terça-feira, 31 de julho de 2007 | By: Mandi

Ironia

Sempre me diverti com a ironia da língua portuguesa. Em como o feminino e o masculino se confundem em seus significados. Mais recentemente, me prendi à reflexão sobre a palavra covardia. Substantivo feminino. Está lá no Houaiss: "comportamento que denota ausência de coragem; atitude, gesto que se caracteriza pelo temor, pelo acanhamento, pela falta de ousadia".
Agora me responda, cara leitora, caro leitor. Como pode a covardia ser um substantivo feminino, se é uma característica inerente ao sexo masculino?
Nunca ouvi falar de uma mulher covarde.
Na minha casa, cresci cercada por exemplos femininos de coragem, determinação e abnegação. Nunca soube de um ato covarde que fosse de minha avó, de minha mãe ou de minhas tias. E o mesmo sempre foi cobrado de mim. Viva a vida de peito aberto, encare a dor e não chore na frente de ninguém. Nem sempre pude corresponder, confesso que já chorei na frente de quem não devia... Pior de tudo, já chorei pelas razões erradas...
Eu sou humana, acerto, erro. Esse segundo muito mais do que o primeiro.
Mas eu vivo.
Minha tia Salete gosta muito de um filme chamado "Vem Dançar Comigo" e, um dia, ela citou uma frase dele para mim, quando conversávamos. "Viver com medo é como viver pela metade".
E isso eu posso afirmar, com todas as letras. Nunca vivi pela metade.
E a covardia? Melhor deixá-la aos homens, que lidam melhor com ela.
segunda-feira, 30 de julho de 2007 | By: Mandi

Mulherzinha

Tudo bem, tudo bem. Eu confesso. Eu também tenho um lado mulherzinha. Pior do que isso. Um lado mulherzinha prendada. Digna neta de dona Vera. E eu me lembrei disso ontem...
Estava olhando umas fotos do ano que passei nos Estados Unidos. Quando chegou o frio e com quase nada para se fazer à noite, eu comecei a tricotar - o que aprendi com minha avó quando tinha oito anos. E disso resultaram gorros, cachecóis e ponchos...
Tricotei um poncho enorme para mim, com uma lã na cor rosa velho. Era enorme, e ótimo para o frio de lá. Imaginei que nunca usaria aqui, então acabei deixando por lá - na esperança de que minha host mother me enviasse pelo correio, como ela fez com algumas das minhas coisas. Se ela enviou? Claro que não. Provavelmente ficou para ela, que já havia crescido os olhos para o "handmade poncho"... Fazer o quê?! Isso porque eu fiz um para ela, de presente de Natal... Mas, por que ter um, se você pode ter dois? That´s the american way... Too many options...
Minha mãe não me perdoa por isso. Porque ela queria o tal do poncho, de qualquer jeito. E ontem, vendo as fotos comigo, me cobrou o tal do poncho. Lá vou eu tricotar... Hoje vou ver se compro lã... Aliás, minha mãe é a maior beneficiária do meu lado mulherzinha. Bateu a vontade de comer quiche, manda a Amanda para cozinha. Bateu a vontade de comer risoto de arroz integral? Amanda de novo. Quer um poncho? Chama a Penélope... ah, não tem Penélope? Então manda a Amanda, oras....
Eu mereço... Mas, quer saber? Eu gosto de cozinhar e tricotar por duas boas razões. Primeiro, porque eu não sou obrigada a fazer essas coisas, faço porque quero e gosto. Segundo, porque são ótimas terapias... Eu recomendo.
sábado, 28 de julho de 2007 | By: Mandi

A sabedoria nas histórias em quadrinhos

Em algum momento da minha vida, não lembro qual, li uma história em quadrinhos da Mônica, aquela mesma do Mauricio de Sousa. Não sei se já contei isso por aqui. A história mostrava a Mônica "se apaixonando" por um primo bem mais velho, que tratava ela super bem. E ela achava que ele (imaginem, um adulto) gostava dela também. Até o dia em que ele apareceu com uma namorada e destruiu os sonhos daquela menina baixinha, gordinha e dentucinha de seis ou sete anos...
Lembro que a tirinha seguia com a Mônica discutindo com o cara, e ele dizendo que um dia ela esqueceria tudo aquilo. E ela batia o pé, dizendo que nunca esqueceria.
Os quadrinhos seguintes mostram, dentro de um balãozinho da memória, a figura do cara desaparecendo aos poucos da mente da menina, enquanto ela crescia. Até lembro, com graça, do último quadrinho, uma Mônica já adolescente, passando em frente de menininhos apaixonados...
Por que falar disso tudo hoje, agora?
Porque percebi como há sabedoria nas histórias em quadrinhos.
quinta-feira, 26 de julho de 2007 | By: Mandi

