segunda-feira, 3 de setembro de 2007 | By: Mandi

Amandita na cova dos tigrões*

Em um gesto de solidariedade feminina, tentando animar uma amiga que tinha acabado de romper um relacionamento, aceitei acompanhá-la com outras amigas ao pagode de domingo de uma casa noturna local. "Domingão, então". "Domingo".
No sábado fomos a uma festa árabe, onde eu me diverti horrores - é incrível como o sangue fala mais alto quando entramos em contato com as nossas raízes - então, não vi mal algum em agradar as minhas amigas.
Ledo engano.
Na fila para entrar no boteco, a combinação bermuda-regata-boné-corrente de prata, para os homens, e plataforma-roupa justa-maquiagem carregada, para as mulheres, já anunciava o meu fim. Eu estava na cova dos tigrões, prestes a viver uma experiência traumática. Mas aquilo era só o começo e nem nos meus delírios mais selvagens eu poderia imaginar o que estava por vir.
Imagino que, se cada cabelo tingido ou alisado cheirasse a água oxigenada com descolorante ou a formol, eu provavelmente teria morrido intoxicada. Talvez tivesse sido melhor.
Ainda assim, optei por enfrentar a noite de cara limpa. Nem uma gota de álcool. Bebi uma garrafa de água e uma lata de soda diet, com bastante gelo e limão. Atente-se, leitor, à palavra limão, neste texto. Ela vai reaparecer em breve.
Sóbria, eu acompanhava do meu banquinho a animação das minhas amigas. E me surpreendia com a qualidade musical, com letras inspiradoras, com a certeza de que o segredo sobre o sentido da vida pudesse estar contido em versos do tipo "Sou guerreiro, sou brasileiro, sou solteiro".
E pula para um lado.
E pula para o outro lado.
Que saudade de Frank Sinatra. Começo a divagar sobre shows de rock, não foi diferente quando fui ver o Metallica, ou o Ramones... Ah, sim, havia uma pequena diferença.
E os tigrões, dava até gosto... Pena que não havia uma jaula...
A banda parou de tocar. Ufa. Um momento de alívio e... dois caras, bombadinhos. Tente imaginar, ambos vestidos com um micro-short de vinil branco, regatinha verde LIMÃO e botinhas pretas. Três mulheres, duas vestindo uma roupa branca justíssima, outra com um shortinho vermelho de vinil e um top branco. Todos requebrando sobre o balcão.
E a minha mesa bem em frente a esse trágico cenário. É como acidente de carro: você não consegue evitar e fica olhando...
E eles dançavam.
E eles requebravam.
E os caras puxavam a mulherada para cima do balcão (cada uma mais linda que a outra, acreditem... tinha uma do meu lado que foi içada para o alto que era vesga - mas, afinal, as vesgas também amam). E esfrega-esfrega. E rala e rola. E joga bebida na boca da mulherada, e chacoalha... Deus... por favor, jogue um raio na minha cabeça e acabe com a minha existência angustiante...
Aquilo deve ter durado uma hora, não sei. A sensação foi como se eu estivesse saindo do meu corpo, anestesiada por tanto horror...
A banda voltou, os caras sumiram. Jujuba me fez esperar terminar de tocar alguns pagodes... E finalmente fomos embora.
O depoimento que acabei de dar, caro leitor, leitora, é um testemunho de uma sobrevivente. Estive cara a cara com os tigrões e sobrevivi. Depois de encarar o inferno de perto - e sóbria - e viver para contar história, sou outra pessoa. Estou de volta.

*Inspirado em "Daniel na Cova dos Leões"

7 observações:

Pestaninha disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Pestaninha disse...

Biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiicha!!!
Ri horrores de imaginar a cena e estou orgulhosa de você que além de ter sobrevivido conseguiu se manter fiiina e em cima do salto, sem sequer tomar um drinkizinho e nem suicidar-se.
Eu no seu lugar estaria em coma alcóolico e teria chutado o pau da barraca (ou a cara da FDP que me enfiou num lugar desses)e me mandado desse inferno.
E, pensando como marketeira e tendo como inspiração minha "Disney Experience", pensei que deveriam montar na saída do Castello (ou do Morro do Frade, não sei onde você foi) uma lojinha de souveniers da noite. Camisetas escritas: "Castello" na parte da frente e nas costas " I survived " seriam o primeiro item. Depois uma coleção de canequinhas (mugs) pro povo tomar a sua Jurupinga ou Xiboquinha. E pra completar o mix a lojinha deve ter: perucas estilo Tchuchuca, de cabelo meio enrolado com aquele brilho molhado, plaquinha pra grudar no banheiro escrita: "Não molhe seu cabelo na pia", Shorts de vinil, Tops Frente única, piercing de umbigo e Deo Colônia com fragância de suvaco.

Serjones disse...

hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah

Ana ;) disse...

Noooooooooossaaa!!!

Queee EXPERIÊÊÊNCIA, hein, Amanda, rs!
Entendo MUITOOO BEM você!
Já passei por isso, rs!
E TAMBÉM SOBREVIVI!!! ;)

A Renata - uma das particpantes desse TERRÍVEL "acontecimento" - recomendou que eu lesse esse seu textinho! ;)

Beijinho =* pra VOCÊ!!!
E PARABÉNS!!! Você escreve MUITO BEM! ;)
Eu me senti praticamente LÁÁÁ na "cova dos tigrões"!!! =P

Jujuba disse...

Nãooooooooooo, como assim...
cadê a Gi pra me defender...
o esquema não é olhar pros lados, porque é td mto feio mesmo... eh curtir o som, mesmo que sem qualidade nenhuma, e pular pra todo canto...

eu deveria fazer o meu relato da festa árabe pra ver o que eh se sentir um peixe fora d'água...

Anônimo disse...

kkkkkkkkk

Por isso que o mundo tah uma merda!!!


kkkkkkkkk

Anônimo disse...

sensacional. um dos melhores! beijos do Aqna.