domingo, 23 de setembro de 2007 | By: Mandi

Código de ética

Outro dia este era o assunto entre um grupo de amigos. Um deles começou dizendo que as mulheres levavam muito a sério o tal do código de ética, que implicava que uma não ficaria com namorado, rolo ou ficante da amiga. Lembrei que não são só as mulheres que mantêm essa regra. Os homens também.
Os dois homens da conversa explicaram que, segundo o código masculino, um cara pode ficar com a ex do outro, desde que se certifique antes que não há problemas. Ao meu ver, para os homens é muito mais fácil lidar com esta situação, até porque é da natureza deles serem mais diretos.
Entre as mulheres, o buraco é mais embaixo. Porque, todos nós sabemos que quase todas as mulheres não admitem o que realmente pensam ou sentem, o que resulta em confusão... Exemplo: há alguns anos, estava fazendo um curso e tinha uma turma bacana por lá. Havia uma colega que era mais próxima, conversávamos bastante e um dia surgiu o assunto de um cara que estudava com a gente. Perguntei se havia algum interesse da parte dela por ele e ela respondeu que não. Perguntei se ela se ela se importava que eu me aproximasse dele, e mais uma vez ela disse que não havia problema, que eu deveria ir em frente. Foi o que eu fiz.
Nunca chegou a rolar nada entre o cara e eu, mas... depois dessa conversa, ela nunca mais olhou na minha cara e espalhou um boato de que eu era uma biscate. Até dizer que eu tinha um caso com o coordenador do curso, ela disse... Ou seja, não adiantou eu ter sido honesta com ela.
Voltando mais para trás na minha vida, quando eu tinha uns treze anos, era afim de um cara. Provavelmente a primeira vez que me apaixonei, se é que se pode dizer isso. Minha melhor amiga na época sabia de tudo. Eu sabia que ele não gostava de mim, então ficava na minha. Até o dia em que minha melhor amiga ficou com ele, na minha casa, na minha frente. Acho até que já contei essa história por aqui. Se eu briguei com ela por causa disso? Não. Me mantive firme e, desse dia em diante, jurei para mim que nunca brigaria com uma amiga por causa de homem algum. Anos depois, um ex-namorado de quem eu ainda gostava queria voltar a namorar comigo. No intervalo de três dias entre ele ter falado isso e a gente ter marcado de se ver de novo, ela foi lá e ficou com ele. Furazóio, como diz a Juba, é a mãe...
Quando ele veio me dizer que havia ficado com ela, eu já sabia. E disse que nunca mais ficaria com ele. E continuei amiga...
Essas situações foram moldando meu código de ética, que talvez seja rígido demais, mas pelo menos me dá paz. Se eu sei que uma amiga está interessada em um cara, mesmo que não tenha nada a ver entre eles, eu nem olho pra ele. Hoje em dia eu saco muito fácil quando uma pessoa está afim de outra, então mesmo que a amiga não admita, eu me antecipo... Também evito de me envolver com ex de amigas.
Amigo de ex-namorado também é fria. É uma maneira de respeitar o código alheio.
Depois de explicar minhas regras, um dos amigos disse: bom, se você não fica com ex de amiga, nem amigo de ex, então você não fica com ninguém, ainda mais nessa cidade, que é um ovo.
Não é bem assim, até porque eu tenho um gosto peculiar e que, graças a Deus, não bate com o das minhas amigas. Com a idade e as invertidas que já tomei, estou ficando cada vez mais seletiva, o que pode ser bom ou ruim. Mas, como minha avó sempre diz, antes só do que mal acompanhada. E quem tem amigos, nunca está só.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007 | By: Mandi

It ain't me you're looking for, babe

Go 'way from my window/ Leave at your own chosen speed/ I'm not the one you want, babe/ I'm not the one you need/ You say you're lookin' for someone/ Never weak but always strong/ To protect you an' defend you/ Whether you are right or wrong/ Someone to open each and every door/ But it ain't me, babe/ No, no, no, it ain't me, babe/ It ain't me you're lookin' for, babe./ Go lightly from the ledge, babe/ Go lightly on the ground/ I'm not the one you want, babe/ I will only let you down/ You say you're lookin' for someone/ Who will promise never to part/ Someone to close his eyes for you/ Someone to close his heart/ Someone who will die for you an' more/ But it ain't me, babe/ No, no, no, it ain't me, babe/ It ain't me you're lookin' for, babe./ Go melt back into the night, babe/ Everything inside is made of stone/ There's nothing in here moving/ An' anyway I'm not alone/ You say you're looking for someone/ Who'll pick you up each time you fall/ To gather flowers constantly/ An' to come each time you call/ A lover for your life an' nothing more/ But it ain't me, babe/ No, no, no, it ain't me, babe/ It ain't me you're lookin' for, babe.

