sábado, 31 de março de 2007 | By: Jujuba

What do you want for yourself?

Ufa. Nem acredito que vou postar.
Entre um suspiro no plantão de sábado, eu consegui um tempo pra escrever.

Há tempos tenho pensado nisso. “What do you want for yourself?”
A frase soou no filme O Último Samurai, quando Tom Cruise pergunta pro Ken Watanabe: “What do you want from me?” e tem como resposta: “What do you want for yourself?”
O esquema é mais ou menos este. O que você quer para sua vida?

Eis um caso curioso. Tenho uma amiga, 22 anos vividos apenas, seis deles namorando com o mesmo moço. Um bom moço, pra dizer a verdade. Estuda como engenheiro, vai ganhar uma puta grana, vai ser bem sucedido.
E ela. Ela, assim como nós, compõe a massa dos jornalistas mal remunerados que continuam reclamando do destino. Então ela tomou uma decisão. Vai se casar.
Vai se casar e já considera isso tardio. Que por ela, já teria pelo menos uns dois filhos hoje. Só não teve porque o destino não quis.
E vai ser dona de casa. E vai largar o jornalismo. E vai viver da mesada dele. Usar os cartões de crédito dele. Vestir e alimentar os filhos com o dinheiro dele. E deixar de ser ela para ser a esposa dele.

É isso que me faz pensar que... eu não me vejo sendo parte da vida de alguém como coadjuvante... e não consigo traçar planos nos quais eu não faça nada de relevante, e viver a vida que alguém construiu.
Não consigo pensar em seguir pelos passos de outras pessoas, num caminho que outra pessoa escolheu. E não eu. Viver dos méritos de terceiros, comemorar as vitórias que não são suas.
O que eu quero pra mim? Talvez eu não tenha essa resposta.
Mas com certeza, eu já sei o que eu NÃO quero pra minha vida...
segunda-feira, 19 de março de 2007 | By: Mandi

O tarado do cinema

Nojento.
O post anterior explica bem as mil e uma utilidades desta palavra.
Mas, neste, a idéia é contar uma situação, no mínimo, nojenta.
Há uns anos fui ao cinema com o Juliano, meu primo, para ver "O Pianista", no Belas Artes, em Sampa. Quem já assistiu sabe que este filme é lindo, maravilhoso e sério. Ele nos absorve de uma maneira... Pois é. Eu estava absorvida por aquela história quando, no meio da exibição, um cara se sentou ao meu lado.
Até aí, normal. Tem gente que muda mesmo de lugar durante o filme.
Não passou muito tempo e eu comecei a sentir um negócio estranho na minha perna. Primeiro, achei que fosse impressão. Não fiz nada. Mas, o negócio continuava, e eu comecei a estranhar. Olhei pro cara ao lado para ver se ele estava passando a mão na minha perna. Não era. As duas mãos estavam, visivelmente, sobre os braços da cadeira.
Será que era um bicho?
Estes cinemas antigos são meio estranhos, nunca se sabe...
Até o momento em que não aguentei e, que se dane se for um bicho. Se for, vai ter que me morder. Não tive dúvidas, fui lá e segurei o que estava se esfregando na minha coxa. Qual não foi a minha surpresa quando percebi que era o pé do cara.
Incrédula da situação - e chocada, é óbvio - eu segurava o pé do cara e tentava entender o que ele tinha feito... Ele se sentou de uma maneira, sobre a perna, em que o pé era esfregado em mim. Nojento, nojento e nojento.
Mais nojento foi eu segurando o pé dele e cutucando meu primo.
Ju.
O Ju.
Juuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.
O que é, Amanda?
Juuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu... esse cara tá esfregando o pé em mim!!!
Aí o Ju olhou o cara e mandou eu trocar de lugar com ele. Só assim para eu soltar o pé do tarado... O Ju ficou quieto na hora, para não causar escândalo durante um filme tão sério. Ficou muito puto. Foi a deixa do cara para colocar o sapato e sumir.
A exibição terminou um tempo depois, não conseguimos achar o cara. Tipo da coisa bizarra. Se eu voltei a esse cinema, depois disso? Sim, há pouco tempo. Mas garanti que havia pessoas conhecidas sentadas à minha direita e à minha esquerda. Só assim...
sexta-feira, 16 de março de 2007 | By: Mandi

