segunda-feira, 31 de março de 2008 | By: Mandi

Eu sou feliz

Receber uma ligação no fim de uma tarde de segunda-feira, só para ouvir uma voz. Beijar na boca sem ter de pedir permissão. Passar uma tarde de domingo assistindo a desenhos antigos. Toro e Pancho, uma tentativa de Dom Drácula que não deu certo, Smurfs, Snoopy. E ainda tem o Pica-Pau, mais Snoopy, mais Toro e Pancho que não deu tempo. E o Dartagnan, que ainda vai chegar.
Sair para jantar com amigos queridos e rir a valer. Sem pedir permissão, sem medir tempo ou intensidade. Ouvir boa música tocada por quem sabe tocar, composta por quem sabe compor. Almoçar com a família, ver minha mãe e minha tia lembrarem de sua infância a cada mordida em um doce árabe. Dormir até tarde em um sábado, depois de uma semana cansativa, pós-plantão duplo.
Passar a noite de sexta-feira consciente de que mais sou ajudada do que ajudo. E que sou uma pessoa de sorte por estar ali, naquele momento, e a cada momento que ainda está por vir.
Isso é só um fim de semana.
É só um fragmento de uma vida.
É o que me permite dizer que eu sou feliz.
segunda-feira, 17 de março de 2008 | By: Mandi

Resumão

Já tem algum tempo que eu não escrevo por aqui. Falta de tempo, de paciência e até de um pouco de vontade. Mas os acessos continuam e eu sinto como se estivesse deixando meus amigos na mão. Então vamos lá...

Ano passado não foi dos melhores em minha vida. Me lembra até o nome de um CD do Titãs, "Tudo ao Mesmo Tempo Agora". Era como se tudo estivesse ocorrendo ao mesmo tempo. Uma nova perspectiva de trabalho dentro do jornal, freelas bacanas, aprender novas funções... tudo isso acompanhado de um relacionamento que não deu certo. Porque não era para dar.
Daí eu caí várias vezes. E levantei todas elas. Ora com a ajuda daqueles que me amam, ora sozinha. E então, mais uma vez, eu aprendi que o sofrimento é bom. Pode não ser quando estamos no meio dele, mas depois que passa, seus ensinamentos permanecem. Me lembro sempre de uma frase, de algum filme, que dizia que a dor era boa, a dor era nossa amiga, porque era sentindo dor que sabíamos que estávamos vivos. O sofrimento é parecido.
Porque o sofrimento nos ensina que não estamos anestesiados e que ainda somos capazes de sentir. Por muito tempo eu achei que não era mais capaz de sentir. Mas o sofrimento me provou o contrário.
E então veio o tempo. O tempo é outro professor, que nos ensina a ter paciência, a nos respeitar, a conhecer os limites. Mais ainda, a conhecer nós mesmos. E o tempo, se bem aproveitado, nos beneficia com sabedoria e maturidade. Desperta a capacidade de observação, que nos ajuda a escolher melhor os nossos caminhos. E, em determinado momento, nossos caminhos se cruzam com o de outras pessoas, com quem podemos ou não seguir juntos.
É por isso que toda aquela experiência anterior é tão importante... Para nos ajudar a reconhecer caminhos e pessoas. E, por incrível que pareça, você descobre que não é a única pessoa vivendo um momento assim, traçando um caminho assim. Descobre que há outras buscando o mesmo que você e que descobriu um caminho parecido.
Foi assim que o Bob surgiu na minha vida. Quando ambos estávamos a procura de um caminho e não de pessoas para nos acompanharem nele. E tudo isso a gente descobriu conversando. Muito. Sobre a vida, sobre família, amigos, trabalho, amores. Sobre como chegamos até ali.
E, de repente, percebemos que nossos caminhos eram parecidos. E que nossos planos eram parecidos. E que queríamos seguir, a partir dali, juntos.
Mas isso é uma outra história.
sábado, 1 de março de 2008 | By: Mandi

DR

Tem gente que adora estas iniciais e não consegue viver sem. Eu pago para ficar longe delas. É o tal de "discutir a relação". John Lennon disse certa vez que a vida é o que acontece enquanto estamos fazendo planos. É o mesmo com relacionamentos. Às vezes as pessoas perdem tanto tempo discutindo a relação que ela começa e acaba sem que os outros se dêem conta.
E isso é o que me preocupa. Que as pessoas fiquem tão ocupadas discutindo seus relacionamentos que esqueçam de vivê-lo. Tenho amigos que estão nesta fase, discutindo infinitamente a razão do céu ser azul, do branco dos olhos e molhado da água. Quando, ao meu ver, deveriam estar simplesmente sentindo, vivendo.
Você, leitora, leitor, já parou para pensar o que está perdendo enquanto está fazendo planos - ou simplesmente discutindo a relação? Quantos beijos, quantos carinhos, suspiros, abraços? Quantas vezes vocês deixaram de rir, de pura bobeira? Quantos olhares cúmplices, quantas frações de segundo em que um casal se olha e o mundo pára?
E, no discutir a relação, quanta besteira é dita? Quanta coisa impensada, improvável, inconsequente? E quando o arrependimento bate, pelo tempo perdido, pela palavra disperdiçada?
Eu voto pelo fim da DR.
E que todos sejam felizes.