que para ser forte e duradouro, ele precisava de uma boa base, uma estrutura forte. Porque, sempre vai aparecer alguma coisa, ou alguém, tentando botá-lo abaixo, igual ao lobo desta história.
A vida é feita de tentativas, e nem sempre a primeira casa é aquela que vai permanecer em pé.
Então, o negócio é buscar fortalecer a base e a estrutura, antes de pensar em levantar dois, três andares... É o tipo da coisa que exige tempo, dedicação, paciência. Mas que certamente vale a pena, porque não é qualquer coisa que vai derrubá-la.
E, só para não perder a brincadeira, com um fundo de verdade, lembre-se: nos contos de fadas ou na realidade, sempre tem um lobo mau querendo comer alguém...
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 | By: Mandi

Intimidade

Constanza Pascolato é considerada uma das mulheres mais chiques do Brasil. Há algum tempo, li uma entrevista com ela, quando ela ainda era casada com o Nelson Motta. Nem sei mais se estão juntos. Enfim, mas ela dizia que eles moravam em casas separadas, como forma de evitar aquela intimidade dispensável - ou até mesmo excessiva e invasiva para uma mulher chique como ela - que todo relacionamento traz.
O que seria uma intimidade dispensável e excessiva?
Seria aquele conjunto de coisas que o seu par só faz quando está sozinho e, de repente, ele se torna tão próximo de você, que começa a fazer na sua frente. Mas, não se engane. A recíproca também é verdadeira e ninguém está imune a isso.
Você percebe que a fase "lua-de-mel" terminou num relacionamento quando o cara perde a vergonha de arrotar, coçar o saco e peidar na sua frente. Pior, eles até acham bonitinho. Meu irmão, por exemplo, acha lindo soltar aquelas bufas barulhentas ao lado da mulher dele. Quando cheira mal, então, ainda faz aquela cara de Michelangelo, como se tivesse concluído uma obra de arte. E aqueles arrotos, então? Eles soam como um sapo sendo pisoteado e morto - e, se deixar, é capaz de cheirar da mesma forma.
A mulher dele, muito fina, acompanha meu irmão no riso. Ou dá um tapinha nele, numa indignação momentânea. E aí, mulherada, levante a mão quem nunca reagiu dessa forma, quando por dentro a vontade era esgoelar o cara, no melhor estilo Homer-Bart Simpson? A verdade é que, no final das contas, em nome do bom relacionamento e daquela intimidade completamente dispensável (e que ela provavelmente não gostaria de ter, mas veio de brinde, fazer o quê?), ela tem de engolir o sapo.
Mas, e se fosse o contrário? E se uma mulher se coçasse, arrotasse e bufasse na frente do cara? O relacionamento terminaria ali mesmo, sem dó, nem piedade. Porque, de homem autêntico, passaríamos a mulher porca. Mais uma vez, é tudo uma questão de semântica. Tudo tem um significado manipulável.
Aí voltamos ao caso Constanza Pascolato. Ela disse que calcinha e cueca penduradas no boxe do banheiro era algo que, aos poucos, ia matando o relacionamento. Então eu penso, será? Talvez seja um fator mínimo diante daquelas peculiaridades do dia-a-dia, como dividir o banheiro, beijo antes de escovar os dentes, roupa íntima furada, ou aquilo que eu considero uma das coisas mais nojentas que já vi uma namorada fazendo em um namorado: espremer cravos e espinhas. Se eu faria isso por alguém? Não, nunca, jamais, em tempo algum. É por isso que mantenho minhas unhas bem curtas.
Ao meu ver, a intimidade é só um reflexo daquilo que há de melhor e pior em um relacionamento: a convivência. Poucos sobrevivem a ela. E das "experiências de sucesso" que eu pude observar ao longo de minha vida, o respeito está presente em todas elas.
Não custa nada segurar o arroto, ir bufar em outro lugar, manter a higiene... Isso só para citar coisas básicas. Porque, no final das contas, a intimidade também tem um lado bom. E é justamente esse lado bom que faz com que muitas coisas sejam relevadas.
Como eu disse no começo desse texto, não sei se a Constanza Pascolato ainda é casada com o Nelson Motta. Acho que não. Eu até costumava pensar que muitos relacionamentos não sobreviviam à tal da convivência. No caso deles, talvez, não tenha sobrevivido à falta de convivência.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007 | By: Jujuba

Carnaval

Pra variar, eu tinha preparado um belo texto inspirado no último postado pela minha amida Amanda. Mas vou guardá-lo para ser publicado em um dia especial que está por vir. Desta vez falarei sobre Carnaval.