O nojento no vocabulário feminino

Então vamos lá.
Escrevo este post às 6h45 da manhã, porque o dia hoje vai ser longo e eu não tenho tido muito tempo para atualizar o blog.
Outro dia estava conversando com um amigo - e este blog não seria nada sem as colaborações dos amigos - e ele me disse: "Para vocês, mulheres, tudo é nojento". É verdade. Não que a gente sinta um nojo real. É uma figura de linguagem. Que, como diz o slogan, a gente usa e abusa. Percebi isso ao começar a prestar mais atenção na minha maneira de falar e na de outras mulheres que me cercam. Tudo pode ser taxado de nojento - de um vestido feio: hum... esse vestido é nojento, até um entrevistado com mau-hálito: meu, ele é nojento. Eu, particularmente, gosto de usar asqueroso, como um correspondente ao nojento.
Aí fui procurar no dicionário. Diz o Houaiss online:

Acepções
■ adjetivo
1 que provoca nojo, repugnância; asqueroso, repulsivo, nojoso
2 que sente nojo de tudo, que facilmente se enoja (diz-se de indivíduo)
3 Derivação: por metáfora.
que se comporta de maneira baixa, imoral, corrupta; asqueroso, revoltante, nojoso
4 Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
que se julga o maior, metido a besta; seboso, convencido, mascarado

Daí pensei: perfeito. Você, leitora, leitor, consegue perceber quantas palavras economizamos com um simples "nojento"?
Outro dia, li uma matéria que dizia que o vocabulário feminino é muito mais abrangente que o masculino. Isso porque nós utilizamos várias áreas do cérebro ligadas à linguagem verbal. Enquanto nós usamos cerca de 6 a 8 mil palavras por dia, os homens utilizam de 2 a 4 mil, no mesmo período.
Quando contei isso ao meu amigo, ele disse que tudo fazia sentido agora... E, numa outra conversa, me lembrou que, para os homens, nada é nojento. "Homem não sente nojo, sente desprezo". Ou seja, tudo é "desprezível". Lá fui eu ao Houaiss:

Acepções
■ adjetivo de dois gêneros
1 m.q. desprezável
2 merecedor de desprezo; abjeto, vil, vergonhoso

Tá. Então são um, dois, três, quatro, cinco significados, mais ou menos.
Mulheres usam uma palavra com 15 significados. Homens, com cinco. Nos usamos de duas a três vezes mais palavras do que eles por dia. Hum...
A minha conclusão nisso tudo? Se continuarmos utilizando a palavra nojento, que tem pelo menos uns 15 significados diferentes, nosso vocabulário ficará ainda mais abrangente. Como? Se falarmos 6 mil palavras por dia e destas 100 forem "nojento", economizamos saliva, ao mesmo tempo em que nossa expressão ganha um poder de alcance correspondente a 1,5 mil palavras. Faz sentido ou não faz? E os homens? Ah, eles só utilizam até 4 mil palavras...

...cenas do próximo capítulo: e, no próximo post, uma história "nojenta" do tarado do cinema. Aguarde...
quinta-feira, 8 de março de 2007 | By: Mandi

Dia Internacional do Homem

Todo ano é a mesma coisa.
Chega o dia 8 de março e os homens começam a choramingar pela existência de um Dia Internacional da Mulher e questionar a injustiça de não haver um Dia Internacional dos Homens. É fato: homens adoram reclamar. Sem motivo, digo eu. Inclusive o Carlos Nascimento que, apresentando o jornal no SBT, cobrou a criação de uma data masculina.
Pois bem, aí vai para os desinformados: o Dia Internacional do Homem existe e é comemorado no dia 15 de julho.
Infelizmente, não achei a razão para essa data.
Então tá. Parem de reclamar. Quem sabe, em vez de rosas vermelhas, vocês ganhem uma garrafa de cerveja ou um charuto...

Dia Internacional da Mulher

Sim, sim. Eu não me esqueci que hoje é Dia Internacional da Mulher. Parece que todo mundo fazia questão de me lembrar. Mas, cá entre nós, é um dia como outro qualquer. É como nosso aniversário. O dia do meu aniversário costumava ser ótimo, quando eu era criança. Assim como o Natal. Criava-se uma expectativa. Hoje, depois de adulta, não vejo muita graça em determinadas datas, a não ser pelo fato de rever pessoas queridas que não tenho a oportunidade de encontrar em outras ocasiões.
No Dia da Mulher, nada disso acontece.
Não há presentes, não há o encontro com pessoas queridas, não há a expectativa... Minha proposta seria transformar este dia em um feriado... para nós, mulheres, é claro. Não teríamos de trabalhar, cuidar dos filhos, da casa... Paulete, uma colega do jornal, disse que passaria o dia em um shopping, fazendo compras.
Eu, provavelmente, viajaria. Ando sonhando com um fim de semana longe daqui... Nem um fim de semana, para falar a verdade, um dia inteiro, que fosse. Iria saltar de pára-quedas, algo que estou devendo a mim mesma e ainda não consegui fazer.
Por outro lado, já pensou no que aconteceria se nós, mulheres, ganhássemos uma folga no dia da mulher? Seria uma cena parecida com a que Raul Seixas descreve em uma música, "O Dia em Que a Terra Parou". As donas de casa não sairiam para comprar pão, porque saberiam que o pão não estaria lá. Isso só para citar um exemplo.
Será que somos indispensáveis? Será que o mundo pararia se todas as mulheres do planeta parassem por um dia?

