sexta-feira, 5 de dezembro de 2008 | By: Mandi

A grama do vizinho

Todo mundo quer votar nos Estados Unidos, em Barack Obama, mas ninguém quer votar obrigado no Brasil. Todo mundo quer viajar para o exterior, mas ninguém quer conhecer seu próprio País. Todo mundo gosta de música estrangeira, mas acha a música nacional brega. É das loiras que eles gostam mais, mas quem sabe sambar de verdade são as mulatas. A Seleção Brasileira é pentacampeã, mas todo mundo sente saudades do Felipão. Pelé é nosso, mas Maradona é quem comanda a Seleção da Argentina.
Kaká é brasileiro e joga no Milan, na Itália. Robinho é brasileiro e joga no Manchester, na Inglaterra. Alexandre Pato é brasileiro e joga no Milan, na Itália. Ronaldinho Gaúcho é brasileiro, mas joga no Milan, na Itália. Marta é brasileira, mas joga no Umea IK, na Suécia. E estes são só alguns dos atletas brasileiros que jogam fora do Brasil. Há ainda aqueles que estão longe de casa para desenvolverem melhor seu potencial.
Rita Ferreira é bailarina cadeirante, tetracampeã em sua categoria, mas não é reconhecida em Mogi das Cruzes, onde vive há 16 anos. Dirceu José Pinto é mogiano, mas teve de ir a China buscar duas medalhas de ouro nas Paraolimpíadas de Pequim.
Antes de fazer sucesso no Brasil, o Sepultura lotava shows nos Estados Unidos e Europa. Bebel Gilberto é uma das cantoras brasileiras mais conhecidas na terra de Tio Sam. Rodrigo Santoro luta para construir uma carreira internacional.
O Natal do Hemisfério Norte tem neve, no Hemisfério Sul só tem bolinhas de sabão. O Rio de Janeiro é violento, mas pelo menos não é o Iraque ou o Afeganistão. A São Paulo falta humanidade, a Nova Iorque falta humanidade. Nova Iorque tem Chinatown, São Paulo tem Liberdade.
Eles têm Coca-Cola, nós temos Guaraná. Eles têm barbacue, nós temos churrascão na laje. Eles têm a Estátua da Liberdade, nós temos o Cristo Redentor. Nós temos muito a conquistar. Eles já conquistaram tanta coisa que já perderam a noção do que realmente importa.
São Paulo tem movimento. Bertioga tem paz. No meio do caminho, Mogi tem os dois. Tem passado e tem futuro. Mas ainda falta muita coisa para continuar seu caminho rumo ao desenvolvimento, sem esquecer sua própria identidade.
Felipe Massa foi campeão de Fórmula 1 no Brasil durante 38 segundos. Lewis Hamilton será até o próximo campeonato. E o Schumacher? É da Alemanha. O Hamilton é da Inglaterra. Mas o Felipe Massa ainda é nosso.
Assim como a urna eletrônica, as Havaianas, o pão de queijo, a goiabada, pingado e pão na chapa na padoca, Cruzeiro do Sul em noites limpas, os dias de sol, de praia, o cheiro da terra molhada depois da chuva, a Bossa Nova, Vinícius de Moraes e Tom Jobim. E o brasileiro. Apesar dos pesares.
O Brasil tem muita coisa. Só não tem a noção de que sua grama não é mais nem menos verde do que a grama do vizinho. É verde, sim. Na medida exata.

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