terça-feira, 2 de outubro de 2007 | By: Mandi

A merda e o adubo

Certa vez, meu tio Newton me enviou um texto escrito por um amigo dele, um professor universitário de Blumenau chamado Jacob Kein. Basicamente, o texto explicava a diferença entre a merda e o adubo. A partir do momento em que você aceita quando fazem da sua vida uma merda e se conforma com isso, você vai passar a vida fedendo e atraindo coisas negativas. Em um outro momento, se você consegue transformar a merda em adubo, você se torna capaz de participar da formação de flores cheirosas e frutas saborosas.
Ou seja, como disse Jacob Kein, a diferença entre a merda e o adubo não está na consistência, mas no local onde está depositada: no meio do caminho, é merda, em um canteiro de flores ou pomar, é adubo. "Cabe a você decidir sobre seu destino independente do que fizeram de ti", diz ele, encerrando o texto.
Acredito que este professor seja um homem extremamente espirituoso, para dizer o mínimo, e com um olhar característico dos sábios.
Estes dias, perto de completar 29 anos (quase 30), tenho olhado para trás e avaliado quantas vezes minha vida foi uma merda, e quantas vezes eu fui capaz de transformar esta merda em adubo. Foram algumas.
Mas, a verdade é que quando a gente está se afogando em um mar de merda, dificilmente a gente enxerga as flores e os frutos que podem resultar disso tudo lá na frente. E o adubo é só uma das coisas. É preciso plantar, é preciso cuidar, é preciso ter paciência para esperar o tempo passar e ver aquela flor crescer, aquela árvore dar fruto. É uma merda, eu sei.
Mas a lição que fica, no final das contas, é que a merda é fundamental para que possamos ter o adubo. E eu sou agradecida a cada momento pelo qual passei, achando que aquilo não tinha jeito e que não existia critério para a justiça divina. Porque, quando olhei para o lado, sabia que tinha amigos. Quando olhei para trás, sabia que tinha uma história, que tinha experiência. E quando olhei para frente, percebi que tudo aquilo tinha me dado amadurecimento o suficiente para não repetir meus erros e seguir adiante.
Hoje tenho me esforçado para transformar a merda em adubo. Aí vou lá, planto um limoeiro e, como diz a minha amiga Pestaninha, uso o limão para fazer uma bela caipirinha.
Tá certo às vezes demora um pouco, ou que nem sempre é possível.
Mas só de saber que essa merda toda pode ser útil um dia, eu já me dou por satisfeita.
Merda a todos! Ou melhor, adubo a todos.

8 observações:

Pestaninha disse...

:)
Amei!!!
Tô MEGA precisada dessa caipirinha com vocês por sinal...
Saudades.

Luiz disse...

boa sacada mesmo. eu diria que estou com um pomar inteiro querendo nascer aqui por perto. só falta as árvores conseguirem vencer a montanha de abudo... rs
bjs

issamu disse...

Quero ser a merda que aduba a horta desse país. Pode ser ou é difícil?

Na política temos muita merda, só que eles só adubam a horta deles.

Anônimo disse...

Minha vida está uma merda!!
Mas agora acho isso muito bom!!

Serjones disse...

extremamente educativo... esse tiozinho aí, o seu jacob, é o cara!

marli disse...

puxa vida esta mensagem veio a calhar num momento em que estava pensando que só via merda na minha frente; mas, agora compreendi que esta merda na verdade é adubo e que dependendo somente de mim poderá tornar um belo jarde=im .
Obrigado seus textos tem servido de verdadeiros refrigérios.

marli disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Está de férias do blog? Faz quase uma semana que eu entro todo dia e não vejo post novo..=(

Depois não quer que eu ache minha vida uma m**, ou digo, adubo...
rsrs