domingo, 29 de abril de 2007 | By: Mandi

Muito além do jardim...

Tá, por acidente a televisão aqui em casa está ligada e está passando "Fantástico". Um quadro com a Fernanda Lima, em que ela fala com os jovens sobre suas dúvidas, anseios, etc e tal... Coisas da Globo... Aí ela lança a questão, se o jovem de hoje em dia quer abrir mão da vida de solteiro em função do compromisso ou se prefere continuar solteiro e deixar para encontrar alguém mais adiante.
É certo que ninguém me perguntou nada. Mas, como quem manda aqui sou eu, vou dar a minha opinião. Primeiro foi a coisa do estereótipo. A mulher desesperada para se casar. Uma figurinha que nem namorado tem, não gosta de sair, mas que já tem o enxoval completo. Inclusive uma plaquinha indicando o quarto do bebê. Poxa, acho que o desejo dela é legítimo, mas talvez ela tenha uma concepção ilusória do casamento.
Acho que todos nós temos direito a sonhar. Mas também acredito que é preciso colaborar com a sorte, ir à luta. Não acredito em gênios da lâmpada. E também acho que as mulheres que sonham com casamento nunca ultrapassam o vestido branco e a festa depois da igreja. O dia seguinte, e todos aqueles que vêm depois, ninguém lembra.
Depois, veio o galinhão. Solteirão convicto que, aos 29 anos, gosta de mulher, de música romântica. "Pega" todo mundo, mas não quer saber de compromisso. Sua posição tem embasamento nos depoimentos que se seguem, dos caras dizendo que são novos demais para se comprometer, etc e tal.
A coroação veio com a opinião do especialista. Um cara que tinha um tique de ficar mexendo na franja, o que me lembrou Fernando Collor, e deu a dica para a mulherada: "Não se desespere. O desespero reduz a chance". Chance de quê, cara pálida? De arrumar marido.
Um dia eu ri muito no jornal, quando vi o release de um livro chamado "Não Sou Feliz, Mas Tenho Marido". Gente. Ninguém precisa de marido para ser feliz. Conheço muita gente que tinha marido e não era feliz. Mesmo.
E, cá entre nós, felicidade não é um constante estado de graça.
Correndo o risco de cair no lugar comum, a felicidade está nas pequenas coisas. E compromisso não é um papel, um rótulo, uma aliança. É comprometimento. É saber que você tem com quem contar e estar lá quando o outro precisar de você. É ser parceiro, amigo.
E tem mais. Tudo isso aí que eu disse, sobre comprometimento, não aparece do dia para a noite. É coisa do dia-a-dia, que se cultiva. Assim como todo o resto.
Sei lá. Talvez eu é que sou errada.

As Loucas Aventuras de Rabi Jacob

Esses dias minha mãe chegou e disse para mim que já sabia o que queria ganhar de Dia das Mães. Um filme. "As Loucas Aventuras de Rabi Jacob". Uma comédia francesa, dos anos 70, puro pastelão e amalucada, que conta a história de um francês intolerante que é obrigado a se passar por um rabino. E, o que poderia ser pior, seu fiel escudeiro é um muçulmano, que também é obrigado a se passar por judeu.
"Rabi Jacob", como chamamos o filme aqui em casa, é um elo com a minha infância, com o meu avô Elzinho, o maluco beleza. Provavelmente era um de seus filmes favoritos. E eu, que era criança e não entendia as provocações políticas do filme, morria de rir com as maluquices de monsieur Pivert, um Louis de Funès cheio de caretas, muito mais engraçado que aquelas que o Jim Carrey faz hoje em dia. Pelo menos para mim. (E, só para constar, gosto mais de Jim Carrey em dramas do que em comédias).
Lembro quando conheci o Flávio, um colega da pós, que adorava contar piadas de judeu. Ele sempre dizia que podia, pelo simples fato de ser um judeu. Nada ofensivo, obviamente. Eram engraçadinhas. Aí um dia eu perguntei: "Você já viu Rabi Jacob?". E ele respondeu. "Rabi Jacob, não. As Loucas Aventuras de Rabi Jacob".
Então, fica a dica para quem quiser rir.
Ah, o filme já chegou aqui em casa e eu já dei de presente.
quinta-feira, 26 de abril de 2007 | By: Mandi

