sexta-feira, 5 de dezembro de 2008 | By: Mandi

Na academia

Dia desses a Revista Veja publicou um guia sobre bons hábitos na academia. Nada relacionado ao desempenho dos exercícios, mas sim a alguns perfis de freqüentadores. Segundo a publicação, entre os "tipinhos típicos" estão o desinibido, o perfumado, o exibido e o ph.d. de academia. O primeiro é aquele que desfila com roupas dois números abaixo do ideal, enquanto o segundo entorna meio vidro de perfume antes da malhação. O seguinte emite os mais variados grunhidos durante os exercícios, sempre em volume máximo, para depois soltar os pesos no chão, com brutalidade. O último é o especialista que sempre dá palpites nas séries alheias.
Pensando bem, academias de ginástica são um terreno fértil para personagens e situações interessantes. Dependendo do horário, é possível encontrar uma fauna variada, que inclui desde aposentados simpáticos a garotões bombados, passando por gordinhos em busca da boa forma e adolescentes narcisistas.
Confesso que não sou fã de exercícios físicos, mas como esta é exigência fundamental para se ter qualidade de vida, muita a contragosto eu acordo às 6 da manhã para enfrentar a rotina diária de esteira-musculação-bicicleta. E, em silêncio, assumo o papel de observadora, numa tentativa de contornar meu mau-humor matinal com a realidade que me cerca. Uma tarefa inglória, confesso. Mas hoje, pelo menos, rendeu uma crônica.
Um desdobramento do tipinho exibido é o chato de carteirinha. Carente ao extremo, chega falando alto, mexe com todo mundo e ainda faz questão de dar beijinho em cada moça que chega para se exercitar. Discute futebol – sem saber quem jogou no último fim de semana, ri alto e não desconfia que está sendo inconveniente. Trata mal os instrutores e tem certeza de que está abafando. Pior de tudo é que não faz falta nenhuma quando não aparece na academia.
O desinibido da Revista Veja tem outros desdobramentos. Faça calor ou frio, mas muito frio mesmo, este tipo gosta de exibir a boa (ou nem sempre) forma. Vai malhar de shortinho e top, mesmo que esteja congelando até os ossos. É dependente do instrutor, faz com que ele prepare todos os aparelhos antes que possa chegar até eles.
Há outros que vão à academia como quem vai a um evento social. Conversa, toma água, finge que anda na esteira, está inscrito nesta ou naquela aula. Mas é só. Sempre que pode, fica prestando atenção nos outros para, em seguida, poder falar mal. Adora reclamar e achar que todos os outros alunos têm mais atenção do que eles. São capazes, até mesmo, de iniciar uma guerra particular por causa de uma esteira. Acreditem, já vi acontecer.
Há, também, os educados e atenciosos. Falam bom dia quando chegam, até logo quando vão embora. Malham em silêncio, agüentam as investidas dos tipinhos típicos com simpatia e bom humor.
Em qual tipinho de freqüentador de academia eu me encaixo? No antipático. Só cumprimento quem me cumprimenta. Não converso com ninguém. Não dou beijinho em ninguém. E, sempre que posso, coloco o fone de ouvido para tentar me isolar do som alto e conversas paralelas que fazem parte do ambiente. E tento eliminar os exercícios da tortura matinal o mais rápido possível para, quem sabe, no fim de semana, ter direito a uma barra de chocolate.

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