sábado, 24 de maio de 2008 | By: Mandi

Traição

Recentemente eu descobri que a pior forma de traição não é aquela existente entre um homem e uma mulher. A pior forma de traição é aquela que acontece entre uma mulher e seu cabeleireiro. Em um caso mais específico, entre mim e minha cabeleireira. Explico. Há algumas semanas, já sem suportar as raízes castanhas de meus cabelos vermelhos, resolvi marcar uma hora para retocar o tonalizante.
Infelizmente, no salão que eu freqüento geralmente não tinha horário.
Daí, tomei aquela que provavelmente foi a decisão mais errada de minha vida: ir a outro salão, aqui perto do meu trabalho. Antes, é claro, me informei com amigas que freqüentam o local, para saber quem eu deveria procurar. Eric foi o nome que me foi indicado.
Chegando lá, ele estava desocupado. Ótimo.
Primeiro, apresentei para ele meu tonalizante, aquele mesmo, sem descolorante e química pesada, já que meu cabelo nunca aguentaria uma artilharia de grande porte. Mas esqueci a emulsão. Contrariado, ele, que está acostumado a usar somente os produtos vendidos no salão, foi lá no fundo para preparar a mistura.
Eu tive uma sensação ruim, neste momento, mas fiquei lá, firme e forte.
Depois de passar o produto no meu cabelo, ele começou a falar de coisas que ficariam bacanas nele, como pintar de vermelho berrante, fazer mechas, pintar de azul. Fala sério... eu já passei da idade. Também não faço parte daquela fatia da população que se arrisca com cortes e cores não-convencionais... Enfim.
Enquanto uma outra garota lavava o meu cabelo e passava um produto para a hidratação, uma manicure fazia as unhas de Eric. Algo estava errado.
A menina perguntou se eu queria que ela fizesse uma escova no meu cabelo. Eu disse que não, então ela disse que não secaria o meu cabelo. Por que eu não aceitei a escova? Porque meu cabelo é absurdamente liso. Seria algo sem sentido.
Quando cheguei em casa e meu cabelo já estava seco, veio o choque: a raiz estava cor de laranja. O cara misturou algum descolorante no meu tonalizante... Inacreditável.
Surtei completamente.
Meu namorado, por sua vez, curtiu. Afinal, laranja é a cor favorita dele.
No dia seguinte, ligo para minha cabeleireira. Vanessa, a manicure, atende. "Van... a Claudinha pode me atender hoje?"
"Acho que não, ela está com todos os horários ocupados..." "Mas é uma emergência!!!" "Como assim, uma emergência?". Contei toda a história para ouvir a Van, do outro lado da linha, gritar, entre risos: "Cagaram no seu cabelo, foi?!". "Foooooooooiiiiiii". Daí eu ouvia a Van conversando com a Claudinha, convencendo a recém-traída cabeleireira a consertar o meu cabelo.
Feito isso, no dia seguinte, a Claudinha me deu a maior prova de amor que uma cabeleireira poderia dar a uma cliente: me atendeu depois de seu expediente, cuidou pacientemente do meu cabelo, me deu conselhos sobre cuidados com eles, que estavam ressecadíssimos, e ainda me deu desconto na hora de pagar a conta, dizendo que eu já havia gasto dinheiro demais com ele...
E eu prometi que nunca, mas nunca mais mesmo trairia minha cabeleireira. E tenho dito.

3 observações:

jeanswear disse...

Bem, eu traí me cabelereireiro de 06 anos e achei ótimo... nesse caso, fui pro salao do CKamura... daí nao tem como errar né? O valor é um pouco mais alto sim... mas o resultado sempre compensa.

Augusto J Neto disse...

TB traí a minha, já q levo 3 minutos pra cortar o restodo meu cabelo..... (... então a pior traição seria então de mulher para mulher)

Augusto J neto disse...

TB traí a minha, já q levo 3 minutos pra cortar o restodo meu cabelo..... (... então a pior traição seria de mulher para mulher)