terça-feira, 3 de maio de 2011 | By: Mandi

Cabelo

Cabelo, para mim, nunca foi um problema. Pelo menos na maior parte do tempo. Nunca precisei fazer escova, chapinha, progressiva... Para falar a verdade, o desespero que a maioria das mulheres sente por conta do cabelo rebelde, eu sentia ao contrário. A rebeldia do meu cabelo sempre foi ser liso demais.

Também nunca tive dó de cortar o cabelo. Cabelo cresce, eu sempre respondia a quem me questionava se eu tinha certeza. Meu único arrependimento foi o de nunca ter vendido meu cabelo. Por duas vezes, deixei mais de 30 centímetros para trás. Isso deve valer alguma coisa...

Aos 18 anos, surgiu o primeiro fio de cabelo branco. É curioso como apenas um fio se transformou em um exército de fios nos últimos anos, especialmente depois que a genética conquistou um reforço fantástico do ambiente, depois do ano que eu morei nos Estados Unidos com uma família maluca.

Aliás, foi lá que eu resolvi matar uma vontade que eu sempre tive: ter cabelo vermelho. Mantive a cor ao longo de bons três ou quatro anos... até que a tragédia se abateu sobre a minha cabeça. Ou melhor, sobre o meu cabelo. Foi quando eu aprendi uma lição que toda mulher deve saber: você pode trair a si mesma, mas nunca, de maneira alguma, traia sua cabeleireira. 

Eu cometi este pecado mortal certa vez. O resultado foi que, em vez de voltar para casa com o meu cabelo vermelho, voltei com ele cor de laranja, manchado. Até hoje, sinto arrepios macabros quando me lembro desta história. E o pombo que fez isso está amaldiçoado até a 15a. geração. Também tive de cortar o cabelo, na tentativa de melhorar seu aspecto manchado.

Daí resolvi deixar o cabelo crescer e tirar o vermelho de vez. Levou mais de um ano, usando o cabelo curto. Agora, estou deixando crescer de novo, mas a invasão dos brancos está me deixando maluca. Como será que estes malditos conseguem se multiplicar tão rápido? Vou ter que pintar. Só que não existe nenhuma tinta que seja da cor do meu cabelo. Vou ter de me conformar com algo próximo.

O pior de tudo, na verdade, é que ninguém entende a ligação de uma mulher com o seu cabelo e a razão de ficarmos tão sensíveis quando os homens não reparam nele. Às vezes eu vejo estes programas de transformação do visual e os cabeleireiros (geralmente homens) sempre insistem em tosar a juba da mulherada. Quando a gente quer cortar o cabelo, a gente corta. Quando não quer, e nos obrigam, é como se estivessem cortando um pedaço da gente. Porque, na verdade, é.

Cabelo para mulher é acessório. Quando eu tinha cabelo vermelho, não podia usar várias cores, porque o vermelho se sobressaia e não combinava. Ainda assim, eu não me importava, porque era legal demais.

Não importa a cor, não importa o corte, não importa o tipo de cabelo. O que importa é encontrarmos um(a) cabeleireiro(a) que nos faça feliz...

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