Entre Jewel e John Mayer

De todas as pessoas que conheço, provavelmente sou a que mais torce pela sua felicidade.
Torço mais pela sua felicidade do que pela minha própria. Porque, se um dia eu pensasse de maneira contrária, provavelmente seria uma pessoa infeliz. E eu não quero ser infeliz. Veja só, nem digo que quero ser feliz, porque hoje eu duvido de tudo, inclusive da tal da felicidade.
Não sou uma pessoa boa, como alguns até poderiam considerar.
Eu sou humana e acredito nas leis da física. Ação e reação.
Eu queria acreditar que quando a gente faz alguém sofrer - levando em conta que ninguém faz o outro sofrer de maneira aleatória e gratuita - tem de ter algo muito mais importante em jogo. Quando se força alguém a abrir mão de um sentimento porque algo novo e muito mais forte surgiu. E esse alguém é obrigado a guardar tudo em uma caixa de sapatos e torcer para que nada tenha sido em vão...
Mas um dia, por mais que se ignore qualquer resquício do passado, ele bate à porta. E te diz que foi em vão. E eu ainda prefiro me esforçar para acreditar que não foi em vão. Mesmo que com isso eu crie uma nova ilusão...
Desde criança, eu ouço minha avó repetindo uma de suas pérolas, que eu adotei como mantra: não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe.
Pois eu não sabia. Eu não queria saber. Não tenho raiva de quem sabe, mas achei desnecessário quando vieram me contar. Porque eu não sabia e não queria saber. Para mim, é ponto final.
Vou continuar olhando para frente, porque o passado não mais me interessa...
domingo, 22 de julho de 2007 | By: Mandi

A cueca da discórdia

Outro dia escrevi um post sobre o tipo de homem que uma amiga gostava. "Usando cueca, tá valendo", me disse ela. Os comentários foram os melhores. Mas o melhor de todos foi o de Pestaninha.
Pestaninha é uma das minhas amigas mais geniais. Cheia de estilo, inteligência e ótimas sacadas, ela fez o seguinte comentário:
Pestaninha disse...
Usando cueca tá valendo uma ova!!!Se o bofe me aparecer usando uma cuecona dessas largonas, com elástico na cintura e de cor nada expressiva(amarelinho, azulzinho ou bege - a pior de todas), dessas que vêm em trio num pacotinho de plástico transparente, eu não aguento!Trato de tirar e muito rápido esse treco broxante!Nesse caso é muito melhor sem as cuecas...Tratem vocês homens de cuidar disso também, assim como nós cuidamos para não aparecer na frente de voces fazendo a linha Bridget Jones.A Calvin Klein pode mudar e MUITO a sua vida!!!Estou certa meninas???


E eu comecei a refletir... da mesma maneira que a lingerie feminina pode ser uma arma de sedução, a roupa íntima masculina também pode ser uma arma... com efeito contrário, matando qualquer tesão. O modelo descrito acima por Pestaninha é um deles.
Cueca larga, com elástico na cintura, com cores que causam náusea... Eu, particularmente, acho péssimo aqueles modelos que parecem fraldas, brancas... gente... como diz a Gorda, cadê o bom-senso, meu Deus?
Aí a gente começa a viajar, associando o modelo fralda da cueca a infantilidade masculina... Tudo é possível. E se o fundo estiver sujo, então? Deus, por que eu estou falando sobre isso? Hoje é domingo à noite e eu estou de saída...
Bem, se vocês me perguntarem, gosto do modelo boxer. É bonitinho, não parece fralda e, como diz Pestaninha, Calvin Klein pode mudar a sua vida...
sábado, 14 de julho de 2007 | By: Mandi