Marteladas

Desde que voltei para o Brasil - e isso já vai fazer quase um ano, olha só como o tempo voa - uma frase tem martelado na minha cabeça. Tudo começou pouco antes das eleições, com uma propaganda que mostrava uma briga entre Gabeira e Severino na Câmara, ocorrida em agosto de 2005. Eu não estava aqui, não vi a briga, estava chegando naquela hora. Como a boa mineira que eu nunca fui.
Gabeira dizendo que Severino era uma vergonha para o Brasil, até o momento em que o então presidente da Câmara respondeu ao deputado: "recolha-se a sua insignificância".
Toda vez que essa frase martela na minha cabeça, me causa arrepios. Porque é fácil tirá-la do contexto político e aplicá-la em qualquer outro que se queira.
Eu vivo me policiando para não ultrapassar os limites da minha insignificância mas, vez por outra, eu provavelmente escorrego sem perceber e ela desaba sobre a minha cabeça. O que fazer nestes casos?
Não sei. Se eu tivesse a resposta, isso não aconteceria, em primeiro lugar.
Provavelmente a frase vai continuar martelando na minha cabeça.
domingo, 22 de abril de 2007 | By: Jujuba

Cada escolha é uma renúncia

A intenção era fazer um post de interesse coletivo, de histórias engraçadas e filosofias que não têm sentido. Mas achei justo legislar em causa própria desta vez.

A noite de sono durou quatro horas apenas. Acordei com um agradável telefonema da Vidal, a quem reportei toda a minha vida dos últimos meses em uma conversa de duas horas. Talvez de todas as conversas que tivemos em todo esse tempo, essa foi a mais produtiva. Talvez porque, num momento súbito de inspiração, eu passei a olhar as coisas como elas realmente são. Sem aquela famosa lente cor-de-rosa, sem tapa-ouvidos e sem máscaras.
E apesar da minha inconstância, da minha incerteza e da minha falta de bom senso quando se tratam dos meus problemas, eu desliguei o telefone com a sensação de que a minha vida sempre foi bem delineada e que na verdade, era eu que me perdia criando linhas paralelas.
Então o desabafo vai ser curto e breve. À Vidal, que não acessa esse blog, mas a quem o texto na íntegra será reportado: obrigada por existir na minha vida. E me fazer perceber a obviedade das coisas.

E para o segundo interlocutor, que dispensa apresentações, porque já faz parte da minha vida... já faz parte de mim.
Quatro meses depois e parece que o tempo parou.
Eu não tenho nada a dizer a não ser repetir o que eu ouvi de você: “Você não tem idéia do quanto você é importante pra mim”.
Eu tenho idéia. E deixo aqui declarado que a pior forma de sentir saudade de alguém é quando essa pessoa está bem próxima de você... e ao mesmo tempo tão longe.

E desculpa pelo quanto eu te fiz mal. Pelo sofrimento que eu causei. E dizer que ele não é menor que o meu. Que abaixar a cabeça pra não ter que te cumprimentar, não ir ao seu aniversário, fugir das coisas que lembram você e dormir todo dia pensando que tudo isso tá errado também me faziam muito mal.

No fim das contas, eu sei que paguei caro por isso. Que retomar contato foi muito bom, mas o momento talvez tenha sido inapropriado e talvez eu tenha perdido outras coisas que eram importantes pra mim... Mas pela primeira vez eu não me sinto arrependida. Era o que precisava ser feito. O resto a gente corre atrás do prejuízo. Ou não.

Eu espero que tudo volte ao que era antes. O processo é lento, é claro. Mas pelo menos o primeiro passo desse caminho já foi dado.


