quinta-feira, 10 de maio de 2007 | By: Jujuba

Eu quero sempre mais.

Eu tenho entrado nesse blog quase que diariamente para ver se tem atualizações.
Adoro os textos da minha amiga Mandi, mas percebi que minha colaboração nesse espaço é quase nula e que eu precisava estar mais presente. Não só aqui, mas talvez em todos os locais que ocupo, porque presença física não é presença mental. Ah, enfim, muito complexo.

Daí me sobrou um tempo na redação e eu resolvi escrever. Sobre algo que se aplica a mim, mas tenho certeza que a muitos seres humanos também. (Se disserem que nunca passaram por isso, vou me sentir o ser mais estranho do planeta).

É aquela coisa de a gente querer sempre o impossível. Sempre aquilo que não está ao nosso alcance. Aquela coisa de que o jardim do vizinho é sempre mais florido que o seu.
Não. Não to falando de inveja. Tô falando daquela coisa que vc almeja pra si proprio... repara que ninguém nunca almeja algo que está próximo da sua realidade.
Parece um círculo vicioso. Você quer sempre mais. Isso é, conforme eu aprendi no Vera Cruz, meu colégio elitista metido a esquerdista, a base do Capitalismo. Essa busca incessante de algo que nem se sabe o que.

Uma pessoa doente almeja a cura. Alcançada a cura, almeja ser magra. Alcançada a magreza, almeja ter o nariz mais fino. Alcançado o nariz fino, almeja ser rica. Alcançada a riqueza, almeja ser famosa. E daí perdeu-se tanto tempo que ela já nem lembra que um dia esteve doente. Afinal, agora ela é rica.

É uma puta de uma viagem, mas faz sentido.
Quando eu estava no colegial, antes de eu entrar na faculdade, eu amava um garoto judeu. E olhando agora eu vejo que nunca o amei. Eu amei o sentimento de amar o impossível. Complexo.
Amei as histórias de eu ter que me converter de religião, a contragosto da minha família e da dele, por um bem maior que seria ficar junto. Num dramalhão estilo Nelson Rodrigues.
Amei porque era impossível e que, por isso, tinha mais graça. Fazia mais sentido, me motivava, me tirava o sono.

Não discordo das pessoas que sonham . Mas tentar criar uma outra realidade pra si mesmo é como uma crise de identidade. Eu, hoje, sei dos infortúnios de um jornalista. E é por isso que meus sonhos são cada vez mais humildes, como por exemplo... virar hippie e vender coco verde na praia, talvez.

3 observações:

Mandi Moraes disse...

Gorda... em que momento desse caminho louco a gente soltou as mãos, mesmo? Putz... lendo o seu texto, fica impossível não usar aquela frase horrível: "Precisamos conversar". Isso porque você disse que me ligaria essa semana para a gente ir almoçar. Sim, porque na redação, eu nem vejo você. Você já chega de mau humor... Pior, ontem você estava sentando atrás de mim, no computador da Déia... Odeio essa distância. Essa noite sonhei que te chamei para ir tomar uma no Morumbi no meio do "expediente". Fala sério...
Minhas considerações sobre o seu texto, no entanto, só ao vivo. Basta dizer que o nosso jardim pode ser tão florido quanto o do vizinho. Mas a gente precisa aprender a plantar e a cuidar daquilo que cultivamos.
Love ya.
Gringa

Anônimo disse...

Meu sonho agora era estar em casa, no quentinho, tomando chocolate com meu amor...E não aqui, na redação fria, nesse ritmo frenético...

Lac disse...

Optar pelo humilde também é querer mais. Mais simples.