PS: Malditos textos, eu começo a escrever uma coisa, os dedos tomam vida própria e sai isso aí que você leu...
terça-feira, 6 de março de 2007 | By: Mandi

O primeiro bebê

Dona Vera, minha avó, tem oito netos. Aos 81 anos, ela nunca admitiu, mas esperava a oportunidade de ter um bisneto. Queria fazer casaquinhos de lã para mais uma geração da família, assim como fez com a minha, a da minha mãe... Essa realidade, no entanto, parecia distante.
Desses oito netos, meu irmão é o único casado. Nós, os outros sete, ainda somos um projeto inacabado. A não ser pelo Bruno, que está em andamento, e há anos (na)mora com a Gi. Mas, a verdade é que nunca ninguém botou fé na vocação do Bu para a paternidade. Até hoje, quando, em alto e bom som, ele anunciou para a família: "Estamos grávidos".
A notícia, completamente inesperada, emocionou a todos nós. Tia Carmo, mãe do Bruno, vai ser avó. As tias do Bruno vão ser tias-avós. Estão enlouquecidas. Nós, os primos, vamos ser tios, uma vez que aqui em casa somos todos irmãos, e o fato de nossas mães e pais serem pessoas diferentes é mero detalhe.
A dona Vera vai ser bisavó. Agora, ela atende ao telefone com um sorriso, avisando logo de cara o interlocutor: "Mais respeito comigo, agora eu sou bisavó. A mais nova bisavó do pedaço".
E isso tudo me fez pensar em como é fantástico ser mulher. Mulher, mesmo. Porque, agora, nesses nove meses, a Gi vai romper os últimos laços com a infância, a adolescência. Vai deixar de ser filha para ser mãe.
A tia Carmo, além de ser mãe, agora vai ser avó.
E minha avó vai além de todos nós. Vai ser bisa. Bisa Vera. Já pensou?
quinta-feira, 1 de março de 2007 | By: Mandi

Mais uma dos contos de fadas

Nada nessa vida tem a obrigação de dar certo. Quantas vezes eu já devo ter repetido essa frase, seja aqui, seja para os meus amigos? Nem eu sei. Só sei que o nosso erro é insistir tanto para que as coisas funcionem, para que tudo dê certo, que a gente esquece de deixar as coisas simplesmente acontecerem.
E, quando elas acontecem, a gente acha que é o tal do final feliz que chegou. Ledo engano. Não existem finais felizes. Na realidade, os contos de fadas sempre terminam em finais felizes, com o típico "e viveram felizes para sempre", porque seus autores têm preguiça de contar o tremendo trabalho e tempo que uma relação exige.
Ou você acha que vai ser simples para uma mulher que passou 100 anos dormindo, foi criada por três fadas madrinhas, acabou de conhecer seus pais que praticamente a rejeitaram, e ainda foi perseguida por uma bruxa que queria eliminá-la da face da Terra, começar um relacionamento com um príncipe valente? Aha. Tá bom. E viveram felizes para sempre? Que nada... Essa mulher vai ter muita coisa para resolver no consultório da terapeuta. Isso falando da Bela Adormecida, que provavelmente vai querer dormir toda vez que aparecer um problema, sintoma típico da depressão.
Ou a Branca de Neve, que foi ignorada pelo pai, perdeu a mãe, teve uma bruxa como madrasta, foi levada para a floresta por um caçador, que tentou assasiná-la. Aí ela fugiu e foi morar com sete anões. Meu Deus, sete homens. Quer dizer, anões. Cada um com uma personalidade mais bizarra que a outra. Daí a bruxa vem, oferece uma maçã, que dieta que nada. Então ela vai e morre. Até que o príncipe aparece, dá um beijinho, e você quer acreditar que está tudo bem? A fila no consultório psiquiátrico dos contos de fadas deve ser enorme.
O meu ponto de vista é o seguinte: nós fomos condicionados a acreditar que conquistar alguém, de conseguir estar com quem se gosta, é a finalidade. Não é. É o início de tudo. E aí voltamos a tal da história dos três porquinhos, do post anterior. De que é preciso investir tempo, paciência, dedicação... e sempre manter em mente que não há obrigação de dar certo. Você sabe que está dando certo no dia-a-dia, não em momentos isolados de "e viveram felizes para sempre".
Mas, sob um ponto de vista do mundo real, gosto da frase de um amigo meu: "e sobreviveram felizes quando não brigavam".