quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007 | By: Mandi

Intimidade

Constanza Pascolato é considerada uma das mulheres mais chiques do Brasil. Há algum tempo, li uma entrevista com ela, quando ela ainda era casada com o Nelson Motta. Nem sei mais se estão juntos. Enfim, mas ela dizia que eles moravam em casas separadas, como forma de evitar aquela intimidade dispensável - ou até mesmo excessiva e invasiva para uma mulher chique como ela - que todo relacionamento traz.
O que seria uma intimidade dispensável e excessiva?
Seria aquele conjunto de coisas que o seu par só faz quando está sozinho e, de repente, ele se torna tão próximo de você, que começa a fazer na sua frente. Mas, não se engane. A recíproca também é verdadeira e ninguém está imune a isso.
Você percebe que a fase "lua-de-mel" terminou num relacionamento quando o cara perde a vergonha de arrotar, coçar o saco e peidar na sua frente. Pior, eles até acham bonitinho. Meu irmão, por exemplo, acha lindo soltar aquelas bufas barulhentas ao lado da mulher dele. Quando cheira mal, então, ainda faz aquela cara de Michelangelo, como se tivesse concluído uma obra de arte. E aqueles arrotos, então? Eles soam como um sapo sendo pisoteado e morto - e, se deixar, é capaz de cheirar da mesma forma.
A mulher dele, muito fina, acompanha meu irmão no riso. Ou dá um tapinha nele, numa indignação momentânea. E aí, mulherada, levante a mão quem nunca reagiu dessa forma, quando por dentro a vontade era esgoelar o cara, no melhor estilo Homer-Bart Simpson? A verdade é que, no final das contas, em nome do bom relacionamento e daquela intimidade completamente dispensável (e que ela provavelmente não gostaria de ter, mas veio de brinde, fazer o quê?), ela tem de engolir o sapo.
Mas, e se fosse o contrário? E se uma mulher se coçasse, arrotasse e bufasse na frente do cara? O relacionamento terminaria ali mesmo, sem dó, nem piedade. Porque, de homem autêntico, passaríamos a mulher porca. Mais uma vez, é tudo uma questão de semântica. Tudo tem um significado manipulável.
Aí voltamos ao caso Constanza Pascolato. Ela disse que calcinha e cueca penduradas no boxe do banheiro era algo que, aos poucos, ia matando o relacionamento. Então eu penso, será? Talvez seja um fator mínimo diante daquelas peculiaridades do dia-a-dia, como dividir o banheiro, beijo antes de escovar os dentes, roupa íntima furada, ou aquilo que eu considero uma das coisas mais nojentas que já vi uma namorada fazendo em um namorado: espremer cravos e espinhas. Se eu faria isso por alguém? Não, nunca, jamais, em tempo algum. É por isso que mantenho minhas unhas bem curtas.
Ao meu ver, a intimidade é só um reflexo daquilo que há de melhor e pior em um relacionamento: a convivência. Poucos sobrevivem a ela. E das "experiências de sucesso" que eu pude observar ao longo de minha vida, o respeito está presente em todas elas.
Não custa nada segurar o arroto, ir bufar em outro lugar, manter a higiene... Isso só para citar coisas básicas. Porque, no final das contas, a intimidade também tem um lado bom. E é justamente esse lado bom que faz com que muitas coisas sejam relevadas.
Como eu disse no começo desse texto, não sei se a Constanza Pascolato ainda é casada com o Nelson Motta. Acho que não. Eu até costumava pensar que muitos relacionamentos não sobreviviam à tal da convivência. No caso deles, talvez, não tenha sobrevivido à falta de convivência.

5 observações:

Anônimo disse...

Sim, vou dar conta de mostrar este texto ao meu namorado...bem antes do casamento já pra ficar bem avisado!!

Jujuba disse...

É POR ISSO QUE EU NÃO CASO!
hhahaha. Imagine ter que suportar os gases de enxofre todos os dias...

Eu já fui alvo de arrotos-trovões e, na verdade, o jeito é dar risada mesmo. Um dia eu propus um Campeonato do Arroto. Até que pelo meu pequeno tamanho, eu não mandei mal...
Já que é inevitável, que seja pelo menos divertido.

Beijo!

Luiz disse...

Não não... Nada é pior que a parte da calcinha e cueca pendurada no banheiro. Senão, para que existe o cesto de roupas sujas? Pior ainda quando a pessoa deixa o objeto pendurado no registro do chuveiro. Aí, é fim de caso na certa...

Cesar disse...

Esqueceu de mencionar o "descuido" com a porta aberta do banheiro e não é quando está tomando banho . . . Apesar de achar que isso pode ser feito tanto pela mulher quanto pelo homem, nós somos os campeões neste quesito . . . e não que eu me inclua na lista hein!! São apenas constatações . . .

Anônimo disse...

Mas ter intimidade com alguém é tudo de bom. É nessa hora que temos certeza do quanto amamos ela ou ele.