Dona Vera

Quando eu era criança e ameaçava chorar, minha avó olhava para mim e dizia:
- Menina!
Só o olhar de dona Vera era o suficiente para eu engolir o choro e, junto com ele, tudo o que eu estava sentindo naquele momento. Talvez possa parecer crueldade para alguns, mas eu entendo bem a minha avó. Ela é uma das pessoas mais orgulhosas que eu conheço. Porque ela precisava ser.
Dona Vera é a terceira filha - e única mulher - entre os oito filhos de Pedro e Said Abib. Primeira geração brasileira de uma família de libaneses. Meu bisavô era comerciante e perdeu todos os seus bens durante a Segunda Guerra Mundial. Nessa época, minha avó estudou por pouco tempo em um colégio de freiras e eu acredito que, se ela tivesse tido a oportunidade, teria seguido a carreira religiosa.
Na adolescência, teve de enfrentar a primeira grande mudança de sua vida, a de cidade. Aqui, aos 16 anos, foi trabalhar em uma fábrica. Casou-se com meu avô aos 25 anos. Teve quatro filhas, todas em casa, pelas mãos de parteiras. Mesmo aos trancos e barrancos, manteve-se ao lado do meu avô, provavelmente uma das pessoas mais difíceis que já circulou pelo Planeta Terra. Ela é leão. Ele era capricórnio. Até hoje não entendo como viveram 50 anos juntos.
Minha avó perdeu a visão por conta de um descolamento de retina. Primeiro no olho esquerdo, depois no direito. Hoje, só enxerga sombras.
Com a idade, a audição também começou a falhar. Usa aparelho nos dois ouvidos, mas esforça-se para entender o que acontece a sua volta. E consegue. É mais bem informada do que muitos jornalistas que eu conheço. Outro dia, descobriu o telefone da casa de Salomão Schwartzmann - que até há algumas semanas era o apresentador do Diário da Manhã, na Rádio Cultura - para perguntar por que o programa foi tirado do ar, sem aviso prévio.
Além de todos os noticiários possíveis, ela também "lê" a Veja. Graças à Fundação Dorina Nowill, que semanalmente envia a versão sonora da revista.
Eu estava pronta para escrever um texto completamente diferente, chamado "Sobre lágrimas...". E, de repente, percebi uma outra coisa tomando forma. Fui lá, e mudei o título. Agora, é "Dona Vera".
Minha avó sempre teve orgulho de seu nome significar "verdade". E, verdade seja dita, dona Vera é tudo nessa vida. Provavelmente das personalidades mais complexas e interessantes que eu já tive a honra de conhecer.
E espero que Lorenzo, seu primeiro bisneto, tenha essa oportunidade, também...
Dona Vera completa 82 anos no próximo domingo.

Rapidinha

O bom de se ter amigas inteligentes e espirituosas é que seus comentários sempre rendem um post. E ontem não foi diferente. Conversando com uma amiga, que também está solteira, perguntei:
- Mas, afinal, qual o seu tipo de homem? - ao que ela me respondeu, candidamente:
- Ah, eu sou eclética. Usando cueca, tá valendo.
sexta-feira, 13 de julho de 2007 | By: Mandi

A inconcebível fragilidade do "para sempre"

O tal do "para sempre" tem me perseguido ultimamente. Então resolvi escrever sobre essa expressão que para muita gente significa tanto, mas que ironicamente é tão vazia quanto um balão murcho para outros. Não, não estou sendo pessimista. Pense bem... O "para sempre" é só mais uma dessas expressões paradoxais que somos obrigados a lidar em um relacionamento.
Exemplo.
Outro dia eu me peguei rindo de uma dessas celebridades, a Grazi, na sala de espera da clínica. O médico estava atrasado e, em um desses programas matinais, a apresentadora comunicava o público sobre a declaração da atriz, dizendo que tinha encontrado em seu atual namorado, Cauã Reymond, também ator, o homem de sua vida. Que gostaria de casar com ele e que achava que, desta vez, era para sempre.
Achei um absurdo, na verdade, levando em conta a superficialidade do meio em que ela vive. E mais ainda por conta da superficialidade da época em que todos nós vivemos, o que vai de coisas simples como a comida (fast food) até a música (easy listening) passando pelos sentimentos.
E de repente, me caiu como uma bomba. A gente sempre acredita que vai ser para sempre.
Porque, se não acreditássemos nisso, nem nos dariámos ao trabalho de começar uma relação. O começo de qualquer coisa está baseado na esperança de que haja sucesso, seja no caminho, seja no resultado.
Se não houvesse a expectativa de felicidade, de dar certo, de ser para sempre, a gente nem começava mais nada.
Daí que eu conclui que a moça em questão não é mais boba, mais superficial ou inocente do que qualquer um de nós. Ela tem as mesmas chances que todos nós temos de estar certa ou errada.
Todos nós temos o direito de criar expectativas. E todas elas têm fundamento no que sentimos, não no que é real. É tudo uma questão de ponto de vista.
O tal do "para sempre" guarda em si uma inconcebível fragilidade entre aqueles que acreditam nele...
quarta-feira, 11 de julho de 2007 | By: Mandi

The thrill is gone

B.B. King é tudo nessa vida. Ou quase tudo. Hoje estava ouvindo esta música no ipod... A letra é fantástica.