Não sei quanto a vocês, mas eu odeio essa época do ano. Primeiro porque, pelo segundo ano consecutivo, eu passei trabalhando. Depois porque essa festa popular – regada a marchinhas, gente bêbada e muvuca - não me agrada, nem nunca agradou.

Então eu decidi sair. Enquanto todo mundo foi atrás do trio elétrico, eu fazia parte daqueles “Só não vai quem já morreu”. No Carnaval parte de mim morre mesmo.
Daí eu fui num bar. E tomei uma cerveja. E conversei com gente inteligente. Até a bandinha começar a tocar Jota Quest. Êta banda dos infernos.
Na minha próxima lista de insucessos que eu queimar na virada do ano vão estar os nomes desses caras.

Enfim. Era Carnaval. As pessoas estavam alteradas. Tive que fugir de uma briga na praça, com direito a porrada e tudo mais. Dei a ré no carro e andei uma rua inteira fugindo dos delinqüentes. Mas respirei fundo e pensei: “É Carnaval”.

Depois disso a coisa só ficou pior. No domingo fui trabalhar no desfile das escolas de samba. Se é que se pode chamar aquilo de desfile. E aí as escolas começaram a entrar na avenida. Uma após a outra. Todas iguais, com um samba-enredo que parecia ser cantado pelo mesmo cara, só mudava o nome da escola.
E daí num breve intervalo em que devorei um misto-quente (com batata palha?!) eu pensei na vida. E de como esse povo sofre. E de como eles estavam felizes com tão pouco. Pensei nas baianas que sustentavam aquela fantasia cafona e sorriam como se estivessem realizando um sonho. Pensei nos poucos foliões que levam aquilo a sério e que realmente se dedicam à apresentação.
Pensei até nas mulheres que fazem um belo de um regime pra desfilar impecáveis na avenida, poupando-nos daquela visão pitoresca de banhas sacudindo no mesmo ritmo da bateria.

Respirei fundo e fui pra avenida. E, surpreendentemente, a escola que mais gostei foi a da Fiel. Corintianos dos infernos fizeram um belo desfile.
Enfim, voltando à realidade, hoje é o último dia de Carnaval. Não vou me divertir porque não acho graça na folia, mas tenho certeza de que vou dar muita risada. Da desgraça alheia. Ou da desgraça própria.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007 | By: Mandi

O amor atrás das grades

Lá estava eu ontem à noite, sossegada, aguardando o início de "Desaparecidos" (Without a Trace), no SBT. Sim, eu sei, é duro não ter tevê a cabo, mas são coisas da provedora... Enfim. Carlos Nascimento comandando o jornal da emissora, que em determinado momento traz as coisas mais inúteis que se pode imaginar. Eis que ele anuncia a seguinte notícia: nos EUA, um site de presidiários em busca de namoradas está fazendo sucesso. É o Hot Prison Pals, caso alguém esteja interessado.
Segundo o âncora, a página traz fotos e diversas informações sobre os pretendentes, o que inclui o tempo de pena de cada um. Exceto o motivo, por razões óbvias.
Foi aí que me peguei pensando se há mulheres desesperadas o suficiente para iniciarem um "relacionamento" com um presidiário, ainda mais ignorando a razão pela qual eles se encontram atrás das grades. Quer dizer, o cara pode ser um serial killer, mas se ele preencher os requisitos básicos das moçoilas, beleza... Loiro, alto, primeiro grau completo, que saiba lidar com ferramentas, em especial o pé de cabra, hábil com armas.... Quem se importa se ele é uma ameaça à sociedade?
Afinal, todo ser humano é uma ameaça em potencial.
Foi então que eu me lembrei que, sim, há mulheres que acham que o amor pode prender alguém. Então, melhor ainda se ele já estiver preso, pense bem... Assim fica até fácil. Que o diga Simony, que teve o dom de ficar grávida de seu pretendente, o rapper Afro-X, durante o tempo em que ele cumpriu pena. Até musa de rebelião ela foi. O casamento não durou. Terminou pouco tempo depois que ele saiu da prisão. O amor só dura em liberdade, já dizia Raul Seixas.
Mas este é só um exemplo. E há vários outros.
Depois de refletir sobre tudo isso, finalmente eu encontrei uma vantagem em se namorar um presidiário. Pelo menos durante o período da pena, sua companheira - o que se aplica especialmente às mais ciumentas - poderá dizer, com toda certeza: "Eu sei onde meu namorado está neste exato momento".