sábado, 21 de abril de 2007 | By: Mandi

Tiradentes e a inocência da infância

A história que vou contar nada tem a ver com a complexa arte de ser mulher. Poderia até soar como uma piada de loira, mas na realidade, é um exemplo de como devemos tomar cuidado com as repostas que damos para as pessoas. Um dia estas respostas se viram contra seus autores... ou contra nós...
Quando eu era criança, todo ano, nas férias de julho, minha família viajava para o Sul de Minas. Era tradição, desde que minha mãe e minhas tias eram crianças... Quando eu tinha uns quatro anos, em vez de irmos para Caxambu, como fazíamos sempre, fomos para as cidades históricas. Tiradentes, entre elas.
Ontem, conversando com a minha mãe, ela disse que com todo aquele tamanho, eu fiquei indignada com dona Maria Louca, uma das responsáveis pela morte de Tiradentes. Ela contou que eu fiquei inconformada, que eu não parava de falar nessa história (qualquer semelhança com a adulta que eu me tornei é mera coincidência).
Tudo isso para chegar ao momento em que, depois de andar para cima e para baixo um dia inteiro, me lembro que chegamos a um velho casarão - que ficou registrado na minha memória como sendo a casa de Tiradentes, mas eu tinha quatro anos, então não tenho certeza.
Cansada e sem paciência, fui perguntar ao meu avô Elzinho (meu avô chamava Elzeário. Trash, não? Por isso sou contra pais que sacaneiam os filhos ao escolher nomes estranhos) onde estávamos. "Aqui é a casa de Tiradentes", ele respondeu. "Mas, vô, quem é Tiradentes?", eu perguntei. Meu vô, sempre muito sacana, respondeu. "É o dentista da sua mãe". E eu me dei por satisfeita.
Alguns anos se passaram e eu estava na terceira série. A terceira série foi o pior ano da minha vida escolar. Eu tinha aula com uma bruxa - com direito a verruga na cara - chamada Hosana. Nutríamos um ódio mútuo uma pela outra. Eu tinha horror dela. Acho que o estresse que ela me causava era tão grande, que eu fiquei propensa a tudo que há de ruim: tive uma luxação no joelho, depois que um garoto empurrou um outro em cima de mim, na escola mesmo. Tive uma infecção na garganta que eu não conseguia nem comer. E, de brinde, tive uma crise de bronquite asmática que tornou a necessidade de fazer inalação obrigação diária durante todo o período do inverno. Foi um ano agradável, ironicamente falando.
Hosana dava aula de português, geografia e história. E eis que um dia, durante uma aula, Hosana pergunta: "Quem foi Tiradentes?". E eu, botando fé na sabedoria do meu avô, não pensei duas vezes: "Foi o dentista da minha mãe". Bastou para eu tomar uma bronca homérica.
A lição que ficou? Nunca mais abrir a boca na aula da Hosana. E que, Tiradentes, na verdade, foi um mártir blá-blá-blá blá-blá-blá...
Tá, foi um post fraco. Mas um dia eu melhoro...
sexta-feira, 13 de abril de 2007 | By: Mandi

Beijos



























































































 E, enfim, o melhor kiss de todos...
quarta-feira, 11 de abril de 2007 | By: Mandi

Dez coisas que você não precisa saber sobre mim

Outro dia recebi de uma amiga um e-mail que dizia, no assunto, “Dez coisas que eu gostaria que você soubesse sobre mim”. Apesar de isso me cheirar a corrente, resolvi ler. A idéia é passar para dez amigos, inclusive para aquele que te enviou, uma lista com as dez coisas que você gostaria que ele soubesse sobre você.
Eu não gosto de correntes, então mandei uma resposta para a amiga explicando que não iria dar continuidade ao tal e-mail. Ela, por sua vez, me respondeu que eu estava sendo radical, porque tinha medo de me expor. E aí lançou o desafio: escrever um post para o blog revelando dez coisas sobre mim. Mesmo tendo certeza de que este post não despertará o interesse em ninguém, aí vai.

1. Adoro artigos de papelaria. Tenho um monte de lápis, canetas, lapiseiras, blocos de papel, cadernos... E continuo comprando. Um dos presentes mais legais que já ganhei foi da minha cunhada, que fez um buquê de lápis para mim em um aniversário.

2. Sim, os rumores são verdadeiros. Eu reclamo das bandas na balada, critico o repertório e xingo quando percebo que eles estão enrolando a letra. Fico inconformada quando eles escolhem a música mais óbvia de determinada banda, e não a mais legal.

3. Eu sou apaixonada por literatura, música e cinema, desde os filmes mais cults até os mais trashes. “Casablanca” é fantástico, mas nada se compara às “Loucas Aventuras de Rabi Jacob”. O mesmo serve para música. Ouço de Billie Holiday a Erasure. Na minha playlist, axé, pagode, sertanejo e bate-estaca estão vetados. E os livros... ai, ai...

4. Sou sonâmbula. Pelo menos costumava ser. Hoje eu já não sei se sou, pois quando acontece, eu estou dormindo...

5. Quando eu era criança, tinha medo de morrer de falta de ar, por causa das minhas crises de asma. Eu ainda penso muito nisso.

6. Eu nutro uma paixão secreta por dicionários. Tenho vários. Um Aurélio grandão, um antigo de sinônimos e antônimos, um mini-Luft que ganhei na quinta série, um American Heritage, um inglês-português mini-Collins e um Dictionary for Students, um português-espanhol, português-francês... e agora vou comprar um português-alemão... E o pior de tudo, eu uso todos eles. E também uso aqueles online, tipo o Houaiss...

7. Eu detesto falar ao telefone. A não ser que seja com uma pessoa que eu goste muito e por um curto período.

8. Eu não choro na frente dos outros. Aliás, eu dificilmente choro. Foi o jeito que minha avó me educou. Mas, recentemente, me lembrei que choro em casamentos.