The thrill is gone
The thrill is gone away
The thrill is gone baby
The thrill is gone away
You know you done me wrong baby
And you'll be sorry someday

The thrill is gone
It's gone away from me
The thrill is gone baby
The thrill is gone away from me
Although I'll still live on
But so lonely I'll be

The thrill is gone
It's gone away for good
Oh, the thrill is gone baby
Baby its gone away for good
Someday I know I'll be over it all baby
Just like I know a man should

You know I'm free, free now baby
I'm free from your spell
I'm free, free now
I'm free from your spell
And now that it's over
All I can do is wish you well

Momento de sabedoria

Almocinho devagar. Três mulheres, morrendo de sono, saem em busca de alguma coisa para adoçar a vida... Chocolate? Não, não posso. Fomos à doceria mais próxima. No meio do caminho, papinho vai, papinho vem e eis que Eliane, conhecida como Poliane, tem um insight. ""Tendo pinto, ninguém é bobo." Para o que Marcinha completou... "Porém, alguns homens têm o pinto bobo".
Eu, na minha mais santa e pura inocência, só dei risada. Ao que me restou registrar esta breve histórinha por aqui.
terça-feira, 10 de julho de 2007 | By: Mandi

Despedida

Finalmente consegui me despedir.
Uma história que começou com música, só poderia terminar com música. E foi assim mesmo.
Desde o primeiro CD que gravei, quando ainda éramos amigos, até o último, aquele que pedi que entregassem quando percebi que não fazia mais sentido. Talvez nunca tenha feito. Foi minha forma de dizer até um dia, seja feliz.
E com música eu me despedi.
E com música eu me apresentei a um novo alguém. E me peguei sorrindo. E me peguei considerando.
terça-feira, 3 de julho de 2007 | By: Mandi

Um dia após o outro

A vida é cheia de surpresas. Isso é fato. Não adianta a gente tentar antecipar. Às vezes as pessoas caem de pára-quedas na sua vida, outras vezes elas simplesmente te ligam numa tarde, do nada, depois de quase dois anos... Pessoas certas que aparecem nas horas erradas. Pessoas certas que aparecem nas horas certas. Eu imagino...
Pessoas que já fizeram parte da sua vida e que deixaram um vazio.
Eu sou da opinião que os vazios deixados por pessoas que partem de nossas vidas, ou simplesmente mudam de time no complicado jogo dos relacionamentos, ficarão para sempre numa espécie de limbo cardíaco. O coração sente, muda a forma de bater quando a gente pensa naquele vazio que está lá. Talvez seja a mesma sensação que têm as pessoas que perdem um membro, mas ainda o sentem coçar.
O vazio que ocupa espaço.
O vazio que só se desfaz com um retorno.
Estes dias um destes vazios antigos foi desfeito por alguém muito querido. E eu havia me esquecido da importância que ele tinha para mim, como me fazia rir - mesmo diante de um incrédulo professor de teoria das relações internacionais pronto para me mandar sair da sala de aula.
Obrigada por me lembrar das coisas que, por pouco, eu não esqueci.
segunda-feira, 2 de julho de 2007 | By: Jujuba

Cade o bom senso, meu Deus?

Depois de todos os posts devidamente comentados, eis que quebrarei o jejum de meses e voltarei a escrever nesse espaço. Afinal, alguém tem que contribuir com cultura inútil nessa vida.
Vou me reportar às descobertas bizarras que fiz este final de semana. Reunião entre mulheres é sempre muito construtivo. Ou não.

Mas o que importa é que nesse final de semana eu fui pro ABC paulista rever minhas amigas prediletas e passei as horas conversando com seis ou sete mulheres.
Intercalando tudo isso, houve um aniversário de um amigo. Com homens, claro. A mesa se dividiu desta maneira: namoradas pra cá num papo regado a cerveja. Namorados pra lá num papo regado a whisky. E ficamos felizes assim.
Enquanto do lado de lá discutia-se a pífia estréia do Brasil na Copa América, a gente aproveitou pra falar das vidas alheias. E das nossas próprias também.
E daí eu ouvi relatos tão impressionantes que me fizeram rever meus conceitos. Uma das garotas em questão é a degradação do ser humano em si.
Eu sei que eu sempre fui o extremo do orgulho e o meu amor próprio ultrapassa os limites do bom senso e às vezes até impede que eu ame alguém. Mas nunca conheci ninguém tão sem auto-estima.

