terça-feira, 29 de janeiro de 2008 | By: Mandi

Vestido de noiva

Hoje eu conversei com a Hayashi, uma de minhas pessoas favoritas no mundo. E o mundo não é grande demais quando a gente tem amigas como ela. A Hayashi está morando no Japão. Não nos vemos desde maio, quando ela se casou.
E hoje lá estávamos nós duas conversando. Até que, do nada, ela me perguntou qual era o meu estado civil atual. Solteira, como sempre. Foi aí que ela fez um comentário engraçadíssimo: "Sabia que todas as minhas amigas que me pediram que eu colocasse o nome delas na barra do meu vestido de noiva estão namorando ou casando?"
Quase que aliviada, eu respondi: "Mas, Hayashi, você não colocou o meu nome na barra do seu vestido de noiva. Eu não pedi".
Silêncio. Alguns minutos depois, ela retrucou: "eu sei que você não pediu, mas eu coloquei mesmo assim".
Eu só pude dar risada. Por várias razões, a principal delas é que a Hayashi tem um dom único de ver o mundo com lentes cor-de-rosa e cheias de açúcar, razão pela qual eu a chamo de Algodão-Doce.
Fiquei imaginando como justo eu, ou melhor, meu santo nome, foi parar na barra do vestido de noiva da minha amiga. Justo eu, que nem sou ligada nessas mulherices de casamentos, simpatias e afins.
Daí eu me lembrei que, quando a Hayashi se casou, eu estava envolvida com alguém que, inclusive, foi comigo ao casório, em São José. E tudo parecia ir superbem, na época, até que, cinco dias depois, descobri que estava sendo chifrada e ainda tomei um emblemático pé na bunda.
Mas, pensem bem, oito meses depois, eu descobri que o meu nome estava na barra do vestido de noiva da Hayashi, o que segundo ela é uma tradição para trazer boa sorte no amor. E percebi, no final das contas, que essa história de nome na barra do vestido realmente deve ter funcionado para mim, afinal, eu estava sendo traída, em todos os sentidos, por alguém em quem eu confiava. A tradição funcionou porque a verdade apareceu.
Se foi doloroso? Claro que sim.
Mas eu poderia estar iludida até hoje, o que seria muito pior.
Aqui em casa, minha avó e minha mãe têm o costume de dizer que tudo o que acontece nessa vida é pelo nosso bem. Pode até ser que no momento em que elas aconteçam, a gente não se dê conta disso, fique triste ou revoltado. Mas, no final, as peças do quebra-cabeça se encaixam e conseguimos ter uma visão mais abrangente.
Hoje, eu enxergo além.

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