9. Eu tenho um limiar altíssimo para dor. Poucas coisas me machucam. E as que machucam, eu finjo que não machucam.

10. Desde que eu saí da adolescência, nunca mais escrevi poesias. Mas guardei todas. Elas são o retrato em palavras de cada momento que vivi.

Diálogo via MSN, pré-postagem:
Mandi diz:
fala uma coisa que vc acha que os outros precisam saber sobre mim...
Mila diz:
Que isso eh soh carcaça, pois o coração é mole
Mandi diz:
isso ninguém precisa saber
Mila diz:
fala uma coisa q as pessoas precisam saber sobre mim
Mandi diz:
ah, uma coisa que as pessoas precisam saber sobre vc é que vc é a mulher mais bicha que eu já conheci. Se voce tivesse nascido homem, certamente seria uma bichona...rs
sexta-feira, 6 de abril de 2007 | By: Mandi

À prova d'água

Sim, eu sei. Estou me tornando repetitiva com esse papo do casamento da minha amiga. Mas, fazer o quê, se eu acho que está rendendo ótimas histórias? Outro dia foi um papo no MSN. Ela quer saber todos os meus passos, fica animada com qualquer novidade. Sempre ri das minhas reclamações de garota-enxaqueca, anti-fashion way.
Até que chegou o momento de falar da maquiagem. Eu não uso. Mas, como é festa, etc e tal, à noite, blá-blá-blá, fui obrigada a me convencer de que terei de usar um pouco. O mínimo, claro.
Lá fui eu comprar sombra, um gloss novo... Rímel e lápis para o olho eu tenho... Até que... Lembrei de um detalhe. Um detalhe ridículo, que fez a minha amiga gargalhar....
Eu choro em casamentos.
Sim. Justo eu. Coração de pedra. Insensível. Blah.
Chega a ser inexplicável. Sou capaz de aguentar qualquer tipo de dor, segurar a barra em qualquer tipo de situação. Mas, em casamentos... seja ao vivo ou pela televisão, eu choro. Até tento segurar as lágrimas, mas elas insistem em rolar pelo meu rosto.
E eu só fui lembrar disso no ano passado, no casamento da Carlota e do Anderson, dois colegas de trabalho. As lágrimas escorrendo e eu tentando disfarçar para a Juba e a Biza não perceberem... Patética.
No casamento do meu irmão, eu não estava presente. Estava fora do Brasil. Ufa... Já pensou? Teria chorado horrores. Agora, a minha amiga, essa que vai casar, é uma das minhas pessoas favoritas no mundo. Será que eu vou chorar muito? Já prometi que vou segurar. Até porque eu não gosto de chorar. Ainda mais em público... Fica até parecendo que eu sou sensível...
Bendita a hora em que fui me lembrar. Tive de comprar um rímel à prova d'água. Espero que funcione....
terça-feira, 3 de abril de 2007 | By: Mandi

Boxe feminino

Minha amiga vai casar. Minha amiga, que tem o dom natural de causar, vai casar. Esse texto, na verdade, é uma homenagem à ela. Porque, nos últimos dias, sua vida parece o filme do Rocky, o lutador. Cheia de emoção, de lágrimas, de boas lutas e risadas... E eu me sinto honrada por estar acompanhando tudo, tão de perto, apesar da distância. E ela tem toda a minha admiração.
Às vezes fico imaginando aquela cena famosa, do Rocky Balboa subindo correndo os degraus daquele prédio na Filadélfia - não, eu não vou lembrar onde era nesse momento - pulando, comemorando ter alcançado a plena forma física. Cena típica de vitória.
Na minha mente, a cena se repete diferente. Minha amiga está vestida de noiva, de salto alto, obviamente, toda produzida, subindo os degraus do altar. E, lá na frente, depois de declarada casada, ela dá pulinhos. Daqueles, bem característicos dela, sabe, diferente do desajeitado Stallone. Aqueles pulinhos de alegria que ela dá, batendo palmas...
E, por que eu resolvi escrever sobre isso, logo agora?
É porque ontem à noite ela me contou que ela, a pessoa mais mulherzinha que eu conheço, aquela que se tivesse nascido homem seria uma biba afetadíssima, pratica boxe. Pode? Imagina, ela, com toda sua delicadeza, socando o saco de areia?
Minha amiga me fez sorrir com a imagem. Que ganhou cor e mais graça ainda quando ela me revelou que ela tem até um par de luvas. Pink, é claro.