Se afaste da minha janela/ Vá embora na velocidade que desejar/ Eu não sou o que você deseja, babe/ Eu nao sou o que você precisa/ Você diz que está buscando alguém/ Que nunca seja fraco, mas sempre forte/ Para te proteger e defender/ Esteja você certa ou errada/ Alguém para abrir a porta para você/ Mas não sou eu, babe/ Não, não, não, não sou eu, babe/ Não sou eu o que você procura/ Saia cuidadosamente da beirada, babe/ Saia cuidadosamente do chão/ Eu não sou o que você quer, babe/ Eu apenas vou te decepcionar/ Você diz que está buscando alguém/ Que vai prometer nunca partir/ Alguém para fechar seus olhos para você/ Alguém para fechar seu coração/ Alguém que vai morrer por você e mais/ Mas não sou eu, babe/ Não, não, náo, não sou eu, babe/ Não sou eu o que você procura, babe/ Vá se derreter na noite, babe/ Por dentro tudo é feito de pedra/ Não há nada aqui se movendo/ E de qualquer maneira, eu não estou sozinho/ Você diz que está procurando alguém/ Que irá te segurar toda vez que você cair/ Para colher flores constantemente/ E vir toda vez que você chamar/ Um amante para a sua vida e nada mais/ Mas não sou eu, babe/ Não, não, não, não sou eu, babe/ Eu não sou o que você procura, babe.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007 | By: Mandi

Amandita na cova dos tigrões*

Em um gesto de solidariedade feminina, tentando animar uma amiga que tinha acabado de romper um relacionamento, aceitei acompanhá-la com outras amigas ao pagode de domingo de uma casa noturna local. "Domingão, então". "Domingo".
No sábado fomos a uma festa árabe, onde eu me diverti horrores - é incrível como o sangue fala mais alto quando entramos em contato com as nossas raízes - então, não vi mal algum em agradar as minhas amigas.
Ledo engano.
Na fila para entrar no boteco, a combinação bermuda-regata-boné-corrente de prata, para os homens, e plataforma-roupa justa-maquiagem carregada, para as mulheres, já anunciava o meu fim. Eu estava na cova dos tigrões, prestes a viver uma experiência traumática. Mas aquilo era só o começo e nem nos meus delírios mais selvagens eu poderia imaginar o que estava por vir.
Imagino que, se cada cabelo tingido ou alisado cheirasse a água oxigenada com descolorante ou a formol, eu provavelmente teria morrido intoxicada. Talvez tivesse sido melhor.
Ainda assim, optei por enfrentar a noite de cara limpa. Nem uma gota de álcool. Bebi uma garrafa de água e uma lata de soda diet, com bastante gelo e limão. Atente-se, leitor, à palavra limão, neste texto. Ela vai reaparecer em breve.
Sóbria, eu acompanhava do meu banquinho a animação das minhas amigas. E me surpreendia com a qualidade musical, com letras inspiradoras, com a certeza de que o segredo sobre o sentido da vida pudesse estar contido em versos do tipo "Sou guerreiro, sou brasileiro, sou solteiro".
E pula para um lado.
E pula para o outro lado.
Que saudade de Frank Sinatra. Começo a divagar sobre shows de rock, não foi diferente quando fui ver o Metallica, ou o Ramones... Ah, sim, havia uma pequena diferença.
E os tigrões, dava até gosto... Pena que não havia uma jaula...
A banda parou de tocar. Ufa. Um momento de alívio e... dois caras, bombadinhos. Tente imaginar, ambos vestidos com um micro-short de vinil branco, regatinha verde LIMÃO e botinhas pretas. Três mulheres, duas vestindo uma roupa branca justíssima, outra com um shortinho vermelho de vinil e um top branco. Todos requebrando sobre o balcão.
E a minha mesa bem em frente a esse trágico cenário. É como acidente de carro: você não consegue evitar e fica olhando...
E eles dançavam.
E eles requebravam.
E os caras puxavam a mulherada para cima do balcão (cada uma mais linda que a outra, acreditem... tinha uma do meu lado que foi içada para o alto que era vesga - mas, afinal, as vesgas também amam). E esfrega-esfrega. E rala e rola. E joga bebida na boca da mulherada, e chacoalha... Deus... por favor, jogue um raio na minha cabeça e acabe com a minha existência angustiante...
Aquilo deve ter durado uma hora, não sei. A sensação foi como se eu estivesse saindo do meu corpo, anestesiada por tanto horror...
A banda voltou, os caras sumiram. Jujuba me fez esperar terminar de tocar alguns pagodes... E finalmente fomos embora.
O depoimento que acabei de dar, caro leitor, leitora, é um testemunho de uma sobrevivente. Estive cara a cara com os tigrões e sobrevivi. Depois de encarar o inferno de perto - e sóbria - e viver para contar história, sou outra pessoa. Estou de volta.

*Inspirado em "Daniel na Cova dos Leões"