A moça em questão é até ajeitada, tem seus 20 e poucos anos, trabalha, tem independência, um carro e bons amigos. Mas inexplicavelmente ela corre atrás há quatro anos do mesmo cara. A degradação do ser humano vem a seguir: o cara não assume que tem nada com ela, o cara arranjou uma namorada e o cara chegou a dizer: "Ei, se vc não vier na minha casa agora dar umazinha comigo, vou ter que ativar a minha lista". Bleh. E adivinhem. Ela foi.
Como assim ela foi? Nem meu cachorro viria no meu colo se eu o chamasse dessa maneira porca. Mas enfim, ela foi. E depois no dia seguinte, achando que ia repetir a dose, ele ligou pra ela: "Ei, vem aqui em casa de novo que eu não tenho nada pra fazer". E ela se preparou pra ir. Deu uns 20 minutos, ele ligou: "Não precisa vir mais, vou sair com a Fulana (a namorada, cujo nome não pode ser revelado para manter a integridade da pessoa, rs)". E ela botou o pijama.
Deu mais cinco minutos e ele ligou: "Ei, a Fulana não pode sair comigo. Pode vir então". E ACREDITEEEEEEEEEEEM. Ela foi.

Passei a viagem inteira de volta pensando no que se passa na cabeça de uma menina para se submeter a uma coisa dessas. Senti vergonha alheia do universo feminino e me senti um pouco enojada de como algumas mulheres são capazes de se rebaixar a isso. Tem alguma explicação? (Não vale dizer que o cara é bom de cama. Sexo não compra o amor próprio)
domingo, 1 de julho de 2007 | By: Mandi

Diálogo esclarecedor com um interlocutor anônimo

- Se você colocar essa história no seu blog e dizer que fui eu que te contei, eu vou negar. Vou dizer que foi você quem inventou tudo.
- Tá, e se eu não revelar o seu nome, posso colocar o diálogo?
- Você é jornalista, sabe que deve proteger suas fontes. E o que eu vou te contar pode até me comprometer, me queimar com os meus amigos...
- Mas, por que tanto drama? O que poderia ser tão grave?
- Não é grave. Mas, pense bem... Homem que admite fraqueza é chamado de viado. E eu não sou viado, mas eu já estou de saco cheio dessa mania feminina de sempre se colocar no papel da princesa que precisa ser salva, sempre à espera do príncipe encantado.
- O que é que isso tem a ver?
- Tem tudo a ver. Vocês, mulheres, não entendem nada. Estão tão acostumadas a esperar por um príncipe encantado que nem conseguem perceber que, muitas vezes, nós é que estamos esperando uma princesa encantada, uma heroína, para nos salvar.
- Até parece...
- Você nunca vai conhecer um homem que admita sua fragilidade. Ele até pode fingir uma certa fragilidade se estiver afim de ganhar a mulher, mas admitir de verdade, nunca. Eu vi o que você escreveu no outro dia, sobre os homens dizerem uma coisa e pensarem outra. Isso acontece, principalmente, porque vocês não estão muito interessadas em ouvir o que a gente diz...
- Claro que estamos. Vocês é que não falam...
- Claro que não. A gente não fala porque a gente aprendeu que é melhor ficar quieto, ouvindo vocês. Vocês não querem ouvir ninguém, vocês querem ser ouvidas. E ai do cara que não prestar atenção no que vocês dizem. Agora, eu te pergunto, e vocês, quando ouvem o que a gente tem a dizer, sem desdém?
- Eu estou ouvindo você...
- Está porque é do seu interesse. Porque se não fosse... Tente pensar no seu último relacionamento e me diga se você realmente ouvia o cara, se você realmente estava lá por ele...
- Eu achava que sim, mas depois dessa conversa estou em dúvida...
- Vocês, mulheres, não têm noção nenhuma. É muito fácil sentar aí e nos criticar... Criticar, é tudo o que vocês sabem fazer. E nos jogar para outras mulheres... E depois ficarem se perguntando o que fizeram de errado ou, o caminho mais fácil como sempre, simplesmente resolver que somos nós que não prestamos.
- Acho que quem está generalizando agora é você...
- Então tá. Pode até ser. Mas nós estamos no mesmo barco. Homens e mulheres querem a mesma coisa. Quem sabe um dia a gente não se entende?
- Quem sabe...

(Quando der eu faço um post com a continuação dessa conversa)

Como diria Forrest Gump...

A vida é como uma caixa de bombons. Você nunca sabe o que vai encontrar.